Sob a pata do boi é exibido na SMA
O mês de novembro, dia 8, trouxe Sob a pata do boi, o nono filme a ser exibido este ano, dentro da iniciativa formada entre SMA e Mostra Ecofalante, no auditório Francisco Thomaz van Acker.
Dessa vez, o tema abordado é a pecuária na Amazônia. O filme de 2018, dirigido por Márcio Isensee e Sá, é um documentário jornalístico, que em 49 minutos apresenta a principal causa de desmatamento na Amazônia.
Fazendeiros, nos anos de 1970, eram incentivados pelo governo federal a desmatarem a floresta em troca de títulos de terra. Sob o jargão ‘integrar para não entregar’, milhares de árvores foram derrubadas. Os tempos e as leis mudaram, mas o desmatamento ainda é lucrativo, mesmo ilegal.
Milhares de hectares são tomados para a implantação, em especial, da pecuária, que, hoje, representa 80% do desmatamento amazônico. São 25 milhões de habitantes na região e 85 milhões de cabeças de gado. É o maior rebanho bovino do Brasil.
Para discutir esses impactos, foram convidados Valéria de Marcos, geógrafa agrária e professora da USP, Guilherme Carvalho, biólogo e secretário executivo da Sociedade Vegana Brasileira e Daniel Smolentzov, procurador do Estado de São Paulo e chefe da consultoria jurídica da SMA.
Uma das questões levantadas é o direito de propriedade. “Como configurar a propriedade privada de forma que haja equilíbrio entre o interesse público, que é coletivo, de todos nós, a questão da preservação ambiental com o interesse privado que é do particular, no caso de regulares”, aponta Smolentzov.
Guilherme Carvalho trouxe os problemas causados pelo consumo de produtos de origem animal – custo energético, emissões de gases, desmatamento, pegada hídrica, sem contar o número de animais abatidos. Para ele, é preciso soluções mais eficientes para diminuir os impactos. Essas soluções passariam por dois olhares “mudanças nos padrões de produção ou nos padrões de consumo”.
Segundo a professora de Marcos, o processo de ocupação da Amazônia começou nos anos 1960 partindo do princípio que nada existia na região, que era necessário levar o progresso, e para isso era preciso integrar com grandes rodovias e com projetos agros – florestais, minerais e pecuários. Isso resultou em grandes propriedades colocando a margem a floresta e as comunidades tradicionais. Desse modo, “o que não podemos perder de vista hoje é a questão fundiária”.
Mais uma vez, o filme exibido levantou questões importantes para todos, questões que envolvem nossos hábitos e padrões de consumo. E mais uma vez devemos refletir, questionar e investigar sobre o que consumimos.
Texto: Cris Leite
Fotos: Zé Jorge


