Brasil e Argentina nem sempre foram rivais, pelo menos não na família de Rafael Frigério, que é originalmente de Buenos Aires. O funcionário público conta que, por muito tempo, era o único brasileiro entre os familiares, mas que isso nunca afetou a relação, nem mesmo nos clássicos da Copa do Mundo.

A paixão pelo futebol, que o acompanhou desde cedo, levou Frigério a jogar em times amadores em São Paulo durante a infância e adolescência. Ele chegou até a disputar um torneio sul-americano no Chile, quando tinha 11 anos. Apesar de se destacar com a bola nos pés, ele optou por focar nos estudos, deixando sua conexão com o futebol na torcida pelo Corinthians, time que o pai escolheu logo que chegou ao Brasil.

Já na vida acadêmica, Frigério foi inspirado pelas aulas de Geografia e decidiu seguir essa área na Universidade de São Paulo (USP). Foi assim que ele deu os primeiros passos em sua trajetória profissional na área ambiental, estagiando em 2002 na antiga Secretaria do Meio Ambiente, hoje parte da Semil. Em 2009, ele passou em concurso público para a CETESB, dando continuidade à sua carreira, mas agora como servidor concursado.

Há 22 anos, o geógrafo apaixonado por meio ambiente e futebol vem contribuindo brilhantemente para o desenvolvimento sustentável do estado de São Paulo, passando por diversos departamentos da Semil e ocupando as mais variadas funções na secretaria.

Curta Semil: Vamos conhecer melhor Rafael Frigério?

Geógrafo, 43 anos, esposo da Maria e pai da Lina (15 anos) e do Martin (7 anos). Frigério, como é conhecido na Semil, tem especialização em Gestão Ambiental e Negócios no Setor Energético, pelo antigo Instituto de Eletrotécnica e Energia – IEE, da USP. Ele se descreve como uma pessoa enérgica, detalhista, solícita e com muita vontade de cumprir algumas coisas na vida.

Como iniciou a sua paixão pelo meio ambiente?

Nos tempos de colegial, estimulado pelas abordagens ambientais nas aulas de geografia. Fui me interessando cada vez mais por esse tema da proteção e defesa do meio ambiente, que foi se consolidando ainda mais quando tive a oportunidade do estágio na Secretaria de Meio Ambiente, que hoje faz parte da Semil.

Qual é a sua trajetória na Semil?

Iniciei minha carreira há 22 anos como estagiário na Secretaria do Meio Ambiente (SMA), onde tive como primeira chefia e referência a geógrafa Bete Kono. Já formado em Geografia pela USP, participei ativamente da gestão da política pública de eliminação gradativa da queima da palha de cana-de-açúcar. Aprovado em concurso público e incorporado aos quadros da CETESB em 2009, atuei no Balcão Único do Licenciamento Ambiental e, posteriormente, fui referência técnica em programas como o Etanol Mais Verde, uma iniciativa singular de tratativas entre o setor produtivo e o poder público. Em 2017, assumi função de direção na Coordenadoria de Fiscalização Ambiental (CFA), sucedida pela Coordenadoria de Fiscalização e Biodiversidade (CFB), função que exerci até novembro de 2022, passando a responder, então, como coordenador da CFB. Desde novembro de 2024, estou como Assessor Técnico na CFB, sob a liderança do parceiro de trabalho André Rocha.

Qual foi o momento mais marcante da sua carreira na Semil? 

Foi quando integrei a equipe responsável pela gestão da eliminação gradativa da atividade de queima da palha de cana-de-açúcar no estado de São Paulo. Participei de todo o processo e vi o trabalho dando certo. Foram anos trabalhando com muita dedicação para ver o resultado que temos hoje.

Para você, o que representa ser servidor público?

Ser servidor público representa muito para mim! É uma grande responsabilidade representar uma instituição com o peso da Semil ao longo de todos esses anos. É um trabalho que demanda muita seriedade, mas, ao mesmo tempo, nos proporciona uma grande satisfação, quando identificamos que toda a energia e esforço que entregamos no dia a dia de trabalho árduo repercute de forma positiva na vida de cada cidadão.

Se o Frigério não fosse geógrafo?

Como tinha essa conexão com o futebol e o esporte, pensei em cursar jornalismo, com foco em cobertura esportiva. Porém, minha paixão pela geografia pesou mais.

Falando de vida pessoal, a pergunta que não quer calar: na sua família, existe a rivalidade Brasil e Argentina no futebol?

Quando meu irmão e eu éramos pequenos, sempre ficávamos divididos para quem torcer. Eu nasci no Brasil, mas minha família toda é da Argentina. Já ele nasceu lá e foi criado aqui. Meu pai sempre se esforçava para torcer pro Brasil, mas, na hora do jogo, ele não conseguia se desprender das suas raízes. Porém, tomava cuidado para que o clima ficasse ameno.

Com o tempo, fui tendo carinho pelas duas seleções e vendo isso como algo positivo. Nas Copas do Mundo, sempre tive dois times para acompanhar e torcer, algo que, naturalmente, já transmiti para os meus filhos, que admiram os jogadores brasileiros e igualmente são fãs dos argentinos.

Uma curiosidade é que, se estou na Argentina, sou provocado como torcedor ‘brasuca’, e aqui meus amigos e conhecidos fazem o inverso. O que é certo é que, sim, quando nos juntamos com os familiares argentinos, sempre tem alguma polêmica em torno dessa rivalidade.

Não fuja da responsabilidade, no jogo entre Brasil e Argentina, qual é a sua torcida?

Brasil, mas com um sentimento dividido em muitas situações. Um exemplo disso é as oitavas de final da Copa do Mundo de 1990, quando a seleção brasileira enfrentou a argentina. Lembro bem desse jogo! Assisti com o meu pai e meu irmão. Torci para o Brasil, que por sinal atropelou a Argentina ao longo da partida, mas em um lance genial do Maradona perdeu e foi eliminado. Não fiquei triste porque eu tinha a chance de continuar torcendo pela Argentina, que seguiu até a final, mas infelizmente perdeu para a Alemanha. Essa é a vantagem de ter esse coração dividido!

 Você torce para algum time argentino?

Sim, tenho grande carinho pelo folclórico futebol argentino e pelos times da família paterna: Racing, time mais tradicional, e Almagro, time de bairro que meu avô tinha muita paixão.

 Você pratica esportes?

Desde os tempos de faculdade sou ciclista. Encontrei na bicicleta meu meio de transporte preferido para ir trabalhar ao longo dos últimos 15 anos. Esse interesse surgiu por influência da minha companheira de vida. Já fizemos diversas viagens de cicloturismo, junto com nossos dois filhos, por destinos como Brasil, Uruguai e Argentina.

E quais são seus hobbies? 

Gosto de cozinhar nos tempos livres com a família e temos nas comidas de rua um ponto de grande interesse do núcleo familiar, sendo a produção artesanal de linguiças um passatempo que me acompanha já há algum tempo.

Amo viajar também. Sempre que possível, fecho as malas e vou com os filhos e a companheira para a praia de Paúba, na Costa Sul do Litoral Norte de São Paulo. Temos uma casa da família e frequento o local desde o fim dos anos 80.

 

Jogo rápido 

Livro: Vale Tudo – Tim Maia, de Nelson Motta

Filme: Nove Rainhas, com Ricardo Darín

Passeio: Praia de Paúba com a família

Comida: Milanesa com tortilla de papas, em Buenos Aires

Sonho: Realizar com firmeza e saúde os muitos desejos e vontades que ainda tenho na vida, sempre com meus filhos e minha companheira