O governo do Estado de São Paulo emitiu um alerta sobre a circulação do vírus da febre amarela em território paulista, destacando a importância dos macacos como “sentinelas naturais” para a detecção precoce da doença. Ao contrário do que muitos pensam, os primatas não transmitem o vírus, mas são fundamentais para indicar a presença do agente infeccioso em determinadas regiões, permitindo que as autoridades adotem medidas preventivas. Até o momento, foram registrados 14 casos e nove mortes em humanos, além de 30 ocorrências em primatas não humanos nas regiões de Ribeirão Preto, Campinas, Barretos, Bauru e Osasco.

A febre amarela voltou a preocupar as autoridades sanitárias após um aumento significativo de casos em 2025, reacendendo o sinal de alerta no estado. O vírus foi detectado pela primeira vez nas regiões norte e noroeste de São Paulo em 2016, com um surto mais expressivo em 2017, principalmente na região de Campinas. Naquele ano, a confirmação da doença em áreas como Mairiporã e Caieiras, na Grande São Paulo, levou ao fechamento temporário de unidades de conservação, como o Parque Estadual da Cantareira, e à morte de primatas em 40 municípios. Na época, a desinformação gerou perseguições aos macacos, especialmente aos bugios, erroneamente associados à transmissão da doença.

A Coordenadoria de Fauna Silvestre (CFS), da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), reforça que os macacos são aliados no combate à febre amarela, atuando como indicadores da circulação do vírus antes que ele atinja humanos. “Eles não transmitem a doença, que é propagada exclusivamente por mosquitos. Os primatas são essenciais para a vigilância epidemiológica”, explica Paloma Arakaki, coordenadora da Comissão Pró Primatas Paulistas (CPPP), vinculada à CFS. Para fortalecer o monitoramento, a CPPP coordena o Grupo de Assessoramento em Saúde Única (GASU), que acompanha a febre amarela em primatas e apoia ações integradas de prevenção.

Orientações à população

Em caso de encontro com macacos apresentando comportamento anormal, como dificuldade de locomoção, equilíbrio ou visão, a população deve registrar a ocorrência no aplicativo SISSGEO, da Fiocruz, vinculado ao Ministério da Saúde. É proibido capturar ou transportar os animais. A recomendação é acionar o Corpo de Bombeiros, a Guarda Civil Municipal (GCM) ambiental ou a área de zoonoses da Secretaria de Saúde local.

A CFS também orientou empreendimentos de fauna cadastrados no sistema de gestão do estado a redobrar a atenção a casos de primatas doentes ou mortos. “É essencial colocar telas em portas e janelas dos recintos para evitar a entrada de mosquitos. Em caso de suspeita, o animal deve ficar em observação por 10 dias em área isolada. Se houver óbito, é preciso comunicar imediatamente a Secretaria de Saúde para coleta de amostras”, explica Hélia Maria Piedade, especialista ambiental e diretora no Centro Regional de Gestão de Fauna Silvestre da Semil.

Cenário epidemiológico

A febre amarela silvestre é endêmica no Brasil, com maior incidência na região Amazônica, mas também afeta o Centro-Oeste, Sudeste e Sul em ciclos epidêmicos. O vírus é transmitido exclusivamente pela picada de mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes, que se proliferam em ocos de árvores com água acumulada. O governo de São Paulo reforça a importância da vacinação, do uso de repelentes e da conscientização da população para evitar a propagação do vírus, protegendo tanto humanos quanto a fauna silvestre.