Com mais de uma década de atuação na área financeira do serviço público, a diretora de Finanças da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), Melanie Coura Ivo, construiu sua trajetória de forma gradual, atravessando diferentes gestões e assumindo responsabilidades cada vez maiores. Desde 2009 na secretaria, ela acompanhou de perto transformações institucionais, administrativas e culturais dentro do Estado.

Nesta conversa, a gestora detalha seu percurso profissional, reflete sobre a motivação para permanecer no setor público e explica como o trabalho financeiro, embora realizado nos bastidores, é essencial para que políticas públicas saiam do papel e cheguem à população.

Como foi o início da sua trajetória aqui na secretaria e como você chegou à área de finanças?
Minha trajetória profissional sempre esteve diretamente ligada à área financeira, mas foi construída de forma muito orgânica, acompanhando as demandas da secretaria e as oportunidades que surgiam ao longo do tempo. Comecei como estagiária e, a partir dali, fui sendo convidada a assumir novas funções à medida que demonstrava capacidade técnica e comprometimento com o trabalho. Passei por cargos como assistente técnica, diretora de centro, diretora de departamento e coordenadora, até chegar à função que exerço hoje, como diretora de Finanças.

Esse percurso não foi planejado de forma rígida, mas construído no dia a dia, com muito aprendizado prático. Entrei efetivamente na secretaria em 2009, o que me permitiu acompanhar de perto não apenas os processos financeiros, mas também as transformações institucionais, administrativas e culturais do Estado ao longo de diferentes gestões. Essa vivência contínua me deu uma compreensão profunda sobre o funcionamento da máquina pública e sobre a importância da área financeira como base estruturante das políticas públicas.

O que mais te motiva no dia a dia na Semil?
O que mais me motiva é a dinâmica constante do serviço público. Apesar de muitas pessoas enxergarem o Estado como algo rígido e previsível, a realidade é que ele está em permanente transformação. As prioridades mudam, os projetos se renovam, surgem novas legislações, novas diretrizes e desafios inesperados. Isso exige atualização contínua e capacidade de adaptação.

Mesmo existindo uma rotina bastante estruturada, especialmente na área financeira, nenhum ano é igual ao outro. Cada gestão traz novas perspectivas e novas formas de trabalhar. Como minha carreira foi construída passo a passo, cada nova função representou não apenas um aumento de responsabilidade, mas também uma oportunidade de aprendizado. Essa sensação de evolução constante é o que mantém meu engajamento e meu interesse, mesmo após tantos anos.

Como você equilibra a rotina profissional com a vida pessoal?
Conciliar uma rotina de trabalho intensa com a vida pessoal não é simples, especialmente em uma área que lida com prazos, responsabilidades legais e tomada de decisões estratégicas. Ainda assim, tento buscar pequenos espaços de equilíbrio dentro da realidade possível. Gosto muito de viajar, embora isso aconteça principalmente durante os períodos de férias, quando consigo realmente me desligar do ritmo do trabalho.

No dia a dia, algo que faz muita diferença para mim é o convívio com o meu cachorro. Pode parecer simples, mas chegar em casa depois de um dia exigente e encontrar aquela alegria genuína ajuda muito a aliviar o estresse. É um momento de desconexão emocional do trabalho, que me permite recarregar as energias e manter a saúde mental em dia.

Houve algum momento marcante na sua trajetória profissional aqui dentro?
Os períodos de troca de gestão são, sem dúvida, os momentos mais marcantes. A cada quatro anos, existe uma expectativa muito grande em relação à continuidade do trabalho, ao reconhecimento da trajetória construída e às possibilidades de crescimento profissional. Esses momentos costumam ser acompanhados de insegurança, porque envolvem mudanças de liderança, de prioridades e, muitas vezes, de estrutura organizacional.

Ao mesmo tempo, são fases que também funcionam como um estímulo. Há uma motivação adicional para demonstrar resultados, reforçar a importância do trabalho técnico e mostrar que a continuidade administrativa é fundamental para o bom funcionamento do Estado. Cada permanência e cada avanço ao longo dessas transições representam conquistas, tanto do ponto de vista profissional quanto pessoal.

Como você percebe o impacto do seu trabalho na vida das pessoas?
Embora a área financeira atue majoritariamente nos bastidores, o impacto do trabalho é extremamente concreto. Quando acompanhamos ações como a limpeza do Rio Pinheiros, a revitalização de estradas ou a execução de grandes obras de infraestrutura, conseguimos enxergar claramente como o planejamento e a gestão adequada dos recursos públicos se materializam em benefícios reais para a população.

Esse tipo de resultado traz um senso muito forte de propósito. Com o tempo, passamos a olhar para a cidade e para o Estado de uma forma diferente, entendendo que cada obra, cada serviço e cada política pública só se tornam viáveis porque houve um trabalho técnico rigoroso para garantir que os recursos fossem corretamente aplicados. É um impacto que nem sempre aparece, mas que sustenta toda a ação pública.

Você sempre imaginou seguir carreira na área financeira?
Sim, desde o início da minha vida profissional. Sempre atuei em áreas relacionadas às finanças, como tesouraria, contabilidade e gestão financeira. Embora não tenha trabalhado diretamente com orçamento, esse conjunto de experiências me proporcionou uma visão ampla e integrada das finanças públicas.

O contato com diferentes frentes da área financeira me ajudou a desenvolver uma compreensão sistêmica, que hoje considero essencial para a função que exerço. Olhando para trás, percebo que cada etapa da minha trajetória contribuiu para a posição que ocupo atualmente. É uma área na qual me sinto realizada, segura tecnicamente e alinhada com minhas habilidades.

Olhando para o futuro, como você imagina sua trajetória daqui para frente?
Eu me vejo, acima de tudo, continuando a aprender. A área financeira exige atualização constante, atenção às mudanças legais, domínio de novas ferramentas e capacidade de adaptação a novos modelos de gestão. Esse caráter dinâmico me motiva bastante.

Como gosto muito do que faço, imagino minha trajetória seguindo dentro da secretaria, com crescimento profissional e novos desafios. É um ambiente em que dificilmente dois dias são iguais, e isso torna o trabalho estimulante. A possibilidade de contribuir para a melhoria da gestão pública é algo que ainda me move e que pretendo continuar desenvolvendo.

Que conselho você daria para quem está começando agora no serviço público?
Muitas pessoas ainda ingressam no serviço público com a ideia de que ele é excessivamente burocrático e resistente a mudanças, mas essa percepção vem se transformando ao longo dos anos. Hoje existe um esforço real de modernização, com maior uso de tecnologia, adoção de práticas da iniciativa privada e busca por mais eficiência e transparência.

A chegada de profissionais com diferentes formações e experiências é fundamental para esse processo. Meu conselho é ter paciência, disposição para aprender e abertura para compreender a lógica do setor público. As mudanças acontecem, mas de forma gradual, por meio do diálogo, da construção coletiva e do respeito ao papel institucional do Estado.