Nos últimos três anos, a Semil estruturou uma forma de atuação que rompe compartimentos tradicionais da administração pública. Ao aproximar áreas distintas, a pasta passou a desenhar políticas integradas, capazes de responder às urgências do presente sem perder de vista seus efeitos duradouros sobre o território e a vida cotidiana dos paulistas. 

Esse movimento se reflete em números expressivos, distribuídos em diferentes frentes. No caminho da descarbonização, quase 700 mil metros cúbicos diários de biometano passaram a integrar a matriz energética do Estado. Ao mesmo tempo, resíduos são transformados em energia em 35 municípios, e o programa Integra Resíduos já se expandiu para 344 cidades. 

Na agenda ambiental, mais de 34 mil hectares estão em processo de restauração — uma área que supera em mais de duzentas vezes o Parque do Ibirapuera. Soma-se a isso a criação do Parque Estadual do Morro Grande, que garante a proteção de 10,8 mil hectares de Mata Atlântica. 

A política de conservação também se aprofunda com a implementação de 61 Programas de Pagamento por Serviços Ambientais, a geração de créditos de carbono e investimentos de R$ 11,3 milhões em reflorestamento. A estratégia combina preservação ambiental, incentivo econômico e desenvolvimento sustentável. 

No saneamento, os avanços voltaram a ser mensuráveis. Em apenas um ano, a mancha de poluição do Rio Tietê recuou 33 quilômetros, e deixou de ser lançado o equivalente a 10 bilhões de litros de esgoto por mês. Esses resultados integram o maior plano de segurança hídrica já executado no Estado, que prevê R$ 25 bilhões em investimentos destinados à despoluição de rios, à prevenção de enchentes, à garantia de abastecimento e à adaptação às mudanças climáticas. 

Nesta edição, o secretário-executivo da Semil, Anderson Marcio de Oliveira, faz um balanço dos três anos de gestão e aponta 2026 como um marco para a consolidação desse ciclo. Segundo ele, a reestruturação da pasta buscou alinhar o perfil técnico às novas exigências das áreas, por meio da recomposição de equipes, da reorganização temática e da valorização dos servidores — traduzida em melhores condições de trabalho e ajustes salariais. A avaliação interna é de que esse redesenho fortaleceu a capacidade da secretaria de planejar e executar políticas públicas. 

A expectativa, afirma Anderson, é que o investimento institucional continue se convertendo em entregas qualificadas. Mais do que ampliar o volume de projetos, a Semil aposta na solidez das políticas e na conexão entre planejamento, execução e impacto social — especialmente nas agendas climática e de infraestrutura ambiental, onde decisões de hoje definem, silenciosamente, o horizonte das próximas décadas. 

Quais projetos em andamento o senhor avalia que devem deixar um legado mais duradouro para o Estado? 

Quando falamos em legado, é importante olhar para iniciativas que não se esgotam na entrega imediata, mas que alteram estruturas, criam capacidades permanentes e produzem efeitos cumulativos ao longo do tempo. Nesse sentido, a restauração ecológica e o avanço do reflorestamento têm um peso estratégico enorme, pois recompõem ecossistemas, protegem mananciais, aumentam a resiliência do território às mudanças climáticas e contribuem diretamente para a qualidade de vida da população. 

No saneamento, a universalização do acesso, aliada à despoluição dos rios Pinheiros e Tietê, representa uma transformação histórica. Não se trata apenas de melhorar indicadores ambientais, mas de ressignificar a relação da cidade com seus rios, recuperar áreas degradadas e reduzir desigualdades no acesso a serviços básicos. 

Na agenda energética, o incentivo ao biometano aponta para um novo modelo de desenvolvimento, que combina redução de emissões, aproveitamento de resíduos e geração de emprego e renda. Já no campo dos recursos hídricos, os investimentos em segurança hídrica e adaptação climática são decisivos para garantir o abastecimento, prevenir crises futuras e preparar o Estado para eventos extremos que já fazem parte da nossa realidade. 

Quais são as principais metas da Semil para 2026?

2026 tem um significado especial porque marca o encerramento de um ciclo de planejamento e implementação iniciado nos últimos três anos. Muitas entregas já foram realizadas, mas o foco agora é concluir projetos estruturantes, consolidar resultados e garantir que as políticas públicas implantadas tenham continuidade e estabilidade institucional. 

Entre as prioridades estão iniciativas inovadoras, como a PPP dos parques, que propõe um novo modelo de gestão e financiamento das unidades de conservação, e a PPP do desassoreamento, fundamental para enfrentar o problema das enchentes e ampliar a capacidade de resposta do Estado a eventos extremos. 

Além disso, queremos manter o avanço na restauração ecológica, ampliar a produção e o uso do biometano e fortalecer a governança climática, com a criação de instrumentos que integrem planejamento, financiamento e execução de políticas de longo prazo. 

Que mensagem o senhor deixa para a equipe da secretaria por esses três anos de entrega?

A mensagem é de reconhecimento profundo pelo trabalho realizado. A Semil reúne um corpo técnico altamente qualificado, que enfrentou desafios complexos e conseguiu entregar resultados concretos para o Estado. Eu e a secretária Natália Resende temos plena consciência de que nada disso seria possível sem o empenho, a dedicação e o senso de responsabilidade dos servidores. 

As políticas implementadas são estruturantes, e seus efeitos vão se estender por muitos anos, beneficiando gerações futuras. Ao mesmo tempo, sabemos que os desafios não cessam e que a pressão por respostas rápidas e eficazes continua. Por isso, reforço a importância de manter o compromisso com a excelência técnica, a cooperação entre as áreas e o foco no interesse público. 

 

Quais foram os principais avanços recentes nos processos internos da Semil?

Nos últimos anos, a secretaria passou por um processo consistente de modernização administrativa, com foco em eficiência, transparência e qualidade das entregas. Investimos fortemente na capacitação dos servidores, na adoção de novas tecnologias e na padronização de procedimentos, buscando reduzir gargalos históricos e conferir mais previsibilidade aos processos. 

Também avançamos no uso de inteligência artificial na análise de autos de infração ambiental, liberando os servidores das atividades mais repetitivas para que possam se dedicar a análises mais estratégicas e qualificadas. A consolidação do SEI e a melhoria da instrução processual resultaram em ganhos significativos de agilidade, segurança jurídica e controle. 

 

Qual é o papel da Semil na formulação de políticas públicas de longo prazo para o Estado? 

A Semil tem uma vocação natural para o planejamento de longo prazo, justamente por ser uma secretaria multissetorial. A integração entre meio ambiente, infraestrutura e logística permite uma visão sistêmica dos desafios do Estado, especialmente em um contexto de mudanças climáticas aceleradas. 

Nosso papel é articular políticas que conciliem desenvolvimento econômico, proteção ambiental e justiça social, garantindo que decisões tomadas hoje não comprometam o futuro. Isso envolve fortalecer a governança climática, aprimorar instrumentos de planejamento e assegurar capacidade de implementação, para que as políticas públicas não fiquem apenas no papel, mas se traduzam em resultados concretos e duradouros. 

 

Quais valores orientam sua atuação como gestor público? 

Minha atuação como gestor público é orientada por um compromisso profundo com o interesse coletivo e com a qualidade do serviço prestado à população. Honestidade, transparência e responsabilidade são princípios inegociáveis, assim como o respeito às instituições e às pessoas que as constroem diariamente. 

A valorização dos servidores é um pilar central, pois são eles que garantem continuidade, memória institucional e qualidade técnica. Além disso, acredito muito na escuta ativa, tanto interna quanto externa, como instrumento para aprimorar decisões, reduzir conflitos e construir políticas públicas mais eficazes e legítimas. 

 

Como o senhor toma decisões complexas sob pressão? 

Decisões complexas fazem parte da rotina da gestão pública, especialmente em áreas sensíveis. Procuro adotar uma postura analítica e aberta ao diálogo, reunindo o máximo de informações disponíveis e ouvindo atentamente os técnicos responsáveis. 

É fundamental compreender a complexidade do tema, os riscos envolvidos, o tempo disponível e a qualidade dos dados que embasam cada alternativa. Nem sempre é possível eliminar todas as incertezas, mas acredito que decisões bem fundamentadas, tomadas de forma colegiada e com foco no interesse público, tendem a produzir os melhores resultados, mesmo em contextos de forte pressão.