Servidor de carreira da Cetesb, Constantino Alves construiu uma trajetória marcada por mudanças de rota e novas oportunidades. Ao longo de quase duas décadas na Semil, transformou a experiência em licitações e contratações públicas em uma das principais bases de sua carreira, sem abrir mão da família e da qualidade de vida.

Formado em Administração de Empresas pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), ele passou pela iniciativa privada antes de encontrar no serviço público um caminho para conciliar realização profissional, estabilidade e vida familiar.

Antes de ingressar na secretaria, Constantino teve experiências profissionais diversas, inclusive em lanchonetes. Foi na iniciativa privada, porém, que surgiu uma oportunidade decisiva: atuar com processos licitatórios. O contato com essa área despertou seu interesse e, posteriormente, ajudou a definir os rumos de sua carreira.

Funcionário de carreira da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), Constantino ingressou na Secretaria em 2 de julho de 2007, após ser aprovado em concurso público. Desde então, passou por diferentes áreas e funções, acumulando experiência em licitações, contratos, suprimentos e gestão.

Hoje, como Diretor de Administração da Subsecretaria de Gestão Corporativa, enfrenta um novo desafio: contribuir para a padronização dos procedimentos de contratação em uma secretaria ampla, com áreas de atuação diversas e patrimônio distribuído por todo o Estado. Uma responsabilidade que exige conhecimento técnico, mas também capacidade de adaptação — característica presente em diferentes momentos de sua trajetória.

Fora do trabalho, a família ocupa um lugar central. Casado com Marcia, professora da rede municipal, e pai de Guilherme, de 28 anos, e Tamires, de 24, Constantino procura organizar a rotina profissional de forma que o trabalho não se sobreponha aos momentos em família. Para ele, conciliar as duas dimensões significa estabelecer prioridades e fazer escolhas conscientes.

Curta Semil: Como começou sua trajetória na Secretaria?

Constantino Alves: Estou na Secretaria desde 2 de julho de 2007. Sou funcionário de carreira da Cetesb e, quando fui chamado no concurso, já fui direcionado para trabalhar na Secretaria. Entrei no antigo Departamento Estadual de Proteção de Recursos Naturais, o DEPRN, que, considerando a estrutura atual, corresponderia à Diretoria de Proteção e Fiscalização Ambiental da Subsecretaria de Meio Ambiente.

Comecei em uma seção de atividades complementares. Na verdade, iniciei trabalhando com dispensa de licitação e, depois, passei também a atuar com licitações. Foi assim que comecei minha trajetória na Secretaria e fui construindo essa experiência que tenho hoje.

E como surgiu a ideia de prestar um concurso público?

Eu sempre trabalhei na iniciativa privada, geralmente em áreas voltadas para vendas e administração de vendas. Em determinado momento, logo depois de me casar, troquei de emprego e fui trabalhar em São Paulo. A matriz da empresa ficava em Cornélio Procópio, no Paraná, e comecei a ter que fazer algumas viagens para lá.

Minha esposa ficou grávida e chegou um momento em que comecei a perceber que aquela rotina de ficar viajando, ir para o Paraná, permanecer alguns dias e voltar não era mais adequada para aquele momento da nossa vida. Procurei outro emprego e acabei saindo sem ter outra oportunidade definida.

Meu sogro tinha uma lanchonete e me chamou para cuidar de uma outra unidade que ele havia comprado. Ele me disse: “Uma coisa que você não conhece, mas você sabe administrar”. Comecei a trabalhar com a lanchonete e, depois de um tempo, acabei comprando uma para mim.

Só que lanchonete demanda muito tempo, principalmente quando você é o dono. Você trabalha de segunda a sábado, precisa cuidar das compras, da contabilidade, de tudo. Na prática, acaba trabalhando praticamente os sete dias da semana. Depois veio meu segundo filho e comecei a perceber que estava tendo pouco tempo para a família e cada vez mais tempo dedicado ao trabalho.

Minha esposa é funcionária pública do município, é professora, e comecei a conversar com ela sobre essa falta de tempo. Foi ela quem me falou: “Por que você não tenta prestar um concurso?”. Eu já estava há quase dez anos trabalhando com lanchonete e voltar para a iniciativa privada não parecia tão simples. Então procurei um concurso, prestei e passei.

Então o serviço público também surgiu como uma forma de buscar mais equilíbrio com a família?

Sim. Foi uma das razões. Eu sempre procurei valorizar muito a família. Hoje consigo ter um equilíbrio melhor, inclusive por conta do trabalho que desenvolvo na Diretoria de Administração. Mesmo antes, quando estive à frente de áreas de Licitações e Contratos ou do Departamento de Suprimentos, sabia que não eram atividades com um horário fechado, em que você entra às 8h e sai às 17h. Muitas vezes é necessário extrapolar o horário e até resolver alguma coisa em casa.

A gente tenta conciliar da melhor forma possível, mas procuro dar atenção à família porque, para mim, ela é o mais importante. O serviço é importante, sem dúvida nenhuma, mas uma atividade não pode se sobrepor à outra. É preciso buscar equilíbrio.

Como vocês fazem para manter esse tempo em família?

Como minha esposa é professora, as férias dela são divididas e procuramos organizar minhas férias também dessa maneira. Costumo tirar 15 dias em janeiro e 15 dias em julho para podermos viajar juntos ou, pelo menos, ficarmos juntos.

Porque não adianta um sair de férias e o outro continuar trabalhando. Dessa forma, conseguimos aproveitar melhor esse período e ter mais tempo em família.

Existe algum aprendizado da sua trajetória que você leva para a vida?

Acho que tudo, seja positivo ou negativo, serve como aprendizado. E tenho muito mais pontos positivos do que negativos, graças a Deus. Isso vale não só para a Secretaria, mas para toda a minha trajetória profissional e pessoal.

Tudo vai se encaixando. Trabalhar com licitações, que acabou sendo uma parte muito grande da minha carreira na Secretaria, também aconteceu de certa maneira sem planejamento. Em um dos empregos que tive, a empresa participava de licitações e me chamaram para assumir essa tarefa.

Comecei a participar de capacitações e a atuar nos processos licitatórios. Depois, quando fui trabalhar na lanchonete, naturalmente parei com essa atividade. Mas, quando cheguei à Secretaria, essa experiência acabou fazendo diferença.

Algumas pessoas que passaram no concurso entraram comigo e foram para o DEPRN. A diretora da época disse que tinha espaço para todos, mas queria conhecer a experiência de cada um para definir onde poderíamos atuar. Pediu nossos currículos e coloquei essa experiência com licitações.

Quando ela viu meu currículo, já disse: “Você já sabe para onde vai. Você vai trabalhar com licitação”. Então acredito que todas as experiências vão se encaixando naturalmente ao longo da vida. Nem sempre é um planejamento nosso. A gente acaba seguindo o caminho que a vida vai apresentando, tanto pessoal quanto profissionalmente.

Qual é o principal desafio que você enfrenta hoje na Subsecretaria de Gestão Corporativa?

Eu acho que o principal desafio está justamente no fato de que tudo o que acontece na Secretaria demanda algum tipo de contratação. Desde uma compra de papel sulfite, que é algo básico, até contratos muito mais complexos, tudo passa por processos de contratação.

Não dá para imaginar uma área da Secretaria que não dependa de algum tipo de contratação. Recentemente também tivemos uma mudança importante na legislação de licitações. Na prática, essa é a terceira grande legislação que acompanho.

Peguei o Decreto-Lei nº 2.300 ainda quando estava na iniciativa privada, depois acompanhei a antiga Lei nº 8.666 durante a maior parte da minha trajetória na Secretaria e, agora, temos a Lei nº 14.133. Ela trouxe muitas inovações.

Com a nova estrutura da secretaria e a centralização das contratações na Subsecretaria de Gestão Corporativa e na Diretoria de Administração, o grande desafio é padronizar os procedimentos em todas as subsecretarias e incorporar essas inovações trazidas pela nova legislação.

Na prática, somos uma única secretaria. Então, mesmo que as áreas tenham temas muito diferentes, precisamos ter procedimentos padronizados. Uma subsecretaria não pode fazer uma coisa corretamente, mas de uma forma completamente diferente de outra. Esse é um grande desafio.

Hoje temos patrimônio distribuído em diferentes áreas do Estado, como hidrovias, travessias litorâneas e aeroportos, além das unidades que já pertenciam à antiga estrutura do Meio Ambiente, como parques e outras unidades do interior. Também temos patrimônio em companhias, batalhões e pelotões da Polícia Militar Ambiental.

São milhares e milhares de itens de patrimônio, distribuídos por áreas muito diferentes e descentralizadas. Fazer esse controle de maneira adequada é um trabalho bastante complexo.

Como você procura não levar o trabalho para casa?

Eu acho que é uma questão de priorizar. Quando estou tratando de questões de trabalho, estou aqui na Secretaria e o foco é o trabalho. E, quando estou em casa, procuro priorizar a vida pessoal.

Não dá para dizer que existe uma chave que você vira e, de repente, agora é trabalho e agora é família. Isso não existe. É uma questão constante de priorizar as demandas e entender o que precisa ser resolvido em cada momento.

Você tem dois filhos. Como é essa relação com a família hoje?

Tenho dois filhos. Meu filho, Guilherme, tem 28 anos e minha filha Tamires tem 24. Quando os filhos eram pequenos, essa preocupação com o tempo era ainda maior. Hoje eles já são adultos, mas a família continua sendo uma prioridade para mim.

Por isso procuramos aproveitar principalmente os períodos de férias juntos. As viagens e os momentos em família são importantes justamente porque a rotina profissional é bastante intensa.

E fora do trabalho, quais são seus hobbies?

Eu sempre gostei de atividade física, também por uma questão de saúde. Hoje procuro manter uma rotina de exercícios em casa. Faço musculação e bicicleta.

Para mim, é uma maneira de cuidar da saúde sem comprometer muito tempo com deslocamento. Se eu fosse para uma academia, provavelmente levaria muito mais tempo para fazer uma atividade completa, considerando o deslocamento e até a espera pelos aparelhos.

Em casa consigo organizar melhor o horário e fazer a atividade sem comprometer as outras coisas da rotina. Minha esposa também faz bicicleta, então acabamos nos organizando dessa forma.

Depois de tantos anos de carreira, o que mais o motiva no trabalho?

Acho que é justamente poder usar toda essa experiência acumulada para contribuir com a Secretaria. Ao longo dos anos, passei por diferentes situações, acompanhei mudanças na legislação e na estrutura administrativa e aprendi muito com cada uma delas.

Hoje, em uma estrutura nova como a Subsecretaria de Gestão Corporativa, existe a oportunidade de utilizar esse conhecimento para ajudar a construir procedimentos mais padronizados e eficientes. É um desafio grande porque são muitas áreas diferentes, mas também é uma oportunidade de contribuir de uma maneira nova.

O que você leva de toda essa trajetória?

Levo principalmente aprendizado. Acho que todas as experiências, inclusive aquelas que não saíram exatamente como planejávamos, acabam contribuindo para aquilo que somos profissionalmente e pessoalmente.

Minha trajetória passou pela iniciativa privada, pelas vendas, pela administração, pela experiência com licitações, pela lanchonete e, depois, pelo serviço público. Olhando para trás, percebo que cada etapa teve alguma importância para a seguinte.

Talvez a gente não consiga enxergar isso enquanto está vivendo cada momento, mas depois percebe que as experiências vão se encaixando. E é isso que levo comigo: a experiência acumulada, os aprendizados e a possibilidade de continuar contribuindo com o serviço público, sempre tentando conciliar isso com aquilo que considero mais importante, que é a família.