Fomentar a visitação pública em áreas protegidas do Estado. Esse foi o objetivo da parceria oficializada no último dia 19/09, entre a SMA, Fundação Florestal e Secretaria de Turismo do Estado, durante o “Encontro Temático: Desafios e Soluções.

Nesse encontro, uma das palestrantes foi a pesquisadora científica Maria de Fátima Scaf, do Instituto de Botânica (IBt), que explanou sobre o tema “turismo e conservação”, focando as categorias de Unidades de Conservação (UCs) e abordando questões relativas a zoneamento e normas. Maria de Fátima compartilhou sua experiência com uso público no Jardim Botânico de São Paulo, que se encontra dentro de uma UC, no caso, o Parque Estadual Fontes do Ipiranga. Ela esclareceu que os jardins são regidos pelo Sistema Internacional de Jardins Botânicos. No tocante ao assunto da biodiversidade e conservação, explicou que se trabalha com dois tipos de conservação: “in situ”, que é a manutenção da diversidade biológica em seu ambiente de origem, dando como exemplo as UCs; e “ex situ”, que é a manutenção de espécies fora de seu ambiente natural, como os jardins botânicos, os zoológicos, os hortos florestais e pomares de sementes.

Por sua vez, Paulo Henrique dos Santos, técnico de Apoio à Pesquisa Científica e Tecnológica do Instituto Florestal (IF), que atua desde 1994 com trabalhos envolvendo o uso público, destacou o período passado na Seção da Floresta de Avaré. Ele procurou alinhar os temas do uso público, da gestão e do turismo e conservação. Para ele, o uso público “é a grande ferramenta de gestão e é no seu âmbito que acontece o turismo, em prol da conservação”. Ele ilustrou sua fala mostrando uma foto antiga, de 1936, da Floresta Estadual de Avaré, com pessoas nadando e passeando em barcos na área da lagoa. E explicou que a Floresta Estadual foi criada anos depois, em 1945, ou seja, antes mesmo de ser criada, já existia o uso público do local “Então, o uso público, pela nossa experiência, é algo histórico e que vem ao longo do tempo se desenvolvendo e acontecendo nas nossas UCs”.

Já João Mauro Azevedo Carrillo, coordenador de Uso Público da Fundação Florestal (FF), turismólogo e especialista em educação ambiental, meio ambiente e ecoturismo, que atua nas UCs desde 2009, iniciou seus trabalhos, relativos ao tema, em Campos do Jordão, tendo sido gestor na Serra da Mantiqueira, nas APAs Campos do Jordão e Sapucaí-Mirim, sendo atualmente gestor da APA Cabreúva, na região de Itu e Serra do Japi. Ele mostrou que a FF faz a gestão de 97 UCs no território paulista, – 52 de Proteção Integral e 45 de Uso Sustentável, – correspondendo no total a 18% da área do estado. Entre outros dados, ele informou que as estâncias turísticas são as que têm o maior número de UCs. Conforme João Mauro, a UC tem uma potencialidade “direta”, pois promove emprego e receita, assim como “indireta no entorno” – considerando estimativas do Departamento de Conservação da Nova Zelândia – , em que cada dólar gerado com o turismo (em UC) produz 43 centavos na região do seu entorno; e ainda colabora com toda a cadeia produtiva do turismo na região. Segundo o especialista, dados de visitação nas UCs sob gestão da FF dão conta de que cerca de 1,9 milhão de pessoas visitaram essas unidades no último ano.

Saiba mais