“O crochê mudou a minha vida”, diz ela, que há dez anos faz os dias serem mais leves na Semil 

Talvez nem todos os funcionários conheçam a Maria Aparecida Farias dos Santos, 58, mas certamente já ouviram falar da Cidinha, uma copeira sorridente e carinhosa alocada no quinto andar da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil).  Baiana de Catolés, chegou em São Paulo aos 19 anos, recém-casada com Sebastião Almeida e à espera do seu primeiro filho, Renato. 

Com dez anos de dedicação à pasta, passou por inúmeras mudanças na estrutura da secretaria. Trabalha nas reuniões do Consema, no gabinete e em diferentes andares, sempre tornando os dias das pessoas mais leves. Cidinha também é empreendedora, produz e vende peças em crochê. Ela conta que começou a crochetar após observar os trabalhos manuais feitos por uma cobradora de ônibus que fazia a linha terminal Barra Funda/Ana Rosa.

Autodidata, desenvolveu as técnicas observando com muita atenção os movimentos das agulhas nas mãos da cobradora durante o percurso. Quando chegava em sua casa, repetia incansavelmente. Não era fácil, mas perseverava. “Ela manuseava muito rápido, e isso chamou minha atenção. Daí, todos os dias comecei a observar os movimentos que fazia com as agulhas. Nunca perguntei nada, só prestava atenção. Comprei meu kit com linhas; quando chegava em casa, repetia, errava, desfazia e começava tudo de novo”, lembra.

Com o tempo tomou gosto e como microempreendedora encontrou no crochê sua vocação. As vendas incluem produtos exclusivos como vestidos, tapetes, toucas, bolsas, toalhas de mesa, jogos de banheiro e cachecóis. Na vitrine do Instagram mostra  seu talento. 

Crocheteira de mão cheia, seus produtos fazem muito sucesso na pasta. O carro-chefe são os ponchos, confeccionados com carinho e amor, atendendo ao pedido de cada cliente. Ela vê o crochê como uma fonte de renda extra, além de uma prática terapêutica.

Com 38 anos de casada, mãe do Renato (37) e da Jaqueline (33), entre sorrisos, ela contou que é uma “avó super coruja” e dedica tempo de qualidade com as três netas: Geovana (6) e Isabela (oito meses), filhas do Renato, que trouxe como bônus de seu casamento a pequena Sophia, para somar à família. “Amo demais as três; o que faço para uma, faço pelas outras”.

ACOM: Quando você chegou na Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística?  Com o que trabalhava?

Cidinha: Ao longo da vida, fui babá, faxineira, cozinheira e passei por vários trabalhos. Trabalhei por dez anos em uma empresa de eventos. Lá, cozinhava e cuidava do espaço. Essa empresa era do Rogério Aman, ex-secretário de Desenvolvimento Social. Na época em que foi convidado para assumir o cargo, a casa foi fechada, e as pessoas seriam dispensadas. Preocupado com a minha situação, ele gostava muito do meu trabalho, me achava esforçada e inteligente. Assim, o secretário me indicou para uma vaga de trabalho em uma empresa terceirizada na Sima, antiga nomenclatura da pasta. A vaga, que seria temporária, acabou se estendendo por cinco anos. Gostava tanto do pessoal, e vice-versa, que não deixaram me levar para o Desenvolvimento Social.

ACOM: Por quais áreas passou aqui na pasta?  Como é um dia normal no seu trabalho?

Cidinha: Há dez anos, trabalho no quinto andar, atendendo o Gabinete e os secretários, além de participar de reuniões. Nessa gestão, gosto muito do secretário-executivo, me identifiquei muito com Anderson. Teve um dia que ele perguntou se estava tudo bem; respondi que não estava muito bem. Imediatamente, ele disse: “Cidinha, dá um sorriso na frente do espelho para você mesma”. Agora acordo e já faço isso; acredito que com um sorriso tudo muda. A secretária Natália também é muito gentil e educada.

ACOM:  O que você mais gosta em sua profissão?

Cidinha: Eu amo trabalhar aqui, não me vejo em outro lugar. Fico até emocionada. Amo o que eu faço e faço com muito amor! Não houve nenhum dia que eu me levantasse da cama sem ter vontade de trabalhar. Acordo sempre muito alegre.

O crochê também mudou a minha vida. São 20 anos como artesã e pode encomendar qualquer peça na cor que quiser. Gosto muito da minha arte, gosto de ver as pessoas vestindo e aproveitando os produtos. No inverno, os ponchos são sucesso aqui no quinto andar; tenho várias clientes queridas.

ACOM:  No seu ponto de vista, como é trabalhar na Semil?

Cidinha: Você lida com coisas diferentes todos os dias. Sou fixa aqui neste andar e trabalho nas reuniões. Tenho ótimas lembranças com o secretário Bruno Covas, já falecido. Amava ele demais. Quando passava no gabinete para servir o café, ele agradecia lendo uma poesia para mim. Ele era muito carinhoso, sempre lia trechos do livro do avô Mário Covas. Depois dele, o secretário Marcos Penido é muito gente boa. E a Fernanda (secretária do Penido) era meu anjo da guarda.

ACOM: Fale sobre a relação com seus colegas de trabalho.  Como você descreveria?

Cidinha: O ambiente de trabalho é gostoso. As pessoas são gentis, sou muito perfeccionista, gosto de tudo bem direitinho. Nesse andar na copa somos quatro pessoas.

ACOM: Qual foi o melhor presente?

Cidinha: O melhor presente da minha vida foi o nascimento da minha netinha, Geovana. Ela nasceu prematura e ficou 18 dias na UTI.  Sua alta médica foi uma vitória para toda a família. 

ACOM:   Quais são seus planos para o futuro?

Cidinha: Sou apaixonada por carnaval. Gosto de acompanhar os desfiles das escolas de samba e já ganhei convites, tendo a alegria de assistir no Sambódromo. Amo, amo a bateria; é a coisa mais linda. A última vez que fui choveu muito. Cheguei por volta das 19h e saí depois das 8 da manhã. Acho todas as escolas lindas e maravilhosas; assisto até a última passar. Seria um sonho poder desfilar na passarela do samba.

 

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