Conectando gente e governo: a comunicação que transforma na Semil
Comunicar é algo natural para todos nós, mas transformar informação em compreensão, relevância e impacto é um desafio que exige estratégia, sensibilidade e propósito. Na Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), essa missão é abraçada diariamente pela Assessoria de Comunicação que atua como ponte entre a complexidade técnica da gestão pública e a sociedade.
À frente dessa missão está Marcos Araújo, profissional com mais de duas décadas de experiência em comunicação, que traz para o setor público a mesma excelência de agências renomadas, aliada à visão de utilidade social. Para ele, comunicar não é apenas informar: é traduzir políticas, obras e programas de forma que as pessoas compreendam e reconheçam seu impacto no dia a dia.
Nesta entrevista, ele fala sobre sua trajetória, os desafios de comunicar temas tão amplos, as boas práticas adotadas na Semil e até seu lado pessoal, mostrando que, para comunicar bem, é preciso conhecer as pessoas, os processos e a sociedade que se deseja impactar.
Como você chegou na Semil e há quanto tempo?
Aterrissei na Semil em dezembro de 2023, trazido pela então chefe da Acom. Era um momento de virada para a comunicação da secretaria, e o desafio me capturou na hora. Acabava de sair de uma das maiores agências da América Latina e, entre várias portas que se abriram, escolhi a Semil por acreditar no que poderíamos construir. Quase dois anos depois, mesmo com todos os percalços do caminho, a escolha se mostrou certa e tenho um orgulho imenso da evolução que tivemos.
Como você descreveria o papel da comunicação dentro da Semil e a importância dela para o trabalho das demais áreas da secretaria?
Meu papel na Semil é ajudar a pensar a comunicação como um produto estratégico e integrador. Dito isto, vejo nossa missão como a de tecer fios que conectam o técnico ao humano, pois somos muito mais que um megafone; somos tradutores de um universo complexo (seja uma reforma em uma rodovia do DER ou uma política ambiental) para a linguagem do cidadão. Até porque, no fim do dia, a comunicação só faz sentido se atua como uma grande facilitadora: alinhando discursos, construindo narrativas e, acima de tudo, mostrando o impacto real do nosso trabalho na vida das pessoas. Uma comunicação clara evita ruídos, conquista confiança e é o combustível para que os projetos ganhem vida e apoio.
A comunicação, portanto, é o elemento de coesão que dá sentido e visibilidade ao trabalho de todas as áreas. Felizmente, hoje, tudo isto é cada vez mais alinhado aqui na Semil, e parte dos resultados inclusive são frutos da pessoa que lidera nossa equipe com tanto brilho: a nossa gerente de Comunicação, Giselle Garcia. Nela, encontramos não apenas uma gerente, mas uma verdadeira arquiteta de pontes. Sua visão estratégica, sua capacidade de enxergar o todo e seu incentivo constante para que inovemos e pensemos “fora da caixa” são fundamentais para que possamos colocar em prática essa missão de traduzir e conectar. É um privilégio aprender e trabalhar sob a liderança dela, que inspira a todos a entregarem o seu melhor.
Quais são os principais desafios de comunicar uma pasta com temas tão amplos – que envolvem meio ambiente, infraestrutura e logística?
É dançar entre tantos ritmos diferentes sem perder o passo. Um exercício diário de aprendizado contínuo, mergulhando em temas densos com a humildade de quem sempre tem algo novo a aprender. Encontrar o fio dourado que une essa diversidade toda sob o guarda-chuva do desenvolvimento sustentável é crucial. E, por fim, ter a sensibilidade de saber que a mensagem para um especialista em logística precisa de uma roupagem diferente da que toca o coração de um jovem jornalista engajado com o meio ambiente.
O que mais te motiva pessoalmente em liderar essa área dentro da Semil?
O que me move é aquele feeling de utilidade pública. É saber que nosso trabalho ajuda a traduzir para a sociedade para onde vão os recursos e os esforços do Estado. É dar concretude ao que está no papel e ver que isso faz diferença na vida real. É uma missão que carrega uma responsabilidade linda e me presenteia com aprendizado todos os dias sobre setores vitais para o nosso Estado de São Paulo.
Na sua visão, como a comunicação pode ajudar a tornar mais visíveis os resultados e entregas dos projetos da Semil para a sociedade?
A comunicação é a lente que dá foco e calor aos resultados. Muitas vezes, um avanço burocrático ou técnico pode parecer distante para quem há anos produz ou reproduz aquilo e nosso papel é materializá-lo. Humanizamos os dados e contamos a história por trás dos números. Uma imagem de um animal sendo devolvido à natureza, por exemplo, pode falar mais ao coração do que um relatório técnico. E sempre contextualizamos, explicando não apenas o que foi feito, mas onde, por que e como aquilo transforma o dia a dia das pessoas.
Quais iniciativas recentes você destacaria como exemplos de boas práticas em comunicação pública?
Nos esforçamos para ir além da obrigação, transformando a transparência em uma experiência verdadeiramente acessível. Isso significa disponibilizar informações sobre, por exemplo, consultas públicas e editais de forma clara e atualizada, fortalecendo o controle social. Também entendemos que cada público habita um canal diferente: por isso, optamos por entregar da nota formal para a imprensa ao vídeo de curta duração e linguagem simples nas redes sociais.
A comunicação pública passa por constantes transformações com o avanço das tecnologias digitais. Como a Semil está se adaptando a esse novo cenário?
Depois de intensas transformações, entendemos que não basta estar no digital; é preciso respirar a sua lógica. Isso se traduz em agilidade como norma, respondendo com velocidade às demandas de imprensa e, quando necessário, combatendo a desinformação em tempo hábil. Buscamos a conversa, não só o discurso, tentando ouvir mais, monitorar e interagir de verdade, transformando nosso espaço em uma praça de diálogo.
Também produzimos conteúdo que flui, como pílulas de informação e vídeos curtos, para que sejam facilmente compreendidos e compartilhados. Temos uma coordenadora apenas para nossa área digital, a Larissa Britos, e ela tem dado cada vez mais força às nossas redes e as transformou em um termômetro valioso da percepção pública, nos permitindo ajustar a rota e esclarecer pontos de dúvida.
Qual conselho você daria para quem está começando a trabalhar com comunicação pública e quer seguir carreira nessa área?
Meu conselho é duplo: alimente a curiosidade técnica, mas nunca se esqueça da humildade social. É fundamental mergulhar no universo público, estudando como o Estado funciona, entendendo o máximo possível sobre orçamento e políticas públicas, pois esse conhecimento é a base que dará profundidade ao seu trabalho. Desenvolva a arte de ouvir, pois a comunicação pública não é um palco para o ego, é um serviço para o cidadão. Também é preciso estar atento às ruas, às comunidades virtuais e às demandas dos mais diversos territórios que compõe nosso Estado e, claro, à política.
Por fim, acima de tudo, tenha a ética como bússola, pois você lida com o que é de todos. A credibilidade é seu maior patrimônio – frágil como um cristal e preciosa como um diamante. Acompanhar e observar os debates públicos também é essencial para contribuir de forma relevante, com isto você consegue compreender se um tema debatido do outro lado do país pode ser usado como positivo pela sua secretaria.
O que você gosta de fazer para relaxar depois de um dia intenso na secretaria?
Como um bom romântico que se preze, meu porto seguro é ao lado da minha esposa. É com ela que encontro o meu off, o ponto de fuga que me liberta do estresse da rotina. Ainda que trabalhemos na mesma área, ela tem o dom de me levar para outros universos. Também sou um bom leitor, ainda que não consiga manter o ritmo de leitura que tinha quando mais jovem, aprendi a extrair até o último fóton de luz do meu Kindle. Outra coisa que me distrai, me leva a outro mundo é a sétima arte, por isso sempre que posso me rendo a um bom filme; de preferência produções que não se enquadram no circuito comercial e sem a correria dos filmes de Hollywood.
Você tem algum hobby ou atividade que te ajuda a equilibrar a correria do trabalho?
Sou um eclético de coração: adoro uma boa leitura, uma partida de xadrez, um filme cativante, uma conversa que rende, mergulhar em temas de política e, não menos importante, a arte de escrever. Há quase vinte anos tento tirar do papel a ideia de um livro, um projeto que carrego comigo e que o tempo; o senhor dos destinos, nunca me deixa continuar por falta de tempo. Como um produto genuíno do século XX, também sou apaixonado pela cultura de massa, como uma boa partida de videogame com meus sobrinhos.
Se não trabalhasse com comunicação, em que área você imagina que atuaria?
São mais de duas décadas respirando comunicação, então é difícil me enxergar fora desse universo. Mas, se a vida tivesse dado outra volta, creio que meu coração me levaria para o terceiro setor, em alguma instituição de caridade. Ainda há em mim um vácuo, uma vontade de ajudar o próximo de uma forma ainda mais direta, que espero um dia poder preencher.
Qual é o lugar dos sonhos para viajar e desconectar da rotina?
Meu lugar dos sonhos é qualquer um onde o céu esteja limpo o suficiente para eu apontar um telescópio e perder-me entre as estrelas. Amo São Paulo, mas às vezes a alma pede uma despressurização. Encontro uma paz rara quando viajo com minha esposa para as cidades do Vale do Café, no Rio de Janeiro. A tranquilidade de lá é um bálsamo para a nossa correria paulistana.
Qual é uma conquista pessoal da qual você se orgulha muito – dentro ou fora do trabalho?
Tenho orgulho de não ter uma só conquista, mas um conjunto. O que mais me aquece o coração é o capital de relações que construí ao longo da vida – com colegas, jornalistas e tantas outras pessoas. E me enobrece profundamente ter participado e estimulado transformações positivas no meu caminho. Nosso mundo profissional é um oceano pequeno, do tamanho da antena parabolicamará, parafraseando a música do Gilberto Gil. Confesso que sempre sinto uma alegria genuína em reencontrar pessoas e perceber que não deixei marcas negativas. Claro, há exceções à regra (risos). Mas, no fim do dia, o maior orgulho é saber que todos os lugares que ocupei, e o que hoje ocupo, foram conquistados na em uma disputa livre, simples frutos de um diagnóstico das minhas capacidades e nada mais.