{"id":1731,"date":"2018-08-15T16:42:36","date_gmt":"2018-08-15T19:42:36","guid":{"rendered":"https:\/\/semil.sp.gov.br\/ambientenet\/?p=1731"},"modified":"2018-08-15T16:45:13","modified_gmt":"2018-08-15T19:45:13","slug":"alternativas-para-conservacao-da-biodiversidade-no-segundo-dia-do-epbio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/semil.sp.gov.br\/ambientenet\/2018\/08\/alternativas-para-conservacao-da-biodiversidade-no-segundo-dia-do-epbio\/","title":{"rendered":"Alternativas para conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade no segundo dia do EPBio"},"content":{"rendered":"<p>O segundo dia do EPBio, realizado na quinta-feira, 9 de agosto, teve in\u00edcio com uma palestra sobre Uso sustent\u00e1vel da vegeta\u00e7\u00e3o como estrat\u00e9gia para conserva\u00e7\u00e3o dos recursos naturais. Antes a vegeta\u00e7\u00e3o era um obst\u00e1culo ao desenvolvimento econ\u00f4mico, o que criava s\u00e9rios embates com os ambientalistas. A solu\u00e7\u00e3o encontrada \u00e9 usar a vegeta\u00e7\u00e3o de maneira estrat\u00e9gica para garantir sua conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Renato Nunes, do Centro de Desenvolvimento Tecnol\u00f3gico (CDT\/CBRN\/SMA), prop\u00f5e uma nova regulamenta\u00e7\u00e3o sobre explora\u00e7\u00e3o de vegeta\u00e7\u00e3o nativa no Estado de S\u00e3o Paulo, com delimita\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o nativa no Cadastro Ambiental Rural (CAR); cria\u00e7\u00e3o da \u00c1rea de Uso Alternativo do Solo (AUAS); delimita\u00e7\u00e3o da \u00c1rea de Reflorestamento; menos burocracia para plantio e explora\u00e7\u00e3o; recomposi\u00e7\u00e3o da Reserva Legal com retorno financeiro; maior seguran\u00e7a jur\u00eddica para o desenvolvimento das atividades tradicionais sustent\u00e1veis por povos e comunidades tradicionais e pequenos produtores, transi\u00e7\u00e3o para uma agricultura sustent\u00e1vel (Protocolo de Transi\u00e7\u00e3o Agroecol\u00f3gica), fortalecimento da cultura da diversidade (biol\u00f3gica e cultural); est\u00edmulo ao plantio e a regenera\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o nativa em pequenas e grandes propriedades com diferentes estrat\u00e9gias; integra\u00e7\u00e3o da agroecologia, uso da vegeta\u00e7\u00e3o nativa e de atividades tradicionais na forma\u00e7\u00e3o dos extensionistas; promo\u00e7\u00e3o da Seguran\u00e7a e Soberania Alimentar e Nutricional; e resili\u00eancia \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-large wp-image-1724\" src=\"https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/ambientenet\/2018\/08\/img_6106-1024x720.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"720\" srcset=\"https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/ambientenet\/2018\/08\/img_6106-1024x720.jpg 1024w, https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/ambientenet\/2018\/08\/img_6106-235x164.jpg 235w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/p>\n<p><strong>Uso sustent\u00e1vel<\/strong><\/p>\n<p>O uso sustent\u00e1vel da biodiversidade \u00e9 apontado como a resposta para conservar a vegeta\u00e7\u00e3o e se beneficiar os servi\u00e7os ambientais. O professor Tiago Francoy, da USP, chamou a aten\u00e7\u00e3o para o fato de que a destrui\u00e7\u00e3o do meio ambiente p\u00f5e em risco de extin\u00e7\u00e3o plantas, animais e pessoas. E os custos dessas perdas s\u00e3o alt\u00edssimos, ultrapassa a casa de bilh\u00f5es de d\u00f3lares por ano. Neste contexto, o que mais chama a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 a poliniza\u00e7\u00e3o com as abelhas. Estima-se que 73% das esp\u00e9cies vegetais cultivadas no planeta sejam polinizadas por abelhas, 19% por moscas, 6,5% por morcegos, 5% por vespas, 5% por besouros, 4% por p\u00e1ssaros e 4% por borboletas e mariposas.<\/p>\n<p>Francoy explica que os benef\u00edcios da poliniza\u00e7\u00e3o se traduzem em frutos maiores e mais pesados, maior reserva nutricional das sementes, amadurecimento mais uniforme, maior quantidade de frutos e sementes produzidos, aumento do teor de \u00f3leo em sementes, aumento do poder germinativo das sementes e aumento da variabilidade gen\u00e9tica das popula\u00e7\u00f5es. E as abelhas s\u00e3o as maiores respons\u00e1veis por isso.<\/p>\n<p>Ainda segundo informa\u00e7\u00f5es do professor, estima-se que o Brasil abrigue cerca de tr\u00eas mil esp\u00e9cies de abelhas. E o estado de S\u00e3o Paulo mil delas, sendo conhecidas 729 esp\u00e9cies desses polinizadores. O destaque \u00e9 para a Tribo Meliponini, abelhas sem ferr\u00e3o, com cerca de 350 esp\u00e9cies em territ\u00f3rio nacional e respons\u00e1vel por at\u00e9 90% da poliniza\u00e7\u00e3o de plantas e flores. \u201c\u00c9 urgente e necess\u00e1rio um marco regulat\u00f3rio da meliponicultura para o estado paulista\u201d, refor\u00e7ou.<\/p>\n<p><strong>Alternativas competitivas<\/strong><\/p>\n<p>Helena Carrascosa, coordenadora do Programa Nascentes, apresentou outro projeto, o Florestas Plantadas Multifuncionais, que tem plantio de mudas ou semeadura, em que as \u00e1rvores plantadas constituem mais de 50% dos indiv\u00edduos maduros.<\/p>\n<p>De acordo com Helena, a floresta plantada pode e deve ser usada como alternativa econ\u00f4mica, para recompor reserva legal e para servi\u00e7os ecossist\u00eamicos. \u201cA floresta precisa ser desejada e pode ter diversos usos. Queremos que as pessoas usem a biodiversidade para ter biodiversidade\u201d.<\/p>\n<p>\u00c1reas com voca\u00e7\u00e3o florestal que foram desmatadas, pastagem de baixa produtividade, regi\u00f5es com baixos indicadores socioecon\u00f4micos e \u00e1reas n\u00e3o mecaniz\u00e1veis com cana-de-a\u00e7\u00facar podem ser convertidas em floresta multifuncionais. Com isso, o resultado esperado \u00e9 a restaura\u00e7\u00e3o de 300 mil hectares de vegeta\u00e7\u00e3o nativa, a gera\u00e7\u00e3o de 104 mil postos de trabalho em atividades de restaura\u00e7\u00e3o, redu\u00e7\u00e3o da eros\u00e3o e assoreamento, evitando a perda de at\u00e9 cinco milh\u00f5es de toneladas de solo por ano, 60 milh\u00f5es de toneladas de carbono sequestrada em 25 anos e taxa interna de retorno m\u00e9dia de 14,37%.<\/p>\n<p><strong>Sociobiodiversidade e agroecologia<\/strong><\/p>\n<p>A \u00faltima mesa debateu a Sociobiodiversidade \u2013 o papel das comunidades tradicionais da agricultura familiar, da agroecologia e da agricultura urbana para conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade, a promo\u00e7\u00e3o da agrobiodiversidade, o fortalecimento da soberania e seguran\u00e7a alimentar para o resgate das culturas alimentares.<\/p>\n<p>Tr\u00eas moradores de comunidades tradicionais foram convidados para contar sobre sua viv\u00eancia. Ana Carolina Santana Barbosa, do F\u00f3rum de Comunidades Tradicionais Ind\u00edgenas, Quilombolas e Cai\u00e7aras de Angra dos Reis, Paraty e Ubatuba (FTC), Marcos dos Santos Tup\u00e3 (FTC e Comiss\u00e3o Guarani Yvyrup\u00e1) e Antonio Benedito Jorge (Comunidade Quilombola Pedro Cubas). Os relatos apontam a necessidade de falar de pol\u00edticas p\u00fablicas para as comunidades tradicionais para que n\u00e3o sejam criminalizadas e nem sejam v\u00edtimas de interesses imobili\u00e1rios e n\u00e1uticos, por exemplo, resolver a quest\u00e3o da territorialidade dessas comunidades e maior entendimento sobre a cultura desses povos.<\/p>\n<p><strong>Bons resultados<\/strong><\/p>\n<p>Neide Ara\u00fajo, respons\u00e1vel pela Unidade de Subprojetos Ambientais do Programa de Desenvolvimento Rural Sustent\u00e1vel (PDRS), apresentou os resultados da implanta\u00e7\u00e3o de Sistemas Agroflorestais (SAF) no estado paulista: 607 fam\u00edlias em 600 hectares. \u201cQuer\u00edamos atividades produtivas sustent\u00e1veis, a ruptura dos paradigmas da agricultura tradicional, da monocultura, com uso intensivo de recursos e agroqu\u00edmicos. E quer\u00edamos ganhos ambientais e sociais\u201d, explicou.<\/p>\n<p>A gera\u00e7\u00e3o de trabalho e renda, o est\u00edmulo \u00e0 participa\u00e7\u00e3o dos jovens no campo, o fortalecimento da equipe CBRN (linguagem e metodologia para agricultor familiar, gest\u00e3o, SAF) e de parcerias e o incentivo a regulamenta\u00e7\u00e3o foram alguns dos resultados alcan\u00e7ados com a implanta\u00e7\u00e3o do projeto.<\/p>\n<p>O encerramento do d\u00e9cimo EPBio foi regado a m\u00fasica. A cantora, instrumentista e pesquisadora da m\u00fasica tradicional brasileira Renata Mattar contou um pouco da hist\u00f3ria das can\u00e7\u00f5es tradicionais criadas por trabalhadores rurais que cantam durante o trabalho, como a bata do feij\u00e3o e do milho, por exemplo, e de diversos lugares do Brasil. A ideia, segundo ela, \u00e9 manter viva a tradi\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de ser um reconhecimento dessa cultura e de suas comunidades.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-large wp-image-1725\" src=\"https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/ambientenet\/2018\/08\/img_6151-1024x720.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"720\" srcset=\"https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/ambientenet\/2018\/08\/img_6151-1024x720.jpg 1024w, https:\/\/smastr16.blob.core.windows.net\/ambientenet\/2018\/08\/img_6151-235x164.jpg 235w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/p>\n<p>Texto: Luciana Reis<br \/>\nFotos: Jos\u00e9 Jorge\/Pedro Calado\/Dirceu Rodrigues<br \/>\nRevis\u00e3o: Cris Leite<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O segundo dia do EPBio, realizado na quinta-feira, 9 de agosto, teve in\u00edcio com uma palestra sobre Uso sustent\u00e1vel da vegeta\u00e7\u00e3o como estrat\u00e9gia para conserva\u00e7\u00e3o dos recursos naturais. 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