{"id":6291,"date":"2025-02-21T14:29:45","date_gmt":"2025-02-21T17:29:45","guid":{"rendered":"https:\/\/semil.sp.gov.br\/ambientenet\/?p=6291"},"modified":"2025-02-21T17:38:06","modified_gmt":"2025-02-21T20:38:06","slug":"liliane-milanelo-28-anos-de-amor-e-trabalho-pela-vida-silvestre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/semil.sp.gov.br\/ambientenet\/2025\/02\/liliane-milanelo-28-anos-de-amor-e-trabalho-pela-vida-silvestre\/","title":{"rendered":"Liliane Milanelo: 28 anos de amor e trabalho pela vida silvestre"},"content":{"rendered":"<p>M\u00e9dica veterin\u00e1ria com 28 anos dedicados \u00e0 prote\u00e7\u00e3o de animais silvestres, Liliane Milanelo, \u00e9 diretora do Centro de Conserva\u00e7\u00e3o Integrado que engloba os Centros de Triagem estaduais: SP , Registro e futuramente Presidente Prudente. Coordeno tamb\u00e9m o Centro de Conserva\u00e7\u00e3o Integrado da Fauna Silvestre que engloba o Cecfau em Ara\u00e7oiaba da Serra. coordena desde o resgate de v\u00edtimas de tr\u00e1fico at\u00e9 a reinser\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies amea\u00e7adas na natureza. Sua trajet\u00f3ria come\u00e7ou com um est\u00e1gio volunt\u00e1rio em 1995, transformando-se em uma miss\u00e3o de vida. Ativista, entre seus maiores desafios est\u00e1 combater a mentalidade de que animais silvestres s\u00e3o pets.<\/p>\n<p>Fora do trabalho, Liliane \u00e9 uma gateira apaixonada por seus quatro felinos resgatados, devora livros hist\u00f3ricos e desafia-se nas corridas de rua. M\u00e3e de uma estudante de psicologia, valoriza os domingos em fam\u00edlia, onde hist\u00f3rias de bichos se misturam ao riso de parentes.<\/p>\n<p>Sua filosofia \u00e9 clara: &#8220;Cuidar da vida exige persist\u00eancia, mas cada animal livre \u00e9 uma vit\u00f3ria da natureza sobre a indiferen\u00e7a humana.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Curta Semil: Como come\u00e7ou sua trajet\u00f3ria no Cetras?<\/strong><\/p>\n<p><em>Liliane Milanelo: Durante meu est\u00e1gio curricular em 1995, o Cetras passava por uma crise: a empresa terceirizada que administrava o centro teve o contrato encerrado. Fiquei horrorizada ao pensar que os animais ficariam desassistidos. Na \u00e9poca, eu cuidava de filhotes \u00f3rf\u00e3os, auxiliava em tratamentos emergenciais e at\u00e9 ajudava na limpeza das instala\u00e7\u00f5es. Por iniciativa pr\u00f3pria, estendi meu est\u00e1gio por mais um m\u00eas e, em 1996, fui contratada como veterin\u00e1ria fixa. \u00c9 ir\u00f4nico: anos antes, minha irm\u00e3 bi\u00f3loga me levou para conhecer o Cetras quando eu era crian\u00e7a. Naquela visita, vi filhotes de papagaio sendo cuidados e pensei: \u2018Que lugar incr\u00edvel!\u2019. Hoje, sou respons\u00e1vel por ele.<\/em><\/p>\n<p><strong>\u00a0Qual sua fun\u00e7\u00e3o atual?<\/strong><\/p>\n<p><em>Ap\u00f3s a reestrutura\u00e7\u00e3o da Semil, assumi a dire\u00e7\u00e3o do Centro de Triagem e coordeno o Centro de Conserva\u00e7\u00e3o de Fauna Integrada, que engloba unidades em Ara\u00e7oiaba da Serra e Presidente Prudente. Meu trabalho envolve desde a recep\u00e7\u00e3o de animais resgatados (v\u00edtimas de tr\u00e1fico, atropelamentos ou orfandade) at\u00e9 a organiza\u00e7\u00e3o de solturas em habitats adequados. Tamb\u00e9m supervisiono projetos de reprodu\u00e7\u00e3o em cativeiro para esp\u00e9cies amea\u00e7adas, como araras e micos-le\u00f5es-pretos.<\/em><\/p>\n<p><strong>Como \u00e9 o dia a dia no Centro de Triagem?<\/strong><\/p>\n<p><em>Antes, era mais \u2018m\u00e3o na massa\u2019: alimentava filhotes de tucano, fazia curativos e cirurgias em quati atropelado e at\u00e9 levava os animais para \u00e1reas de soltura. Hoje, coordeno uma equipe de 60 pessoas e lido com burocracias, como contratos para exames veterin\u00e1rios, relat\u00f3rios e parcerias com universidades. Mas ainda participo de casos cr\u00edticos, como o resgate recente de quatro filhotes de saimiri (macacos da Amaz\u00f4nia) encontrados em um carro vindo do Par\u00e1 , ainda com cord\u00e3o umbilical.<\/em><\/p>\n<p><strong>Qual o maior desafio em 28 anos de carreira?<\/strong><\/p>\n<p><em>Combater a cultura de que animais silvestres s\u00e3o \u2018adornos\u2019. J\u00e1 vi pessoas manterem jaguatiricas em apartamentos e papagaios em gaiolas min\u00fasculas. Participo de palestras em escolas para explicar que esses animais sofrem em cativeiro. <\/em><\/p>\n<p><strong>Conte um momento que a marcou profundamente.<\/strong><\/p>\n<p><em>Em 2017, durante o surto de febre amarela, recebemos 10 macacos-pregos filhotes em caixas de feira empilhadas. Eles estavam desidratados, caqu\u00e9ticos, com traumas psicol\u00f3gicos por ficarem naquela caixa havia meses. O traficante n\u00e3o conseguiu vend\u00ea-los porque as pessoas temiam a doen\u00e7a. Passamos semanas reabilitando-os: hidrata\u00e7\u00e3o, alimenta\u00e7\u00e3o com seringa e at\u00e9 \u2018aulas\u2019 para subir em \u00e1rvores. Quando os soltamos em uma reserva, um deles olhou para tr\u00e1s antes de desaparecer na mata. Todos se recuperaram e o comportamento ativo e saud\u00e1vel e com liberdade foi muito gratificante!<\/em><\/p>\n<p><strong>E os dias que compensam tudo?<\/strong><\/p>\n<p><em>Em 2022, soltamos 400 animais em uma \u00fanica opera\u00e7\u00e3o: desde can\u00e1rios da terra at\u00e9 araras. Ver um bicho retomar sua liberdade \u00e9 indescrit\u00edvel. Recentemente, um casal de araras-canind\u00e9, que passou anos em cativeiro, foi solto e meses depois avistamos seus filhotes voando. Isso prova que nosso trabalho vai al\u00e9m do resgate: \u00e9 sobre reconstruir ecossistemas.<\/em><\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea \u00e9 mesmo uma \u2018carnavalesca\u2019, como dizem?<\/strong><\/p>\n<p><em>O Anderson inventou essa hist\u00f3ria! (brinca). Sa\u00ed em bloquinho uma vez na vida, mas odiei a multid\u00e3o. Prefiro viajar para a praia com meu marido ou levar meus sobrinhos a bloquinhos infantis, onde posso fantasiar de \u2018Doutora dos Bichos\u2019 e distribuir adesivos de animais silvestres. Carnaval \u00e9 caos; eu gosto \u00e9 de sossego!<\/em><\/p>\n<p><strong>O que faz nas horas livres?<\/strong><\/p>\n<p><em>Tenho quatro gatos: Sings, Pitu, Mocot\u00f3 e Docinho. Todos resgatados de situa\u00e7\u00f5es de abandono. Para relaxar, leio literatura, os contos s\u00e3o os que mais gosto. Como minha casa j\u00e1 parece uma biblioteca, adotei um Kindle, mas confesso: nada substitui o cheiro de livro novo. Recentemente, comecei a correr.<\/em><\/p>\n<p><strong>E a fam\u00edlia?<\/strong><\/p>\n<p><em>Sou casada h\u00e1 25 anos com um arquiteto que adora fotografar &#8211; ele \u00e9 meu \u2018fot\u00f3grafo oficial\u2019. Tenho uma filha de 22 anos, Nuria, que estuda psicologia. Brinco que ela vai me analisar um dia! Meus pais, um marceneiro e uma dona de casa, me ensinaram o valor do trabalho coletivo. Aos domingos, nossa fam\u00edlia se re\u00fane para almo\u00e7ar. S\u00e3o 15 pessoas, tr\u00eas cachorros e muita hist\u00f3ria para contar.<\/em><\/p>\n<p><strong>Reflex\u00f5es e conselhos: O que mudou nos \u00faltimos anos na Semil?<\/strong><\/p>\n<p><em>Ganhamos reconhecimento como institui\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica para a preserva\u00e7\u00e3o ambiental. Conseguimos verbas para ampliar o centro e contratar especialistas em fauna. Antes, depend\u00edamos contratos muito enxutos para comprar ra\u00e7\u00e3o; hoje, temos parcerias com universidades para pesquisas gen\u00e9ticas.<\/em><\/p>\n<p><strong>Um conselho para quem quer seguir sua \u00e1rea?<\/strong><\/p>\n<p><em>Seja resiliente. Voc\u00ea ver\u00e1 animais morrendo, burocracias intermin\u00e1veis e pessoas que n\u00e3o entendem seu trabalho. Mas tamb\u00e9m ver\u00e1 filhotes sobrevivendo contra todas as probabilidades e ecossistemas se regenerando. Estude muito &#8211; biologia, legisla\u00e7\u00e3o ambiental, at\u00e9 comunica\u00e7\u00e3o para engajar a sociedade. E nunca perca a sensibilidade: por tr\u00e1s de cada bicho, h\u00e1 uma hist\u00f3ria que merece ser respeitada.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre resgates dram\u00e1ticos, burocracias e solturas triunfais, sua jornada transforma indiferen\u00e7a em legado para a natureza<\/p>\n","protected":false},"author":53,"featured_media":6292,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[4,11],"tags":[449,337,352,448],"class_list":["post-6291","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque-home","category-noticias","tag-cetras","tag-curta-semil","tag-entrevista","tag-liliane-milanelo"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/semil.sp.gov.br\/ambientenet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6291","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/semil.sp.gov.br\/ambientenet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/semil.sp.gov.br\/ambientenet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/semil.sp.gov.br\/ambientenet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/53"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/semil.sp.gov.br\/ambientenet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6291"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/semil.sp.gov.br\/ambientenet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6291\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6325,"href":"https:\/\/semil.sp.gov.br\/ambientenet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6291\/revisions\/6325"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/semil.sp.gov.br\/ambientenet\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6292"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/semil.sp.gov.br\/ambientenet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6291"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/semil.sp.gov.br\/ambientenet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6291"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/semil.sp.gov.br\/ambientenet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6291"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}