{"id":8702,"date":"2026-04-17T13:37:33","date_gmt":"2026-04-17T16:37:33","guid":{"rendered":"https:\/\/semil.sp.gov.br\/ambientenet\/?p=8702"},"modified":"2026-04-17T13:37:33","modified_gmt":"2026-04-17T16:37:33","slug":"com-estrategia-e-sensibilidade-ela-faz-parte-da-construcao-de-politicas-de-bem-estar-animal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/semil.sp.gov.br\/ambientenet\/2026\/04\/com-estrategia-e-sensibilidade-ela-faz-parte-da-construcao-de-politicas-de-bem-estar-animal\/","title":{"rendered":"Com estrat\u00e9gia e sensibilidade, ela faz parte da constru\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas de bem-estar animal"},"content":{"rendered":"<p>Na Semil, o cuidado com os animais vai muito al\u00e9m das a\u00e7\u00f5es vis\u00edveis, como cl\u00ednicas veterin\u00e1rias e campanhas de castra\u00e7\u00e3o. Por tr\u00e1s dessas entregas, existe um trabalho t\u00e9cnico e estrat\u00e9gico que organiza prioridades, estrutura programas e conecta diferentes atores para que as pol\u00edticas p\u00fablicas cheguem, de fato, \u00e0 popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse cen\u00e1rio que atua Karen Camargo, respons\u00e1vel pela coordena\u00e7\u00e3o do planejamento estrat\u00e9gico e operacional de programas estaduais de bem-estar animal. Sua rotina envolve desde a defini\u00e7\u00e3o de indicadores e fluxos de decis\u00e3o at\u00e9 a articula\u00e7\u00e3o com munic\u00edpios, parlamentares e institui\u00e7\u00f5es parceiras.<\/p>\n<p>Em um trabalho que exige vis\u00e3o sist\u00eamica, capacidade de di\u00e1logo e foco em resultados, Karen acompanha de perto os desafios de transformar diretrizes em a\u00e7\u00f5es concretas &#8211; sempre com o objetivo de gerar valor p\u00fablico e ampliar o alcance das pol\u00edticas de prote\u00e7\u00e3o animal.<br \/>\nNesta entrevista, ela fala sobre os bastidores dessa atua\u00e7\u00e3o, os desafios da gest\u00e3o e o que a motiva a seguir trabalhando pela causa.<\/p>\n<p><strong>Curta Semil:<\/strong>\u00a0<strong>Como voc\u00ea explicaria o seu trabalho para algu\u00e9m que n\u00e3o conhece a \u00e1rea de planejamento dentro do bem-estar animal?<\/strong><\/p>\n<p><em>Karen Camargo:<\/em><em>\u00a0Eu diria que o meu trabalho \u00e9, antes de tudo, um esfor\u00e7o de organiza\u00e7\u00e3o do cuidado. Um cuidado que o Estado escolhe oferecer aos animais, especialmente c\u00e3es e gatos, e que precisa ganhar forma, dire\u00e7\u00e3o e perman\u00eancia.<\/em><em><br \/>\nEsse cuidado se manifesta em a\u00e7\u00f5es concretas: campanhas de castra\u00e7\u00e3o, vacina\u00e7\u00e3o, microchipagem, a cria\u00e7\u00e3o de cl\u00ednicas e consult\u00f3rios veterin\u00e1rios que acolhem, gratuitamente, quem muitas vezes n\u00e3o teria outra alternativa. S\u00e3o pol\u00edticas que, \u00e0 primeira vista, podem parecer pontuais, mas que, na verdade, se conectam como pe\u00e7as de um mesmo desenho.<br \/>\nQuando um animal \u00e9 castrado, por exemplo, n\u00e3o \u00e9 apenas um procedimento isolado; \u00e9 um gesto que reverbera. Ele ajuda a conter o crescimento desordenado da popula\u00e7\u00e3o, reduz o abandono, suaviza uma cadeia de problemas que afeta tanto os animais quanto as cidades. E, no fim, tudo converge para algo maior, quase silencioso: a constru\u00e7\u00e3o de uma vida mais digna, mais equilibrada &#8211; para eles e para n\u00f3s.<\/em><\/p>\n<p><strong>Trabalhar com essa tem\u00e1tica mudou sua forma de ver o meio ambiente e a sociedade?<\/strong><\/p>\n<p><em>Sem d\u00favida. Voc\u00ea passa a ter um olhar mais atento para as rela\u00e7\u00f5es entre as pessoas, os animais e o territ\u00f3rio. Percebe como essas quest\u00f5es est\u00e3o interligadas e como pol\u00edticas bem estruturadas podem fazer diferen\u00e7a no dia a dia. Tamb\u00e9m refor\u00e7a a import\u00e2ncia da conscientiza\u00e7\u00e3o e da participa\u00e7\u00e3o da sociedade.<\/em><\/p>\n<p><strong>E quando olhamos para fora, para os munic\u00edpios, essa pol\u00edtica ganha outras camadas. A Diretoria de Bem-Estar Animal mant\u00e9m uma rela\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima com as prefeituras para que as a\u00e7\u00f5es avancem. Como se constr\u00f3i esse di\u00e1logo? Onde est\u00e3o os maiores desafios?<\/strong><\/p>\n<p><em>O trabalho com os munic\u00edpios \u00e9, talvez, onde tudo se torna mais real e mais complexo. O Estado n\u00e3o atua sozinho; ele apoia, orienta, compartilha caminhos. \u00c0s vezes com recursos, outras vezes com conhecimento, mas sempre com a inten\u00e7\u00e3o de caminhar junto.<\/em><\/p>\n<p><em>E caminhar junto, nesse caso, significa lidar com uma diversidade imensa. S\u00e3o cidades com ritmos, tamanhos e urg\u00eancias muito diferentes entre si. H\u00e1 munic\u00edpios que ainda n\u00e3o conseguem sequer mensurar a pr\u00f3pria realidade, n\u00e3o sabem quantos animais vivem nas ruas, quantos j\u00e1 foram atendidos, quais s\u00e3o suas maiores lacunas.<\/em><\/p>\n<p><em>Ent\u00e3o, nosso papel come\u00e7a pela escuta. \u00c9 preciso se aproximar, compreender, quase traduzir essas necessidades. E, a partir da\u00ed, construir solu\u00e7\u00f5es poss\u00edveis, adaptadas \u00e0quilo que cada lugar pode sustentar.<\/em><\/p>\n<p><strong>Na sua percep\u00e7\u00e3o, como profissional e como algu\u00e9m envolvida com a causa, o que tem dado certo?<\/strong><\/p>\n<p><em>O acesso. Sem d\u00favida, o acesso. Hoje, ver consult\u00f3rios sendo instalados em diferentes regi\u00f5es, cl\u00ednicas come\u00e7ando a funcionar \u00e9 perceber uma mudan\u00e7a concreta na vida das pessoas. Estamos falando de um servi\u00e7o que, historicamente, sempre foi caro, distante de grande parte da popula\u00e7\u00e3o.<\/em><em><br \/>\nE quando esse cuidado se torna poss\u00edvel, quando algu\u00e9m consegue levar seu animal para ser atendido sem precisar escolher entre isso e outras necessidades b\u00e1sicas, algo muda. N\u00e3o \u00e9 apenas sobre sa\u00fade animal &#8211; \u00e9 sobre dignidade, sobre v\u00ednculo, sobre pertencimento. E isso tem um impacto profundo, ainda que nem sempre mensur\u00e1vel em n\u00fameros.<\/em><\/p>\n<p><strong>O que te move a permanecer no setor p\u00fablico, construindo esse tipo de pol\u00edtica?<\/strong><\/p>\n<p><em>A materialidade do impacto. O momento em que aquilo que era planejamento ganha rosto, voz, hist\u00f3ria. Quando participamos da entrega de uma cl\u00ednica, de um consult\u00f3rio, e vemos as pessoas chegando, agradecendo, contando o que aquilo representa &#8211; \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o se afetar. Existe uma dimens\u00e3o muito humana nesse retorno, algo que escapa aos relat\u00f3rios, mas que sustenta o trabalho.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00c9 quando voc\u00ea percebe que aquilo que foi pensado, discutido, estruturado, de fato chegou. E chegou fazendo diferen\u00e7a. Isso emociona &#8211; e, de certa forma, orienta tudo o que vem depois.<\/em><\/p>\n<p><strong>E antes de tudo isso, houve um come\u00e7o. Como o setor p\u00fablico entrou na sua vida?<\/strong><\/p>\n<p><em>De maneira quase silenciosa. Eu sou bi\u00f3loga; minha trajet\u00f3ria come\u00e7ou na \u00e1rea da sa\u00fade, dentro de laborat\u00f3rios, trabalhando com an\u00e1lises cl\u00ednicas por muitos anos.<\/em><\/p>\n<p><em>Mas houve um momento de inflex\u00e3o &#8211; uma vontade de sair daquele espa\u00e7o mais fechado, de entender outras formas de atua\u00e7\u00e3o. Foi quando surgiu a oportunidade de um contrato tempor\u00e1rio na Secretaria da Sa\u00fade. N\u00e3o era definitivo, n\u00e3o era um plano estruturado. Era, talvez, uma abertura.<\/em><\/p>\n<p><em>E essa abertura acabou se transformando em caminho. Vieram outros convites, outras fun\u00e7\u00f5es, at\u00e9 que, com a cria\u00e7\u00e3o da \u00e1rea voltada \u00e0 sa\u00fade animal, eu fui chamada a integrar esse novo espa\u00e7o. E ali algo fez sentido de forma imediata. Porque, no fundo, essa escolha j\u00e1 estava em mim h\u00e1 muito tempo.<\/em><\/p>\n<p><strong>Esse v\u00ednculo com os animais vem de onde?<\/strong><\/p>\n<p><em>Desde sempre. Foi, inclusive, o que me levou \u00e0 biologia. Havia, na inf\u00e2ncia, uma ideia quase rom\u00e2ntica de trabalhar com animais silvestres &#8211; um sonho comum, eu diria. Mas a vida tem suas pr\u00f3prias rotas. E, de alguma forma, fui conduzida at\u00e9 os c\u00e3es e gatos. Hoje, olho para isso e entendo que n\u00e3o houve perda &#8211; apenas transforma\u00e7\u00e3o. O afeto permaneceu, s\u00f3 mudou de forma.<\/em><\/p>\n<p><strong>E na sua vida cotidiana, fora do trabalho, o que te faz bem?<\/strong><\/p>\n<p><em>A simplicidade. A casa, a fam\u00edlia, o tempo desacelerado. Gosto de estar com meu marido, com meus dois c\u00e3es, compartilhando pequenos rituais &#8211; um filme, uma ta\u00e7a de vinho, o sil\u00eancio confort\u00e1vel de quem n\u00e3o precisa de muito. E gosto de viajar. Recentemente, voltei a um lugar que guardava desde a inf\u00e2ncia: uma fazenda no interior do Rio Grande do Sul, onde minha fam\u00edlia se reunia todos os anos.<\/em><\/p>\n<p><em>Foi uma viagem diferente. N\u00e3o apenas geogr\u00e1fica, mas afetiva. Muitas das pessoas que preenchiam aquele espa\u00e7o j\u00e1 n\u00e3o est\u00e3o mais aqui. E, ainda assim, havia algo ali, uma mem\u00f3ria viva, quase palp\u00e1vel.<\/em><\/p>\n<p><em>Levar meu marido, que nunca tinha visto aquele cen\u00e1rio, foi como entrela\u00e7ar tempos distintos. O passado e o presente, por alguns dias, no mesmo lugar. E isso, de alguma forma, tamb\u00e9m nos reconstr\u00f3i.<\/em><\/p>\n<p><strong>Como voc\u00ea mencionou, os animais tamb\u00e9m fazem parte da sua vida pessoal &#8211; voc\u00ea tem pets?<\/strong><\/p>\n<p><em>Tenho, sim. O Pepe e a Chiara, dois vira-latinhas que chegaram \u00e0 minha vida de formas diferentes, mas igualmente especiais. Um deles eu resgatei das ruas; o outro, encontrei por meio de ado\u00e7\u00e3o. Hoje, s\u00e3o mais do que companhia \u2014 s\u00e3o parte da minha hist\u00f3ria, do meu cotidiano e, de certa forma, daquilo que tamb\u00e9m me move no trabalho.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Karen Camargo tem uma trajet\u00f3ria que come\u00e7a na biologia, atravessa o servi\u00e7o p\u00fablico e encontra, no cuidado com c\u00e3es e gatos, seu prop\u00f3sito<\/p>\n","protected":false},"author":53,"featured_media":8709,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[213,4,11],"tags":[635,352,636],"class_list":["post-8702","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ambiente-em-pauta","category-destaque-home","category-noticias","tag-bem-estar-animal","tag-entrevista","tag-karen-camargo"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/semil.sp.gov.br\/ambientenet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8702","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/semil.sp.gov.br\/ambientenet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/semil.sp.gov.br\/ambientenet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/semil.sp.gov.br\/ambientenet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/53"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/semil.sp.gov.br\/ambientenet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8702"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/semil.sp.gov.br\/ambientenet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8702\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8722,"href":"https:\/\/semil.sp.gov.br\/ambientenet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8702\/revisions\/8722"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/semil.sp.gov.br\/ambientenet\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8709"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/semil.sp.gov.br\/ambientenet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8702"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/semil.sp.gov.br\/ambientenet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8702"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/semil.sp.gov.br\/ambientenet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8702"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}