{"id":9187,"date":"2026-09-17T10:56:12","date_gmt":"2026-09-17T13:56:12","guid":{"rendered":"https:\/\/semil.sp.gov.br\/ambientenet\/?p=9187"},"modified":"2026-09-24T15:51:39","modified_gmt":"2026-09-24T18:51:39","slug":"da-infancia-cercada-por-historias-de-agua-e-natureza-a-construcao-de-politicas-publicas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/semil.sp.gov.br\/ambientenet\/2026\/09\/da-infancia-cercada-por-historias-de-agua-e-natureza-a-construcao-de-politicas-publicas\/","title":{"rendered":"Da inf\u00e2ncia cercada por hist\u00f3rias de \u00e1gua e natureza \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas"},"content":{"rendered":"<p>Antes mesmo de escolher uma profiss\u00e3o, Juliana Colla\u00e7o j\u00e1 convivia com algumas das quest\u00f5es que, anos mais tarde, fariam parte de sua trajet\u00f3ria profissional. Filha de um ge\u00f3logo e neta de um engenheiro sanitarista, cresceu no Rio Grande do Norte ouvindo conversas sobre natureza, \u00e1gua, saneamento e as condi\u00e7\u00f5es de vida nas cidades.<\/p>\n<p>Na hora de escolher uma carreira, chegou a considerar a medicina. Foi, por\u00e9m, ao ingressar no curso &#8220;Tecnologia em Saneamento Ambiental&#8221; que descobriu uma outra forma de cuidar da sa\u00fade das pessoas. \u201cEu pensava: posso cuidar da sa\u00fade das pessoas cuidando do ambiente em que elas vivem\u201d, conta.<\/p>\n<p>A escolha abriu um caminho que a levaria por diferentes cidades e \u00e1reas de atua\u00e7\u00e3o at\u00e9 S\u00e3o Paulo. Depois de experi\u00eancias com monitoramento ambiental e saneamento em Salvador, um mestrado em Campinas e o ingresso na Companhia Ambiental do Estado de S\u00e3o Paulo (Cetesb), Juliana passou pela fiscaliza\u00e7\u00e3o, pelo licenciamento e pela avalia\u00e7\u00e3o de impactos ambientais. Em 2022, assumiu um novo desafio na \u00e1rea de regula\u00e7\u00e3o do saneamento e, neste ano, chegou \u00e0 Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Log\u00edstica (Semil).<\/p>\n<p>Hoje, participa da constru\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas que chegam a munic\u00edpios de todo o Estado. A mudan\u00e7a de posi\u00e7\u00e3o, da fiscaliza\u00e7\u00e3o na ponta para a formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas, ampliou sua perspectiva sobre o trabalho, mas preservou uma convic\u00e7\u00e3o constru\u00edda ao longo de toda a trajet\u00f3ria: por tr\u00e1s de cada processo, cada indicador e cada decis\u00e3o p\u00fablica existem pessoas e hist\u00f3rias concretas.<\/p>\n<p>Essa percep\u00e7\u00e3o aparece em diferentes momentos de sua carreira. Em uma fiscaliza\u00e7\u00e3o motivada pela reclama\u00e7\u00e3o de uma fam\u00edlia sobre o ru\u00eddo de uma ind\u00fastria, por exemplo, Juliana entrou na casa de uma moradora e encontrou o marido, v\u00edtima de um derrame, acamado. Anos depois, durante uma visita a Parais\u00f3polis, voltou a enxergar de perto aquilo que os n\u00fameros do saneamento nem sempre conseguem revelar: fam\u00edlias que, mesmo com uma rede de esgoto dispon\u00edvel, n\u00e3o conseguem arcar com os custos para se conectar a ela.<\/p>\n<p>Entre experi\u00eancias profissionais, mudan\u00e7as de cidade, desafios pessoais e momentos em fam\u00edlia, Juliana conta nesta entrevista como uma hist\u00f3ria que come\u00e7ou dentro de casa acabou se transformando em uma trajet\u00f3ria dedicada ao meio ambiente, ao saneamento e ao servi\u00e7o p\u00fablico.<\/p>\n<p><strong>Curta Semil: Como foi a sua trajet\u00f3ria at\u00e9 chegar \u00e0 Semil e \u00e0 \u00e1rea de saneamento?<\/strong><br \/>\n<em>Minha trajet\u00f3ria come\u00e7ou na Cetesb. Sou concursada da companhia e, durante muitos anos, trabalhei na Diretoria de Controle e Licenciamento. Passei pelas ag\u00eancias de Limeira e Campinas, atuando com fiscaliza\u00e7\u00e3o, licenciamento ambiental e avalia\u00e7\u00e3o de impactos.<\/em><br \/>\n<em>Foi uma experi\u00eancia muito importante porque o trabalho de campo permite enxergar os problemas de perto. Voc\u00ea est\u00e1 em contato com os munic\u00edpios, com as empresas, com as comunidades e percebe como uma quest\u00e3o ambiental, que muitas vezes aparece em um processo ou em um relat\u00f3rio, pode se refletir diretamente na vida das pessoas.<\/em><br \/>\n<em>Em 2022, fui convidada para trabalhar na \u00e1rea de saneamento da ag\u00eancia reguladora de servi\u00e7os do Estado. Cheguei a um universo novo, sem experi\u00eancia anterior em regula\u00e7\u00e3o, mas levei comigo tudo o que havia aprendido no licenciamento e na fiscaliza\u00e7\u00e3o ambiental.<\/em><br \/>\n<em>E isso acabou sendo muito \u00fatil. Afinal, s\u00e3o \u00e1reas que dialogam o tempo todo. A regula\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m precisa olhar para o cumprimento de obriga\u00e7\u00f5es, para a qualidade dos servi\u00e7os e para os impactos das decis\u00f5es.<\/em><br \/>\n<em>Fiquei quatro anos na ag\u00eancia e, neste ano, fui convidada para vir para a secretaria. Foi uma transi\u00e7\u00e3o muito natural, porque, na ag\u00eancia, eu j\u00e1 acompanhava diversas pol\u00edticas p\u00fablicas relacionadas ao setor.<\/em><br \/>\n<em>Aqui, tamb\u00e9m existe uma rela\u00e7\u00e3o muito pr\u00f3xima com a Cetesb e com a ag\u00eancia reguladora. Eu j\u00e1 conhecia muitos dos interlocutores e, de certa forma, j\u00e1 tinha vivido o outro lado dessa rela\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><strong>E o que despertou seu interesse pela \u00e1rea ambiental?<\/strong><br \/>\n<em>Curiosamente, meu primeiro vestibular foi para medicina. Eu n\u00e3o passei e, para n\u00e3o ficar mais um ano fazendo cursinho, comecei o curso \u201cTecnologia em Saneamento Ambiental\u201d.<\/em><br \/>\n<em>Eu morava no Rio Grande do Norte e sempre tive uma rela\u00e7\u00e3o muito pr\u00f3xima com a natureza. Meu pai era ge\u00f3logo, ent\u00e3o cresci cercada por esse universo. A natureza fazia parte da nossa vida, das conversas e da forma como aprend\u00edamos a observar o mundo.<\/em><br \/>\n<em>Meu av\u00f4 tamb\u00e9m era engenheiro sanitarista. Ent\u00e3o, quest\u00f5es como levar \u00e1gua tratada para as pessoas, garantir o esgotamento sanit\u00e1rio e pensar na infraestrutura das cidades eram assuntos que, de alguma maneira, sempre estiveram presentes na minha casa.<\/em><br \/>\n<em>Quando comecei o curso, eu simplesmente adorei. E, aos poucos, fui entendendo que havia encontrado uma outra maneira de trabalhar pela sa\u00fade das pessoas.<\/em><br \/>\n<em>Eu pensava: posso cuidar da sa\u00fade das pessoas cuidando do ambiente em que elas vivem.<\/em><br \/>\n<em>Foi quando percebi que saneamento e meio ambiente tamb\u00e9m s\u00e3o sa\u00fade p\u00fablica. Pensar na qualidade da \u00e1gua, na salubridade dos lugares, no tratamento do esgoto e nas condi\u00e7\u00f5es em que as pessoas vivem \u00e9, tamb\u00e9m, pensar em sa\u00fade.<\/em><\/p>\n<p><strong>O que muda quando voc\u00ea sai da fiscaliza\u00e7\u00e3o e passa a atuar na formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas?<\/strong><br \/>\n<em>Muda bastante porque voc\u00ea passa a ocupar outro lugar dentro desse processo. Na Cetesb, eu trabalhava na ponta. Fiscalizava, acompanhava, identificava problemas. Voc\u00ea est\u00e1 muito pr\u00f3ximo daquilo que acontece no territ\u00f3rio e consegue perceber as dificuldades de uma forma muito concreta.<\/em><br \/>\n<em>Aqui, a perspectiva \u00e9 diferente. N\u00f3s participamos da constru\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas e dos programas que v\u00e3o orientar a\u00e7\u00f5es em todo o Estado.<\/em><br \/>\n<em>\u00c9 uma mudan\u00e7a muito significativa porque, quando voc\u00ea est\u00e1 na ponta, muitas vezes enxerga o problema, entende a sua dimens\u00e3o, mas n\u00e3o tem todos os instrumentos para agir sobre ele de forma mais ampla.<\/em><br \/>\n<em>Aqui, conseguimos olhar para o todo. Pensamos nas pol\u00edticas que v\u00e3o chegar aos munic\u00edpios, nos programas que podem orientar novas solu\u00e7\u00f5es e nos caminhos para ampliar o alcance dessas a\u00e7\u00f5es.<\/em><br \/>\n<em>Para mim, \u00e9 muito satisfat\u00f3rio estar aqui justamente por isso. A experi\u00eancia que tive anteriormente permitiu que eu conhecesse os problemas mais de perto. Agora, tenho a oportunidade de participar da constru\u00e7\u00e3o de instrumentos que podem ajudar a enfrent\u00e1-los.<\/em><\/p>\n<p><strong>Existe alguma experi\u00eancia da sua carreira que tenha mostrado, de forma muito concreta, o impacto do seu trabalho na vida das pessoas?<\/strong><br \/>\n<em>Sim. Acho que, quando trabalhamos na \u00e1rea ambiental, principalmente na fiscaliza\u00e7\u00e3o, existem momentos em que entendemos, de uma forma muito concreta, o sentido do nosso trabalho.<\/em><br \/>\n<em>Uma situa\u00e7\u00e3o que me marcou aconteceu durante uma fiscaliza\u00e7\u00e3o relacionada a uma reclama\u00e7\u00e3o sobre o ru\u00eddo de uma ind\u00fastria. A pessoa dizia que o barulho era muito intenso e que n\u00e3o conseguia dormir.<\/em><br \/>\n<em>Fui at\u00e9 o local para entender melhor a situa\u00e7\u00e3o e apurar o que estava acontecendo.<\/em><br \/>\n<em>Em determinado momento, uma senhora me levou at\u00e9 um quarto onde estava o marido dela. Ele havia sofrido um derrame e j\u00e1 n\u00e3o conseguia se levantar sozinho. Aquilo me marcou profundamente.<\/em><br \/>\n<em>At\u00e9 ent\u00e3o, eu estava ali para investigar uma reclama\u00e7\u00e3o sobre ru\u00eddo. Era uma ocorr\u00eancia, um problema ambiental que precisava ser avaliado. Mas, quando entrei naquela casa, entendi que existia uma vida inteira por tr\u00e1s daquela den\u00fancia.<\/em><br \/>\n<em>Era uma fam\u00edlia com poucas condi\u00e7\u00f5es financeiras, que n\u00e3o podia simplesmente se mudar. E aquela ind\u00fastria estava causando um transtorno em uma realidade que j\u00e1 era, por si s\u00f3, muito dif\u00edcil.<\/em><\/p>\n<p><strong>E, mais recentemente, alguma experi\u00eancia na secretaria tamb\u00e9m trouxe essa percep\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\n<em>A visita a Parais\u00f3polis me marcou bastante. Acho que, quando falamos sobre saneamento, muitas vezes pensamos nos n\u00fameros, nos \u00edndices de atendimento, nos quil\u00f4metros de rede. Tudo isso \u00e9 fundamental, mas, quando voc\u00ea vai at\u00e9 o territ\u00f3rio, esses n\u00fameros ganham uma dimens\u00e3o muito mais concreta.<\/em><br \/>\n<em>Hoje, um dos grandes desafios que ainda temos \u00e9 o esgotamento sanit\u00e1rio. O acesso \u00e0 \u00e1gua avan\u00e7ou muito, mas ainda existem pessoas convivendo diariamente com o esgoto pr\u00f3ximo de casa, com rios polu\u00eddos, mau cheiro, mosquitos e uma s\u00e9rie de situa\u00e7\u00f5es que afetam diretamente a sa\u00fade e a qualidade de vida.<\/em><br \/>\n<em>Quando fomos a Parais\u00f3polis, est\u00e1vamos acompanhando uma iniciativa relacionada \u00e0 conex\u00e3o das fam\u00edlias \u00e0 rede de esgoto. E foi muito marcante perceber que, muitas vezes, o problema n\u00e3o \u00e9 a aus\u00eancia da rede, mas a impossibilidade de uma fam\u00edlia arcar com os custos necess\u00e1rios para fazer essa conex\u00e3o.<\/em><br \/>\n<em>Quando existe o apoio do poder p\u00fablico, aquela fam\u00edlia consegue se conectar \u00e0 rede e afastar de perto um problema que fazia parte do seu cotidiano.<\/em><\/p>\n<p><strong>Sua trajet\u00f3ria tamb\u00e9m passou por diferentes cidades e estados. Como foi esse caminho at\u00e9 S\u00e3o Paulo?<\/strong><br \/>\n<em>Minha hist\u00f3ria \u00e9 um pouco espalhada pelo Brasil. Minha fam\u00edlia \u00e9 de Salvador, mas meu pai foi morar no Rio Grande do Norte por causa do trabalho, e eu nasci l\u00e1. Vivi no estado at\u00e9 os 12 anos e, depois, nos mudamos para Minas Gerais.<\/em><br \/>\n<em>Fiquei alguns anos em Minas e, mais tarde, voltei para Natal. E foi l\u00e1 que fiz a faculdade.<\/em><br \/>\n<em>Depois de formada, fui para Salvador, onde comecei a trabalhar com monitoramento ambiental e tive experi\u00eancias relacionadas \u00e0 \u00e1rea de saneamento.<\/em><br \/>\n<em>Em determinado momento, senti que queria continuar estudando e aprofundar a minha forma\u00e7\u00e3o. Decidi fazer um mestrado e escolhi Campinas.<\/em><br \/>\n<em>Vim para S\u00e3o Paulo para estudar e, como acontece com tantas hist\u00f3rias, acabei ficando. Depois que terminei o mestrado, fiz o concurso da Cetesb.<\/em><br \/>\n<em>E trabalhar na Cetesb era, de certa forma, um sonho antigo.<\/em><br \/>\n<em>Quando eu trabalhava em Salvador, muitas das refer\u00eancias t\u00e9cnicas que utiliz\u00e1vamos vinham da companhia. Para avaliar a qualidade das praias, para discutir monitoramento ambiental, para analisar diferentes quest\u00f5es t\u00e9cnicas, a Cetesb era uma refer\u00eancia.<\/em><br \/>\n<em>Eu sempre dizia que, se um dia eu me mudasse para S\u00e3o Paulo, queria trabalhar na Cetesb.<\/em><br \/>\n<em>A companhia tinha \u2014 e tem \u2014 uma import\u00e2ncia muito grande para a \u00e1rea ambiental. Para quem trabalhava em outros estados, era uma refer\u00eancia que aparecia constantemente.<\/em><br \/>\n<em>Ent\u00e3o, quando fui para Campinas, terminei o mestrado e tive a oportunidade de fazer o concurso, parecia que os caminhos come\u00e7avam a se encontra<\/em>r.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea enfrentou algum desafio pessoal importante ao longo dessa trajet\u00f3ria? Se sim, como essa experi\u00eancia transformou sua rela\u00e7\u00e3o com o trabalho?<\/strong><br \/>\n<em>H\u00e1 cerca de dez anos, eu tive c\u00e2ncer de tireoide. Foi uma experi\u00eancia que marcou profundamente a minha vida.<\/em><br \/>\n<em>Eu tinha 34 anos e vivia em um ritmo muito intenso. Na Cetesb, o trabalho era bastante din\u00e2mico. Havia fiscaliza\u00e7\u00e3o em campo, plant\u00f5es, emerg\u00eancias, atividades que exigiam disponibilidade e, muitas vezes, mudan\u00e7as repentinas de rotina.<\/em><br \/>\n<em>Eu sempre fui uma pessoa muito agitada, com vontade de fazer tudo, produzir, entregar e resolver. Quando descobri a doen\u00e7a, precisei parar.<\/em><br \/>\n<em>O diagn\u00f3stico veio de um acompanhamento m\u00e9dico na pr\u00f3pria Cetesb, pelo Dr. Jos\u00e9 Albino. Passei pelos exames, pelo tratamento e pela cirurgia. Tive que retirar a tireoide e, depois, enfrentar o per\u00edodo de recupera\u00e7\u00e3o.<\/em><br \/>\n<em>Com o tempo, passei a enxergar aquele per\u00edodo como um momento que me obrigou a desacelerar e a olhar para aquilo que, at\u00e9 ent\u00e3o, talvez eu n\u00e3o estivesse conseguindo enxergar.<\/em><br \/>\n<em>Para mim, foi como se a vida dissesse: \u201cCalma; priorize o que \u00e9 importante. Cada coisa tem o seu tempo\u201d. Antes, eu estava muito concentrada na ideia de produzir, entregar e fazer tudo acontecer. Depois dessa experi\u00eancia, comecei a olhar mais para as pessoas.<\/em><br \/>\n<em>Percebi que n\u00e3o adianta pensar apenas no resultado individual. Se uma pessoa n\u00e3o est\u00e1 bem, o trabalho n\u00e3o pode depender apenas dela. \u00c9 preciso que exista uma equipe capaz de seguir junto.<\/em><br \/>\n<em>N\u00e3o era apenas \u201ca Juliana est\u00e1 com um processo atrasado\u201d. Se algu\u00e9m n\u00e3o pudesse estar ali por algum motivo, a institui\u00e7\u00e3o precisava continuar funcionando.<\/em><br \/>\n<em>Foi quando comecei a compreender de maneira muito mais profunda o sentido do trabalho em equipe.<\/em><\/p>\n<p><strong>E como esse aprendizado aparece na sua atua\u00e7\u00e3o hoje?<\/strong><br \/>\n<em>Acho que ele aparece, principalmente, na forma como tento olhar para as pessoas e para as realidades que est\u00e3o por tr\u00e1s do trabalho. Hoje, na secretaria, pensamos em pol\u00edticas p\u00fablicas e no apoio t\u00e9cnico aos munic\u00edpios. E, para fazer isso, n\u00e3o basta imaginar que existe uma \u00fanica realidade.<\/em><br \/>\n<em>Cada munic\u00edpio tem sua hist\u00f3ria, suas dificuldades, suas urg\u00eancias e suas possibilidades.<\/em><br \/>\n<em>A experi\u00eancia que vivi tamb\u00e9m me ensinou muito sobre a import\u00e2ncia de trabalhar junto. Nenhuma pol\u00edtica p\u00fablica \u00e9 constru\u00edda por uma pessoa s\u00f3. Nenhum resultado \u00e9 individual.<\/em><br \/>\n<em>Tamb\u00e9m me marcou muito a forma como fui assistida durante o tratamento. O acompanhamento m\u00e9dico, o cuidado e a possibilidade de fazer tudo o que era necess\u00e1rio me fizeram perceber a import\u00e2ncia de uma institui\u00e7\u00e3o olhar para as pessoas que fazem parte dela.<\/em><br \/>\n<em>No fim das contas, trabalhar no servi\u00e7o p\u00fablico \u00e9 justamente isso: compreender necessidades, construir solu\u00e7\u00f5es e n\u00e3o esquecer que, por tr\u00e1s de cada processo, de cada munic\u00edpio e de cada pol\u00edtica, existem pessoas.<\/em><\/p>\n<p><strong>Quem foram as pessoas que mais influenciaram sua trajet\u00f3ria profissional ou ajudaram a construir a profissional que voc\u00ea \u00e9 hoje?<\/strong><br \/>\n<em>Acho que a minha hist\u00f3ria profissional come\u00e7a, de certa forma, dentro da minha pr\u00f3pria fam\u00edlia. Meu pai era ge\u00f3logo e meu av\u00f4 era engenheiro sanitarista. Ent\u00e3o, mesmo antes de escolher uma profiss\u00e3o, eu j\u00e1 convivia com esse universo.<\/em><br \/>\n<em>J\u00e1 o meu av\u00f4 trouxe para perto de mim o universo do saneamento. Quest\u00f5es como \u00e1gua tratada, esgotamento sanit\u00e1rio e infraestrutura faziam parte das conversas em casa.<\/em><br \/>\n<em>Na \u00e9poca, eu n\u00e3o imaginava que seguiria um caminho t\u00e3o pr\u00f3ximo ao deles. Meu primeiro sonho profissional, inclusive, era a medicina.<\/em><br \/>\n<em>Mas, olhando para tr\u00e1s, percebo que essas refer\u00eancias estavam presentes.<\/em><\/p>\n<p><strong>Fora do ambiente de trabalho, o que ajuda voc\u00ea a recarregar as energias? Quais s\u00e3o seus hobbies, programas ou atividades preferidas?<\/strong><br \/>\n<em>Minha fam\u00edlia ocupa um lugar muito importante na minha vida. Tenho dois filhos e adoro fazer coisas com eles. Agora eles est\u00e3o crescendo, entrando na adolesc\u00eancia, ent\u00e3o as formas de estar junto tamb\u00e9m v\u00e3o mudando. Mas sempre gostei muito de brincar, passear e viver experi\u00eancias ao lado deles.<\/em><br \/>\n<em>Temos uma esp\u00e9cie de tradi\u00e7\u00e3o: conhecer praias novas. Eu adoro o mar e, sempre que poss\u00edvel, gosto de descobrir um lugar diferente.<\/em><br \/>\n<em>A \u00faltima viagem que fizemos juntos foi para a Ilha do Cardoso, em Canan\u00e9ia. Eles ainda n\u00e3o conheciam e foi muito especial viver essa experi\u00eancia em fam\u00edlia.<\/em><br \/>\n<em>E existe tamb\u00e9m um desejo que tenho para as pr\u00f3ximas viagens: quero lev\u00e1-los ao Rio Grande do Norte, para conhecerem o lugar onde nasci.<\/em><br \/>\n<em>\u00c9 curioso porque a gente quer mostrar aos filhos tantas coisas do mundo, mas tamb\u00e9m sente vontade de apresentar a eles os lugares que fazem parte da nossa pr\u00f3pria hist\u00f3ria.<\/em><br \/>\n<em>Viajar, conhecer praias e estar com meus filhos \u00e9 o que mais me ajuda a desacelerar. Acho que, depois de tantos anos vivendo uma rotina intensa, aprendi a valorizar mais esses momentos.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Filha de ge\u00f3logo e neta de engenheiro sanitarista, nova integrante da Semil construiu uma trajet\u00f3ria que une fiscaliza\u00e7\u00e3o ambiental, saneamento e formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas<\/p>\n","protected":false},"author":53,"featured_media":9189,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[11,1],"tags":[],"class_list":["post-9187","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","category-sem-categoria"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/semil.sp.gov.br\/ambientenet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9187","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/semil.sp.gov.br\/ambientenet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/semil.sp.gov.br\/ambientenet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/semil.sp.gov.br\/ambientenet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/53"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/semil.sp.gov.br\/ambientenet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9187"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/semil.sp.gov.br\/ambientenet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9187\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9188,"href":"https:\/\/semil.sp.gov.br\/ambientenet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9187\/revisions\/9188"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/semil.sp.gov.br\/ambientenet\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9189"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/semil.sp.gov.br\/ambientenet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9187"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/semil.sp.gov.br\/ambientenet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9187"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/semil.sp.gov.br\/ambientenet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9187"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}