{"id":16794,"date":"2025-01-20T14:36:12","date_gmt":"2025-01-20T17:36:12","guid":{"rendered":"https:\/\/semil.sp.gov.br\/educacaoambiental\/?p=16794"},"modified":"2025-01-22T12:49:48","modified_gmt":"2025-01-22T15:49:48","slug":"os-rios-e-as-mudancas-climaticas-o-que-temos-a-ver-com-isso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/semil.sp.gov.br\/educacaoambiental\/2025\/01\/os-rios-e-as-mudancas-climaticas-o-que-temos-a-ver-com-isso\/","title":{"rendered":"Os rios e as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas:  O que temos a ver com isso?"},"content":{"rendered":"<p>Historicamente, as cidades foram sendo constru\u00eddas \u00e0 margem dos rios, para facilitar o abastecimento de \u00e1gua para as diversas atividades humanas. Exemplos n\u00e3o faltam, seja no Egito antigo, ao longo do Rio Nilo, seja na cidade de S\u00e3o Paulo, ao longo dos Rios Pinheiros e Tiet\u00ea, por exemplo. Por\u00e9m, apesar de ser fundamental para a vida humana, os rios passaram a ser desprezados e vistos como entraves ao desenvolvimento. Suas margens foram desmatadas, suas \u00e1guas passaram a receber todo tipo de dejetos e muitos foram at\u00e9 canalizados. Os rios tamb\u00e9m passaram a ser represados, tanto para o abastecimento de \u00e1gua, quanto para a produ\u00e7\u00e3o de energia.<\/p>\n<table style=\"border-collapse: collapse; width: 100%;\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"width: 100%; border-style: solid; background-color: #e8e8e8;\">O document\u00e1rio \u201cEntre Rios\u201d, produzido pelo Coletivo Madeira, mostra esse processo na cidade de S\u00e3o Paulo e est\u00e1 dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Fwh-cZfWNIc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Fwh-cZfWNIc<\/a>.<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Atualmente, \u00e9 crescente a necessidade de revitaliza\u00e7\u00e3o dos rios e recupera\u00e7\u00e3o das bacias hidrogr\u00e1ficas. Bacia hidrogr\u00e1fica nada mais \u00e9 do que uma \u00e1rea em que toda a \u00e1gua que chove escorre para um rio principal. Delimitada pelos chamados \u201cdivisores de \u00e1guas\u201d (\u00e1reas com relevo mais alto), a bacia hidrogr\u00e1fica \u00e9 um conceito fundamental na gest\u00e3o das \u00e1guas, pois mostra que um rio principal \u00e9 o espelho de como toda a bacia hidrogr\u00e1fica \u00e9 gerida. Um exemplo: se h\u00e1 desmatamento e solo exposto em um ponto da bacia hidrogr\u00e1fica, quando chove, a terra pode ser carreada para um rio, causando assoreamento (processo de ac\u00famulo de subst\u00e2ncias minerais ou org\u00e2nicas, carregadas das partes mais altas at\u00e9 as mais baixas, em um corpo d\u2019\u00e1gua, causando a diminui\u00e7\u00e3o da profundidade e do volume de \u00e1gua, al\u00e9m de ser um dos principais processos de polui\u00e7\u00e3o da \u00e1gua.), o qual pode chegar at\u00e9 o rio principal da bacia. Outros exemplos s\u00e3o a contamina\u00e7\u00e3o da \u00e1gua por agrot\u00f3xicos utilizados em cultivos agr\u00edcolas e carreados at\u00e9 o rio, bem como a situa\u00e7\u00e3o em que a chuva leva, at\u00e9 o rio, um res\u00edduo disposto de forma inadequada, seja em \u00e1rea urbana ou rural. Qualquer uma dessas situa\u00e7\u00f5es, quando ocorre \u00e0 montante na bacia (de onde vem o rio) pode comprometer o uso da \u00e1gua \u00e0 jusante (para onde o rio corre). Para se ter \u00e1gua de boa qualidade no Rio Piracicaba, por exemplo, n\u00e3o basta o munic\u00edpio de Piracicaba cuidar do seu territ\u00f3rio e de sua \u00e1gua, mas depende, tamb\u00e9m, da colabora\u00e7\u00e3o de dezenas de outros munic\u00edpios, como Campinas e, at\u00e9 mesmo, Camanducaia, que est\u00e1 em Minas Gerais, mas guarda importantes nascentes de afluentes do Rio Piracicaba, ou seja, nascentes de rios que v\u00e3o formar o Rio Piracicaba.<\/p>\n<p>Visto a import\u00e2ncia da bacia hidrogr\u00e1fica como unidade de gest\u00e3o, a qual \u00e9 reconhecida nas Pol\u00edticas Nacional e Estadual de Recursos H\u00eddricos (Lei n\u00ba 9.433, de 8 de janeiro, de 1997, na esfera federal, e Lei n\u00ba 7.663, de 30 de dezembro, de 1991, no Estado de S\u00e3o Paulo, na esfera estadual) uma ou mais bacias hidrogr\u00e1ficas formam cada uma das vinte e uma Unidades de Gerenciamento de Recursos H\u00eddricos (UGRHI), cada qual com seu comit\u00ea de bacia. O comit\u00ea \u00e9 formado por diferentes atores sociais, que buscam assegurar \u00e1gua em qualidade e quantidade para todos da UGRHI.<\/p>\n<p>No cen\u00e1rio de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas que estamos vivendo, os rios tamb\u00e9m s\u00e3o espelhos dessas mudan\u00e7as. Para poder entender melhor isso, \u00e9 preciso lembrar as causas das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, que t\u00eam se tornado cada vez mais pujantes, com ondas de calor, ciclones tropicais, precipita\u00e7\u00f5es intensas, secas severas, entre outros fen\u00f4menos<strong>.\u00a0 <\/strong>Primeiro, cumpre esclarecer, que o efeito estufa \u00e9 um fen\u00f4meno natural, que permite a vida, j\u00e1 que, se ele n\u00e3o existisse, o planeta seria t\u00e3o frio, que a vida, como conhecemos, n\u00e3o seria vi\u00e1vel. Por\u00e9m, com o desmatamento, a revolu\u00e7\u00e3o industrial e o uso de combust\u00edveis f\u00f3sseis, n\u00f3s aumentamos muito a camada de gases do efeito estufa na atmosfera, de modo a causar um desequil\u00edbrio, com aquecimento global e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Estudos do Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7a do Clima (IPCC, 2021) mostram que, no per\u00edodo de 1850 a 2020, houve um aquecimento sem precedentes em 2000 anos, sendo esse o per\u00edodo multissecular mais quente dos \u00faltimos 100 mil anos. Tais estudos tamb\u00e9m concluem que o aquecimento observado \u00e9 causado por causas antr\u00f3picas (atividades humanas), sendo muito superior \u00e0 proje\u00e7\u00e3o de aquecimento causado apenas por fatores naturais.<\/p>\n<p>A ONU confirmou que, o ano de 2024, foi o ano mais quente j\u00e1 registrado, com cerca de 1,55\u00b0C acima dos n\u00edveis pr\u00e9-industriais. A meta de temperatura de longo prazo, do Acordo de Paris, ainda n\u00e3o foi perdida, mas, infelizmente, corre s\u00e9rio risco.<\/p>\n<p>Em estudo mais recente (IPCC, 2023), foram elaborados mapas mostrando os efeitos, em cada parte do mundo, das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas na biodiversidade, na sa\u00fade humana e na produ\u00e7\u00e3o de alimentos. Caso o aumento supere os 2\u00b0C, haver\u00e1 perda de 80 a 90% das esp\u00e9cies em diversas partes do mundo, sendo esse cen\u00e1rio ainda pior se o aumento superar 3 ou at\u00e9 4\u00b0C, considerando o Brasil um pa\u00eds bastante afetado. Al\u00e9m disso, alguns locais podem se tornar inabit\u00e1veis para o ser humano, inclusive no nosso pa\u00eds. O crescimento de inc\u00eandios e inunda\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m \u00e9 significativo, bem como o aumento do n\u00edvel do mar e a destrui\u00e7\u00e3o dos recifes de corais. Se subir 2\u00b0C, por exemplo, poder\u00e1 haver um aumento de 62 a 87% nos inc\u00eandios; 0,33 a 0,66mm no n\u00edvel do mar; 30% nas inunda\u00e7\u00f5es; e 99% na destrui\u00e7\u00e3o dos corais.<\/p>\n<p>Os rios espelham, tamb\u00e9m, as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, de modo a ser poss\u00edvel ver os rios extremamente secos nas estiagens prolongadas (como aconteceu na Amaz\u00f4nia, nos \u00faltimos anos), bem como transbordando com as grandes inunda\u00e7\u00f5es, como ocorreu recentemente, no Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p>No enfrentamento \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, o cuidado com nossos ecossistemas naturais tem um papel fundamental. Segundo estudos realizados (Harris, 2021), as florestas removem, no mundo, 15,6 bilh\u00f5es de toneladas, emitem 8,1 bilh\u00f5es e colaboram com a capta\u00e7\u00e3o de 7,6 bilh\u00f5es de toneladas de g\u00e1s carb\u00f4nico, por ano. Assim, seria poss\u00edvel aumentar muito essa contribui\u00e7\u00e3o se consegu\u00edssemos controlar de forma eficaz o desmatamento e proteger nossos ecossistemas naturais, j\u00e1 que o g\u00e1s que causa grandes problemas, quando em excesso na atmosfera, \u00e9 usado pelas plantas no seu processo de crescimento, por meio da fotoss\u00edntese.<\/p>\n<p>No Brasil, as florestas secund\u00e1rias (aquelas que se regeneraram ap\u00f3s perturba\u00e7\u00f5es) removeram 784 milh\u00f5es de toneladas de g\u00e1s carb\u00f4nico, de 1988 a 2018, sendo a Amaz\u00f4nia respons\u00e1vel por 52,21% desse total e a Mata Atl\u00e2ntica por 31,08%. Com isso, a restaura\u00e7\u00e3o, em \u00e1reas priorit\u00e1rias, de 15% das terras convertidas em outros usos no mundo poderia causar uma diminui\u00e7\u00e3o de 30% no g\u00e1s carb\u00f4nico na atmosfera, o que corresponde a 14% de todas as emiss\u00f5es, desde a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial (Strassburg et al., 2020).<\/p>\n<p>Al\u00e9m da capta\u00e7\u00e3o do carbono, os ecossistemas naturais tamb\u00e9m t\u00eam um papel muito importante no ciclo da \u00e1gua, aumentando significativamente a infiltra\u00e7\u00e3o da \u00e1gua (Shawul; Charma; Melesse, 2019), contribuindo na recarga dos aqu\u00edferos (Hoffman; Scheibe; Nanni, 2022) e na conserva\u00e7\u00e3o da qualidade da \u00e1gua (Mello, 2018).<\/p>\n<p>Tais ecossistemas tamb\u00e9m s\u00e3o fundamentais na forma\u00e7\u00e3o das chuvas, como no fen\u00f4meno da Amaz\u00f4nia conhecido como \u201crios voadores\u201d, pelo qual a \u00e1gua do oceano evapora e vai para o continente, produzindo fortes chuvas na Amaz\u00f4nia, h\u00e1 a evapotranspira\u00e7\u00e3o das florestas da regi\u00e3o e esse \u201crio voador\u201d leva chuva para grande parte do Brasil (at\u00e9 3 mil quil\u00f4metros continente adentro), inclusive o sudeste. As florestas s\u00e3o t\u00e3o importantes nesse processo que um km<sup>2<\/sup> de floresta gera muito mais condensa\u00e7\u00e3o em nuvens do que a mesma \u00e1rea de superf\u00edcie oce\u00e2nica, sendo que a transpira\u00e7\u00e3o na Bacia Amaz\u00f4nica gera 20 trilh\u00f5es de litros por dia, mais do que o volume despejado pelo Rio Amazonas no oceano Atl\u00e2ntico! (Nobre, 2014).<\/p>\n<table style=\"border-collapse: collapse; width: 100%;\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"width: 100%; border-style: solid; background-color: #e8e8e8;\">Um document\u00e1rio interessante sobre o tema \u00e9 o \u201cAmaz\u00f4nia Clim\u00e1tica: a floresta de hoje e do amanh\u00e3\u201d, produzido no \u00e2mbito de um projeto do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=NOfYliZdCiQ\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=NOfYliZdCiQ<\/a>.<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Assim, observa-se a necessidade de medidas urgentes de mitiga\u00e7\u00e3o (para diminuir a emiss\u00e3o de gases do efeito estufa e aumentar sua capta\u00e7\u00e3o) e de adapta\u00e7\u00e3o (a fim de reduzir a vulnerabilidade dos sistemas naturais e humanos aos efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas). Nesse sentido, destaca-se a import\u00e2ncia das solu\u00e7\u00f5es baseadas na natureza, as quais, al\u00e9m de auxiliar no enfrentamento \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, geram bem-estar, servi\u00e7os ecossist\u00eamicos, resili\u00eancia e benef\u00edcios \u00e0 biodiversidade. S\u00e3o medidas referentes \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o, uso sustent\u00e1vel e gest\u00e3o de recursos naturais.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, no enfrentamento \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas \u00e9 preciso nos lembrarmos do \u00f3bvio: n\u00f3s fazemos parte da natureza. A \u00e1gua e os ecossistemas naturais n\u00e3o s\u00e3o simplesmente recursos, pois n\u00f3s fazemos parte de todo esse sistema. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel enfrentar a crise clim\u00e1tica sem rever nossa forma de ser e estar no mundo, ou seja, nossos valores e sistema socioecon\u00f4mico, baseado em uma produ\u00e7\u00e3o sempre crescente para um consumo cada vez maior, o que \u00e9, em si, insustent\u00e1vel, pois exige recursos tamb\u00e9m crescentes. \u00c9 preciso construir sociedades sustent\u00e1veis, aquelas que, segundo Sorrentino (1997), se caminha para sociedades (cada uma com suas especificidades) com qualidade de vida para todos e n\u00e3o mais baseadas na explora\u00e7\u00e3o do ser humano e natureza.<\/p>\n<p>Nesse caminho, o combate \u00e0s desigualdades sociais tem um papel fundamental, bem como rever os valores que nos guiam como humanidade. Parar o uso de combust\u00edveis f\u00f3sseis e o desmatamento, por exemplo, s\u00e3o medidas urgentes, mas que n\u00e3o ocorrem devido aos interesses econ\u00f4micos e financeiros serem colocados em primeiro lugar. Apesar dos in\u00fameros encontros internacionais sobre o tema (Confer\u00eancia das Partes \u2013 COP: encontro anual de pa\u00edses, que tem como principal objetivo discutir medidas e solu\u00e7\u00f5es para diminuir a emiss\u00e3o de gases do efeito estufa) e a exist\u00eancia de mecanismos como o Acordo de Paris, nenhum compromisso realmente concreto e eficiente tem sido acordado mundialmente. Ou os acordos n\u00e3o ocorrem (como o prazo para o uso dos combust\u00edveis f\u00f3sseis, por exemplo) ou n\u00e3o s\u00e3o cumpridos (como o antigo Protocolo de Kyoto). O Acordo de Paris e os Objetivos do Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS) s\u00e3o acordos internacionais importantes e que t\u00eam impulsionado a\u00e7\u00f5es sustent\u00e1veis, mas ainda t\u00eam resultados bastante aqu\u00e9m dos necess\u00e1rios para o enfrentamento de toda essa crise socioambiental, clim\u00e1tica e civilizat\u00f3ria.<\/p>\n<p>Nesse contexto, a Educa\u00e7\u00e3o Ambiental \u00e9 fundamental, a qual esteja comprometida com uma vis\u00e3o cr\u00edtica da crise ambiental (com suas diversas facetas, atores sociais e interesses) e com o engajamento das pessoas na transforma\u00e7\u00e3o dos mecanismos que alimentam essa crise (Palmieri; Massabni, 2020). A partir dessa compreens\u00e3o e a\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso incorporar a dimens\u00e3o socioambiental em todas as pol\u00edticas p\u00fablicas (n\u00e3o s\u00f3 nas ambientais, mas nas referentes \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, energia etc.), as quais sejam voltadas, tamb\u00e9m, ao combate \u00e0 desigualdade social e inclus\u00e3o de todos; valorizar os espa\u00e7os de participa\u00e7\u00e3o social na constru\u00e7\u00e3o e implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas (como comit\u00eas de bacia, conselhos, etc.); desenvolver a pesquisa cient\u00edfica comprometida com a constru\u00e7\u00e3o de sociedades sustent\u00e1veis; homologar e proteger as terras ind\u00edgenas e quilombolas e valorizar as culturas ind\u00edgenas e de outras comunidades tradicionais; desenvolver uma gest\u00e3o participativa e eficaz das \u00e1reas protegidas; aprimorar a fiscaliza\u00e7\u00e3o contra o desmatamento ilegal; parar os retrocessos na legisla\u00e7\u00e3o ambiental e trabalhar para o seu aprimoramento e implementa\u00e7\u00e3o; promover incentivos econ\u00f4micos e financeiros para a conserva\u00e7\u00e3o ambiental e o uso sustent\u00e1vel dos recursos naturais; promover a \u201cagroecologiza\u00e7\u00e3o\u201d dos territ\u00f3rios; valorizar e incentivar a economia circular e solid\u00e1ria, entre outras medidas.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 preciso ter cuidado com as \u201cfalsas solu\u00e7\u00f5es\u201d. Em nome da capta\u00e7\u00e3o de carbono, projetos t\u00eam sido implementados de forma a comunidades tradicionais n\u00e3o serem participantes ativas e n\u00e3o terem seu modo de vida respeitado. Em nome da energia renov\u00e1vel, grandes hidrel\u00e9tricas t\u00eam sido feitas sem se respeitar os estudos socioambientais e a participa\u00e7\u00e3o da sociedade em tais discuss\u00f5es. O \u201cgreenwashing\u201d (\u201clavagem verde\u201d, que apresenta falsas solu\u00e7\u00f5es para os problemas ambientais) tem sido crescente, de modo a se adotar a\u00e7\u00f5es com o discurso de serem sustent\u00e1veis, quando na verdade causam diversos problemas socioambientais e servem apenas aos interesses econ\u00f4micos e financeiros de grupos espec\u00edficos.<\/p>\n<p>Considerando a discuss\u00e3o aqui apresentada, os rios s\u00e3o espelhos da sociedade e, para cuidar deles, n\u00e3o bastam a\u00e7\u00f5es de uso consciente da \u00e1gua, tratamento de efluentes e cuidado com suas matas ciliares, embora tais a\u00e7\u00f5es sejam fundamentais. As solu\u00e7\u00f5es passam por cuidarmos de nossos territ\u00f3rios, como um todo (bacias hidrogr\u00e1ficas) e repensar nossos valores como sociedade, nossa produ\u00e7\u00e3o, nosso consumo, nossas prioridades. Passam por nos lembrar que habitamos um s\u00f3 planeta, o qual existe tranquilamente sem o ser humano. Mas, n\u00f3s n\u00e3o existimos sem a Terra em condi\u00e7\u00f5es para a vida florescer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<table style=\"border-collapse: collapse; width: 100%;\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"width: 100%; border-style: solid; background-color: #e8e8e8;\"><strong><em><u>Saiba mais:<\/u><\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>Objetivo de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel \u2013 13 &#8211;<\/strong><br \/>\nA\u00e7\u00e3o contra a mudan\u00e7a global do clima. Adotar medidas urgentes para combater as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e os seus impactos. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/brasil.un.org\/pt-br\/sdgs\/13\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/brasil.un.org\/pt-br\/sdgs\/13<\/a><\/p>\n<p><strong>Objetivo de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel \u2013 14 &#8211;<\/strong><br \/>\nVida na \u00e1gua. Conservar e usar de forma sustent\u00e1vel os oceanos, mares e os recursos marinhos para o desenvolvimento sustent\u00e1vel. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/brasil.un.org\/pt-br\/sdgs\/14\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/brasil.un.org\/pt-br\/sdgs\/14<\/a><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<table style=\"width: 97.0632%; height: 608px;\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"border-style: solid; border-color: #000000; background-color: #adf3ff; text-align: center;\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt;\"><strong>Veja tamb\u00e9m o que j\u00e1 foi publicado sobre esse assunto no<br \/>\nPortal de Educa\u00e7\u00e3o Ambiental<\/strong><\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"border-style: solid; border-color: #000000;\">\n<ul>\n<li><strong>Dicion\u00e1rio Ambiental<\/strong> &#8211; <a href=\"https:\/\/semil.sp.gov.br\/educacaoambiental\/prateleira-ambiental\/mudancas-climaticas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas<\/strong><\/a><\/li>\n<li><strong>Participe!<\/strong> <a href=\"https:\/\/semil.sp.gov.br\/educacaoambiental\/videos\/participe-impactos-das-mudancas-climaticas-para-as-novas-geracoes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>O Impactos das Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas para as novas gera\u00e7\u00f5es<\/strong><\/a><\/li>\n<li><strong>Participe! \u00a0<a href=\"https:\/\/semil.sp.gov.br\/educacaoambiental\/videos\/participe-plataformas-interativas-sobre-mudancas-climaticas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Plataformas Interativas sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas<\/a><\/strong><\/li>\n<li><strong>Calend\u00e1rio Ambiental \u2013 \u00a0<a href=\"https:\/\/semil.sp.gov.br\/educacaoambiental\/2022\/03\/16-de-marco-dia-nacional-da-conscientizacao-sobre-as-mudancas-climaticas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">16 de mar\u00e7o \u2013 Dia Nacional da Conscientiza\u00e7\u00e3o sobre as Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas<\/a><\/strong><\/li>\n<li><strong>Prateleira Ambiental \u2013 <a href=\"https:\/\/semil.sp.gov.br\/educacaoambiental\/prateleira-ambiental\/minuto-ambiental-mudancas-climaticas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Minuto Ambiental \u2013 Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas<\/a><\/strong><\/li>\n<li><strong>Prateleira Ambiental \u2013 <a href=\"https:\/\/semil.sp.gov.br\/educacaoambiental\/prateleira-ambiental\/mudancas-do-clima-tudo-o-que-voce-queria-e-nao-queria-saber\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mudan\u00e7as do Clima \u2013 Tudo o que voc\u00ea queria ou n\u00e3o saber<\/a><\/strong><\/li>\n<li><strong>Prateleira Ambiental &#8211;<\/strong> <a href=\"https:\/\/semil.sp.gov.br\/educacaoambiental\/prateleira-ambiental\/caderno-15-mudancas-climaticas-2a-edicao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Cadernos de Educa\u00e7\u00e3o Ambiental \u2013 15 \u2013 Mudan\u00e7as clim\u00e1ticas globais no Estado de S\u00e3o Paul.<\/strong><\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"border-style: solid; border-color: #000000; background-color: #cccccc;\">\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt;\">Fa\u00e7a parte do\u00a0<strong>Whatsapp do Portal<\/strong>\u00a0e fique por dentro do que<\/span><br \/>\n<span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt;\"><a href=\"https:\/\/chat.whatsapp.com\/KGBMPgZ4DHQ5JxPHTkOz9u\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Acontece no Portal de EA<\/strong><\/a><\/span><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt;\">____________________________________________<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt;\"><br \/>\n<strong>Texto:<\/strong> Maria Luisa Bonazzi Palmieri &#8211; IPA<br \/>\n<\/span><strong>Revis\u00e3o de Texto:\u00a0<\/strong>Denise Scabin \u2013 CEA\/SEMIL<br \/>\n<span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt;\"><strong>Gest\u00e3o de conte\u00fado, planejamento e arte:\u00a0<\/strong>Cibele Aguirre \u2013 CEA\/ SEMIL<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><span style=\"font-size: 8pt;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"font-size: 8pt;\">IPCC. Mudan\u00e7a do Clima 2021 &#8211; A Base Cient\u00edfica. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.gov.br\/mcti\/pt-br\/acompanhe-o-mcti\/sirene\/publicacoes\/relatorios-do-ipcc\/arquivos\/pdf\/IPCC_mudanca2.pdf<br \/>\n<\/span><\/em><em><span style=\"font-size: 8pt;\">IPCC. MUDAN\u00c7A DO CLIMA 2023 &#8211; Relat\u00f3rio S\u00edntese. Dispon\u00edvel em:\u00a0<\/span><\/em><em><span style=\"font-size: 8pt;\">https:\/\/www.gov.br\/mcti\/pt-br\/acompanhe-o-mcti\/sirene\/publicacoes\/relatorios-do-ipcc\/arquivos\/pdf\/copy_of_IPCC_Longer_Report_2023_Portugues.pdf<br \/>\n<\/span><\/em><em><span style=\"font-size: 8pt;\">Harris et al., 2021. Florestas absorvem duas vezes mais CO2 do que emitem por ano. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.wribrasil.org.br\/noticias\/florestas-absorvem-duas-vezes-mais-co2-do-que-emitem-por-ano<br \/>\n<\/span><\/em><em><span style=\"font-size: 8pt;\">Hoffman; Scheibe; Nanni, 2022. EFEITOS DA MODIFICA\u00c7\u00c3O DO USO E COBERTURA DA TERRA NO COMPORTAMENTO DA RECARGA E DESCARGA EM UMA POR\u00c7\u00c3O DO SISTEMA AQU\u00cdFERO INTEGRADO GUARANI\/SERRA GERAL. Dispon\u00edvel em: \u00a0https:\/\/revistas.ufpr.br\/raega\/rt\/printerFriendly\/75297\/0<br \/>\n<\/span><\/em><em><span style=\"font-size: 8pt;\">Nature. <strong>Global priority areas for ecosystem restoration.<\/strong> Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41586-020-2784-9\">https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41586-020-2784-9<\/a><br \/>\n<\/span><\/em><em><span style=\"font-size: 8pt;\">Nobre, 2014. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.ccst.inpe.br\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/Futuro-Climatico-da-Amazonia.pdf\">http:\/\/www.ccst.inpe.br\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/Futuro-Climatico-da-Amazonia.pdf<\/a><br \/>\n<\/span><\/em><em><span style=\"font-size: 8pt;\">ONU BRASIL. ONU confirma 2024 como o ano mais quente j\u00e1 registrado, com cerca de 1,55\u00b0C acima dos n\u00edveis pr\u00e9-industriais. Dispon\u00edvel em: https:\/\/brasil.un.org\/pt-br\/287173-onu-confirma-2024-como-o-ano-mais-quente-j%C3%A1-registrado-com-cerca-de-155%C2%B0c-acima-dos-n%C3%ADveis#:~:text=n%C3%ADveis%20pr%C3%A9%2Dindustriais-,ONU%20confirma%202024%20como%20o%20ano%20mais%20quente%20j%C3%A1%20registrado,acima%20dos%20n%C3%ADveis%20pr%C3%A9%2Dindustriais&amp;text=A%20Organiza%C3%A7%C3%A3o%20Meteorol%C3%B3gica%20Mundial%20(OMM,seis%20conjuntos%20de%20dados%20internacionais.<br \/>\n<\/span><\/em><em><span style=\"font-size: 8pt;\">Palmieri; Massabni, 2020. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.scielo.br\/j\/asoc\/a\/XNzVqjQW4sLB3PZCNPMx7Sk\/?lang=pt&amp;format=pdf<br \/>\n<\/span><\/em><em><span style=\"font-size: 8pt;\">ScienceDirect. The response of water balance components to land cover change based on hydrologic modeling and partial least squares regression (PLSR) analysis in the Upper Awash Basin. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S221458181930254X?via%3Dihub\">https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S221458181930254X?via%3Dihub<\/a><br \/>\n<\/span><\/em><em><span style=\"font-size: 8pt;\">SORRENTINO, M. <strong>Vinte anos de Tbilisi, cinco da Rio-92:<\/strong> A Educa\u00e7\u00e3o Ambiental no Brasil. Debates Socioambientais. S\u00e3o Paulo, CEDEC, ano II, n. 7, p. 3-5, jun.\/set. 1997.<br \/>\n<\/span><\/em><em><span style=\"font-size: 8pt;\">WRI BRASIL. <strong>Florestas absorvem duas vezes mais CO2 do que emitem por ano.<\/strong> Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.wribrasil.org.br\/noticias\/florestas-absorvem-duas-vezes-mais-co2-do-que-emitem-por-ano\">https:\/\/www.wribrasil.org.br\/noticias\/florestas-absorvem-duas-vezes-mais-co2-do-que-emitem-por-ano<\/a><\/span><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Historicamente, as cidades foram sendo constru\u00eddas \u00e0 margem dos rios, para facilitar o abastecimento de \u00e1gua para as diversas atividades humanas. 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