Jeane Cortez atua na Consultoria Jurídica após 36 anos de serviços na Semil

Há 36 anos na Secretaria, a profissional da Consultoria Jurídica, de perfil técnico e analitico, inspira e é inspirada pela representatividade feminina

 

Na frenética engrenagem da Secretaria do Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), Jeane de Jesus Cortez, aos seus 56 anos, é a personificação do profissionalismo e da resiliência. Essa figura inspiradora atua como técnica de Recursos Ambientais e assistente dos procuradores na Consultoria Jurídica (CJ).

Nascida e criada nos domínios urbanos de Santana, São Paulo, Jeane traz consigo as lições de duas mulheres extraordinárias que moldaram sua jornada: sua avó, Antônia Maria da Conceição, que desafiou normas de um passado machista ao trabalhar como servente de pedreiro, e sua mãe, Maria de Jesus Cortez, que mesmo desempenhando tarefas domésticas, sempre enfatizou a importância da educação.

Jeane é a prova viva da força e da determinação transmitidas por essas matriarcas, sendo a pioneira em sua família a trilhar o caminho de uma profissão administrativa.“Eram mulheres fortes que conseguiram dentro do tempo delas ser e fazerem o que queriam. Eu sou a primeira geração de mulher na minha família que conseguiu uma profissão administrativa, sem ser algo tão árduo, como elas”, conta Jeane.

Com uma carreira de 36 anos na Semil, ela ascendeu de posição em posição após um convite feito por Nidelci Lima Rocha, ingressando no Serviço de Expediente do Gabinete e posteriormente sendo promovida a secretária. Seu amor pelos estudos e pela inovação a levou a conquistar o bacharelado em Administração de Empresas pela Universidade São Marcos, em 1993.

Dentro da CJ, ela lidera com maestria, a triagem de centenas de processos mensais para os procuradores, garantindo que cada documento seja tratado com o máximo de cuidado e precisão. Seu profissionalismo é uma fonte de inspiração para suas colegas, Patrícia Kaneto e Priscilla Lupetti, que reconhecem nela uma mentora e guia em suas jornadas profissionais.

Fora dos muros da Secretaria, Jeane mantém viva sua paixão por novas vivências e pela aventura. Seus animais de estimação resgatados. Entre viagens, estudos de inglês e leituras apaixonadas, Jeane encontra refúgio em Ubatuba, onde as praias deslumbrantes e as lembranças afetivas alimentam sua alma inquieta por possuir um espaço afetivo em sua memória.

 

Curta Semil: Como é a sua atuação dentro da Consultoria Jurídica da Semil? Qual é a sua rotina?

Jeane de Jesus Cortez: A Consultoria Jurídica não é um órgão da Semil, mas, sim, da PGE (Procuradoria Geral do Estado), e atua na Secretaria, que fornece a estrutura física, de pessoal e funcional aos procuradores enviados pela PGE. Todas as secretarias do estado possuem uma Consultoria Jurídica, que são órgãos da Procuradoria Geral do Estado. São eles que encaminham os seus advogados, seus procuradores, para cada consultoria. Então essa consultoria aqui é da Semil, mas os procuradores respondem à Procuradora-Geral do Estado, que não é subordinada à secretaria.

Com isso, eu e as meninas [Patrícia Kaneto e Priscilla Lupetti] somos como uma ponte entre a PGE e a Secretaria. Além disso, tudo o que vem para a Consultoria Jurídica, precisa vir via chefia de gabinete, subsecretários ou da secretária. Não pode ser enviado direto por outras pessoas, como coordenadores, preservando, assim, as pautas de interesse da pasta.

Enquanto a parte do parecer jurídico é competência apenas do procurador, eu faço uma triagem onde verifico os tópicos mais administrativos, como exemplo, se o processo está correto e se veio por intermédio do trâmite adequado.

Nesses 36 anos em que estou aqui, tive apenas cinco chefes. Atualmente, estou sob o comando do Procurador-Chefe Pedro Monnerat Heidenfelder. Tudo da secretaria, da compra de um papel higiênico até a edição de um decreto, passa pela Consultoria Jurídica. Sobre as minhas atividades de rotina, além dos atendimentos por telefone, eu costumo chegar pela manhã, analisar as demandas de e-mail e também abrir o SEI (Sistema Eletrônico de Informações), que é uma plataforma para a gestão digital de documentos e processos de São Paulo. Além disso, faço o acompanhamento de outros assuntos através de outros sistemas, como o Attus, da Procuradoria Geral do Estado (PGE), e o e-Ambiente. Com isso, trabalho, no mínimo, com quatro sistemas logados no decorrer do dia em minhas duas telas de computador.

Quais são algumas das habilidades necessárias para exercer as suas atividades?

Acho que gostar e se adaptar às novidades já é 90% do caminho. Por exemplo, eu nunca fui de ficar acomodada. Eu sempre fui de querer mais. Então se você for uma pessoa interessada, melhor. Assim como ter discernimento, paciência e também um bom trato com as pessoas.

Quais são os avanços que você vê atualmente nas suas atividades, comparado ao período que chegou na secretaria?

Eu peguei diversas fases e avanços na minha área, que, aliás, a Consultoria Jurídica foi uma das primeiras a implantar avanços tecnológicos, como com a aplicação de uma rede virtual de compartilhamento de arquivos. Veja bem, quando eu comecei aqui, ainda era máquina de escrever, depois chegou uma máquina eletrônica que até apagava. E na sequência veio os primeiros computadores com todos aqueles comandos até a modernidade atual.

Gosto muito de inovações e acho importante a pessoa não se tornar obsoleta. Eu gosto de tudo o que facilita o meu trabalho, pois me encanta. O e-mail, por exemplo, é uma facilidade tecnológica incorporada no decorrer do tempo que agilizou o processo quando comparado há 36 anos. Sempre digo que precisamos ser atemporais, e não presos a momentos do passado. Precisamos aproveitar da melhor forma possível o atual momento que estamos vivenciando.

Como você analisa a atual estrutura da Semil, com a secretária Natália Resende à frente da secretaria?

Tem sido uma surpresa muito boa. Por exemplo, agora completou um ano da tragédia no Litoral Norte, mas eu fiquei satisfeita em ver que temos administradores públicos que vão pessoalmente até o local para procurar resolver os problemas de forma ativa. Aqui na Semil, internamente, eu também estou gostando da nova gestão. Há a preocupação com as pessoas, como exemplo, o ineditismo dos sorteios de ingressos e outras coisas.

Em março reforçamos o Dia Internacional das Mulheres, quais são as suas inspirações e como você se vê sendo uma referência para a nova geração?

Quando eu comecei era muito difícil para as mulheres galgar novos cargos, mas, hoje, nós temos várias secretárias de estado que alcançam espaços importantes, e que me inspiram, como a Natália Resende, e outras que vieram antes, como a secretária [da então Secretária de Meio Ambiente da gestão Mário Covas] Stela Goldenstein. Temos ainda técnicas maravilhosas. Também sempre tive lideranças femininas na PGE, o que me fez sentir amparada, e hoje, me sinto reconhecida como uma boa profissional que trabalhou para conquistar isso, e que é seguida por outras mulheres talentosas, que merecem estar onde estão. Isso me enche de orgulho.

 O que você tem a dizer para quem está começando sua jornada profissional ou que almeja trabalhar em uma função similar a sua?

Não desistam. Nunca parem de estudar. Eu, por exemplo, estudo inglês, que é algo que me dá prazer. Não fique restrito apenas ao estudo daquilo que é necessário. Vá atrás dos porquês. Vá em frente, estude, leia, tente desenvolver suas habilidades autodidata.

Eu me inspiro nas mulheres da minha família, que são de origem humilde. A minha mãe [Antônia Maria da Conceição] é alagoana, e veio nova para São Paulo com a minha avó [Maria de Jesus Cortez], que em compensação, não sabia ler e nem escrever, mas ela tinha muita sabedoria. Eram mulheres fortes que conseguiram dentro do tempo de elas serem e fazerem o que queriam. Eu sou a primeira geração de mulher na minha família que conseguiu uma profissão administrativa, sem ser algo tão árduo, como eles. Minha avó, por exemplo, trabalhou, entre outras coisas, como servente de pedreiro. Já minha mãe foi doméstica e batalhou muito para que eu pudesse me dedicar aos estudos. Por isso eu também digo, estude, estude e estude.

Qual o seu hobby favorito? Gosta de ler? Se sim, qual livro está lendo atualmente?

Eu amo ler, às vezes leio de forma intercalada, três livros ao mesmo tempo. Mas atualmente estou lendo “A Menina que Roubava Livros” Eu também amo animais de estimação, especialmente os que são oriundos de adoção. Já tive várias espécies diferentes, de cachorros, gatos e até um porquinho da índia. Eu também adoro viajar, fui para vários países e também regiões do Brasil.

Aqui, no estado de São Paulo, o meu local favorito é Ubatuba, lugar que me recordo da época em que a cidade era mais vazia, e sempre com essas lindas praias. Também me traz memórias afetivas, como de uma grande amiga que morava lá, mas já faleceu.

Perfil – Jeane de Jesus Cortez, técnica de Recursos Ambientais, atua como assistente na Consultoria Jurídica da Semil