Com a chegada de dias consecutivos de temperaturas elevadas, algumas práticas podem ajudar a manter o conforto, a segurança e a produtividade nos ambientes de trabalho. Práticas que vão do uso adequado do ar-condicionado e da ventilação estratégica das janelas até cuidados com hidratação, alimentação e vestimentas – tudo para minimizar os efeitos do estresse térmico e garantir uma rotina profissional mais saudável durante o período de calor intenso. O estresse térmico afeta diretamente o foco, a circulação sanguínea e o bem-estar geral, tornando essencial a adoção de estratégias que combinam climatização adequada, hidratação constante e ajustes nas rotinas de trabalho.

A manutenção da temperatura ideal é o primeiro passo para garantir o conforto térmico. A recomendação é manter o ar-condicionado regulado. Evite ajustar o aparelho na temperatura mínima – isso não acelera o resfriamento, sobrecarrega o sistema, resseca excessivamente o ar e provoca choque térmico ao sair do prédio. Mantenha cortinas ou persianas fechadas nas janelas onde o sol bate diretamente, especialmente nas fachadas leste (pela manhã) e oeste (à tarde), pois o vidro sem proteção age como uma lente, amplificando o calor interno.

Apague luzes desnecessárias e desligue equipamentos que não estejam em uso, como impressoras de grande porte, monitores extras e servidores, já que eles atuam como aquecedores secundários. Ao chegar na sua repartição, abra todas as janelas por 20 a 30 minutos para renovar o ar e expulsar o calor acumulado durante a noite, fechando-as hermeticamente antes de ligar o ar-condicionado. Quando possível, regule as palhetas do aparelho para apontarem para cima – o ar frio é mais denso e desce naturalmente — e nunca direcione o fluxo diretamente para a cabeça ou costas, para evitar rigidez muscular e dores de cabeça.

A percepção de sede diminui quando estamos concentrados no trabalho, por isso a hidratação deve ser tratada como uma rotina consciente. Beba bastante água por dia, mesmo sem sentir sede, preferindo água fresca, mas não excessivamente gelada – o corpo gasta energia térmica para aquecê-la até a temperatura interna, gerando mais calor. Outra recomendação é aumentar o consumo de frutas, saladas, vegetais grelhados e carnes brancas no almoço, pois refeições pesadas exigem maior fluxo sanguíneo para a digestão, aumentando o cansaço e a sensação de calor interno.

Se possível, limite o consumo de café preto, chá-mate e chá preto, que são diuréticos e termogênicos – aceleram a perda de líquidos e elevam sutilmente a temperatura do corpo. Molhe os pulsos e a nuca com água fria no banheiro a cada poucas horas, pois essas são zonas de alta vascularização; resfriá-las ajuda a baixar rapidamente a sensação térmica geral.

A adaptação das rotinas e vestimentas é fundamental para reduzir o desconforto térmico. Quando possível, troque os paletós, blazers, gravatas ou uniformes pesados, e incentive tecidos de fibras naturais respiráveis, como algodão e linho, em cores claras e modelagens soltas.

Por fim, fique atento a sintomas como tontura, vertigem ou confusão mental leve, dor de cabeça latejante súbita, cãibras musculares (sinal de perda de eletrólitos), pele excessivamente pálida e fria ou extremamente vermelha e quente, náuseas ou batimentos cardíacos acelerados, irritabilidade inexplicável e cansaço severo repentino. Caso algum colega servidor ou colaborador passe mal devido ao calor, remova a pessoa imediatamente para uma sala fria e bem ventilada, afrouxe roupas apertadas (botões da camisa, cintos), ofereça água fresca em pequenos goles (nunca force se a pessoa estiver desorientada), aplique compressas frias e úmidas na testa, axilas e pescoço.