Anselmo Guimarães, secretário-executivo do Consema, destaca conciliação entre políticas públicas e sociedade, enfatiza participação social, aborda questões climáticas e revela seu lado corintiano e músico, além de ser pai dedicado.

Responsável pelo trabalho do Consema há quase seis anos, Anselmo Guimarães aposta no diálogo permanente para aproximar mais políticas públicas e sociedade

Um dos rostos mais conhecidos da Semil é o do secretário-executivo do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema), Anselmo Guimarães. Pudera: além de funcionário de carreira – ingressou na então Secretaria do Meio Ambiente em junho de 2009, após ser aprovado em concurso para o cargo de Especialista Ambiental – e ter passado por diversas áreas, comanda, há quase seis anos, as reuniões mensais do conselho, que recentemente completou quatro décadas de atuação e é a gênese da Semil.

Anselmo tem como marcas de sua gestão no Consema o aumento da interlocução com diversos segmentos da sociedade e a mudança no perfil das pautas, que passou a debater temas contemporâneos. “Este ano de 2023 foi muito importante porque pudemos trazer pautas ainda em construção, não levamos pautas solidificadas apenas para votação e aprovação, mas sim fortalecemos esse caráter consultivo que a sociedade civil pleiteia tanto para que possa ter uma participação maior na política pública”, orgulha-se.

Para tornar essa mudança possível, o secretário-executivo apoia-se na experiência adquirida nas áreas técnicas da Semil, como fiscalização e auditoria, e também na iniciativa privada, onde atuou na construção civil (sua primeira formação é como técnico em Edificações, no Instituto Federal de São Paulo), em auditoria e nas áreas comercial e farmacêutica. Porém, confessa: “sempre tive interesse mesmo na administração pública, em trazer um pouco dessa experiência que eu tive na iniciativa privada pra cá, e foi de uma curva de aprendizado muito forte”.

Para além do Consema, Anselmo é pai da Maria Clara, de oito anos, e do Leonardo, de dois, corintiano apaixonado e cantor nas horas vagas; quando canta Queens, Led Zeppelin e outros clássicos do rock na banda Five O’Rock.

Curta Semil: Como você resumiria a sua trajetória na Semil?

Anselmo Guimarães: Tive uma trajetória prévia na iniciativa privada, mas sempre tive interesse mesmo na administração pública, em trazer um pouco dessa experiência da iniciativa privada. Ingressei na área de fiscalização, com a gestão de autos de infração ambiental. Era mais operacional mesmo e foi uma curva de aprendizado muito forte. Eu entrei de peito aberto para absorver a maior quantidade de informações e poder contribuir, trazer essas práticas e conhecimentos da gestão privada. Isso foi muito produtivo, a questão de normas e procedimentos, teve um grande avanço para as políticas de fiscalização e que perdura até hoje, como a instituição do programa de conciliação ambiental; que nada mais é do que aproximar a gestão pública com o interessado, a população. Não simplesmente chegar com instrumento de comando e controle, mas sim dar resolução. 

Em breve, você completará seis anos como secretário-executivo do Consema. A quê você atribui a longevidade no cargo? O que você vê como principal ganho do conselho neste período? 

Sempre procuro estar aberto para novos conhecimentos, novas práticas, novas visões. Às vezes, você acaba se preparando no decorrer com essa bagagem que a gente vai adquirindo, o Consema foi um mundo novo que se descortinou. Eu vinha da área técnica e de gestão, trazia essa bagagem de interlocução com diversos atores e o Consema trouxe essa nova interface com a sociedade civil, com atores de relevância da gestão pública e da iniciativa privada. Poder traduzir isso, e ser uma das portas de entrada desses pleitos que a sociedade traz, é muito gratificante. 

Geralmente, as pessoas que não conhecem têm uma visão sobre os conselhos como instâncias burocráticas e desnecessárias. Diante de todas as mudanças que estamos vivendo, no meio ambiente e na sociedade, você acredita que os conselhos tendem a adquirir mais relevância?

Precisamos estar sempre atentos e diligentes para que não ocorra essa situação. O Consema está há 40 anos em funcionamento, o surgimento dele foi justamente por conta disso, do contexto de redemocratização, da transformação da participação social, dos movimentos sociais para as instituições participativas. Até pelo dia a dia das pautas, muitas vezes os conselhos acabam virando uma da área de produção técnica. Este ano de 2023 foi muito importante, porque pudemos trazer pautas ainda em construção e não levamos pautas solidificadas apenas para votação e aprovação, mas sim fortalecemos esse caráter consultivo que a sociedade civil pleiteia tanto para que possa ter uma participação maior na política pública. E esse é o grande desafio, fazer com que o conselho não seja só uma instância burocrática, mas uma instância qualitativa para que as decisões se tornem bens públicos, para extrair os anseios e exprimir em políticas públicas, reconhecidas pela sociedade.

Falando em 2023, neste ano ficou muito claro que a mudança climática já está em curso, não é algo para daqui 50 ou 100 anos, como era a visão predominante até bem pouco tempo. Na sua opinião, este ano foi uma “virada de chave” nesta percepção?

É um processo de construção e aprendizado mútuo, em que a sociedade ajuda trazendo  novos olhares, e buscando auxiliar nas prioridades. A questão climática era tratada como algo distante, como uma questão incipiente. Começamos a ter avanços e iniciativas subnacionais, e o Estado de São Paulo como pioneiro em iniciativas, foi uma mudança de paradigma. Os entes subnacionais começaram a demonstrar participação, até porque são atores fundamentais para esse processo, e auxiliam nas ações locais e regionais, de emissão e adaptação. Cada vez mais a gente vai adentrando no corpo das políticas públicas e também tomando parte. Em 2023, tivemos muito mais elementos para perceber que já chegou. Acho que aquilo que a gente tava olhando lá pra frente, está acontecendo agora. Não diria que é uma mudança de chave, mas uma percepção aumentada dessa realidade, que a gente está vendo muito mais próxima do que a gente imaginava no começo.

E para finalizar, tem algum aspecto seu, fora Semil, que você que os seus colegas não conhecem? 

Eu acho que não, todo mundo sabe que sou corinthiano, adoro música, nas minhas horas vagas a gente faz umas brincadeiras com rock, isso já é sabido pelos companheiros. E sou pai da Maria Clara e do Leonardo. A melhor hora do dia é chegar em casa e ver aquele sorriso, é o que faz valer a pena toda essa correria. E eu sou muito grato por trabalhar na agenda do meio ambiente, porque meus filhos representam tudo aquilo que a gente está lutando, as futuras gerações, é pra eles que a gente trabalha.

Perfil – Anselmo Guimarães é secretário-executivo do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema).