Diretora de Bem-Estar Animal da Semil, Rebecca Politti, lidera programas inovadores que transformam a realidade de cães e gatos em São Paulo

Na Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), uma área vem conquistando cada vez mais destaque: a Diretoria de Bem-Estar Animal. Quem comanda essa missão é Rebecca Politti, médica-veterinária apaixonada por animais, que encontrou nas políticas públicas do Estado de São Paulo uma forma de gerar impacto real. À frente de uma equipe determinada, ela coordena programas estratégicos, como o Programa de Castração de Cães e Gatos e o Meu Pet, pioneiro na construção de clínicas veterinárias públicas para atendimento gratuito a tutores em situação de vulnerabilidade.

Para Rebecca, cuidar dos animais é também cuidar das pessoas e do meio ambiente. Nesta entrevista, ela fala sobre sua trajetória, os bastidores da diretoria, os maiores desafios e até um lado curioso de sua vida pessoal.

Curta Semil: Como é o seu dia a dia na Semil?

Rebecca Politti: Minha rotina é bastante intensa e multifacetada. Cada dia traz novos desafios, desde a coordenação de equipes e acompanhamento de programas até a solução de questões inesperadas que surgem na administração pública. Hoje, lidero uma equipe de dez pessoas altamente comprometidas, que atuam principalmente em duas frentes estratégicas: o Programa de Castração de Cães e Gatos, desenvolvido em parceria com municípios e ONGs, e o Programa Meu Pet, que considero uma verdadeira revolução, porque leva atendimento veterinário gratuito para quem mais precisa.

O trabalho exige planejamento detalhado, acompanhamento diário, análise de indicadores e, muitas vezes, decisões rápidas para lidar com situações imprevistas. É uma rotina que mistura gestão, estratégia e empatia, porque lidamos com políticas públicas que impactam diretamente a vida de pessoas e animais. Além disso, sempre busco integrar ações com outras áreas da Semil, garantindo que os programas tenham maior alcance e impacto sustentável.

Por que essa pauta é tão importante?

Essa pauta é fundamental porque trata de um tema que vai muito além do cuidado com animais: envolve saúde pública, bem-estar social e preservação ambiental. Em São Paulo, milhões de cães e gatos vivem em situação de rua, enfrentando fome, doenças e abandono. Essa realidade não é apenas uma questão de compaixão; ela representa riscos concretos para a sociedade, como a disseminação de zoonoses, acidentes causados por animais soltos e até impactos sobre espécies silvestres.

O Brasil é um país que ama pets e os trata como membros da família, mas, paradoxalmente, apresenta uma das maiores taxas de abandono do mundo. Mudar essa mentalidade exige esforços constantes de conscientização, educação e criação de políticas que incentivem a posse responsável.

Como começou sua história na Semil?

Minha trajetória na Semil começou quando a gestão atual decidiu transferir a área de Bem-Estar Animal da Saúde para a pasta de Meio Ambiente. Essa mudança foi estratégica e fez todo sentido, porque permitiu integrar as ações de bem-estar animal com programas de educação ambiental, fiscalização e preservação da biodiversidade. Com essa integração, conseguimos ampliar o alcance das políticas públicas e promover ações mais coordenadas, que beneficiam tanto os animais quanto a sociedade como um todo.

Desde então, tenho me dedicado a construir programas que gerem impacto real, trabalhando para engajar municípios, parceiros e a sociedade civil. Cada projeto que implementamos busca unir cuidado, prevenção e educação, mostrando que políticas públicas bem planejadas podem transformar a realidade de milhares de animais e, ao mesmo tempo, trazer benefícios sociais e ambientais significativos.

Qual projeto mais te marcou?

O projeto que mais me marcou, sem dúvida, é o Programa Meu Pet. Ele é pioneiro no Brasil e representa uma verdadeira inovação na forma como o governo estadual se relaciona com a população e com os animais. Nunca antes um estado havia construído clínicas públicas voltadas exclusivamente para atendimento veterinário gratuito, oferecendo serviços que incluem consultas, vacinação e acompanhamento de saúde para pets de tutores em situação de vulnerabilidade.

Já entregamos quatro clínicas, temos dezenas de consultórios funcionando e outras unidades em construção, como em Sorocaba e São José do Rio Preto. O impacto é imenso, porque um dos principais motivos de abandono de animais é a impossibilidade financeira de arcar com cuidados básicos. Com o Meu Pet, essas famílias agora têm acesso a atendimento de qualidade, e os animais recebem o cuidado que merecem. É inspirador ver a transformação na vida das pessoas e dos pets e saber que estamos contribuindo para reduzir o abandono e promover o bem-estar de forma ampla e sustentável.

Qual é o maior desafio da diretoria?

O maior desafio da diretoria é lidar com a enorme demanda e garantir que nossos programas cheguem a todos os municípios de São Paulo. Engajar 645 cidades não é tarefa simples: envolve mobilização, diálogo constante, articulação com gestores locais e superação de diferentes realidades regionais. Cada município tem necessidades e recursos próprios, e nosso trabalho é encontrar soluções que se adaptem a cada contexto.

Apesar da complexidade, cada cidade que se integra à nossa rede representa milhares de animais com um futuro melhor. É um trabalho contínuo de convencimento, construção de parcerias e sensibilização.

E no lado pessoal, qual o seu hobby favorito?

No meu tempo livre, gosto de atividades que me ajudem a relaxar e recarregar as energias. Um dos meus hobbies favoritos é jogar videogame. Pode parecer curioso para quem me vê sempre ocupada com reuniões e programas complexos, mas é algo que me faz muito bem. Comecei a jogar por influência dos meus irmãos gêmeos, quando eles tinham nove anos. No início, era apenas uma forma de brincar e me divertir com eles, mas rapidamente percebi que os jogos também eram uma excelente maneira de aliviar o estresse e exercitar a mente de forma criativa.

Além dos videogames, adoro fazer trilhas longas, estar em contato com a natureza e aproveitar momentos simples ao ar livre. Essas atividades me permitem desconectar da rotina intensa e renovar o foco, o que é essencial para manter o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal.

E, claro, você também tem pets, não é?

Sim, não poderia ser diferente! Tenho duas companheiras que são parte da minha família: a Buffy, uma vira-lata que está comigo há 14 anos, e a Shanti, uma gatinha que resgatei após uma enchente. Ambas são idosas, mas recebem todo cuidado necessário e vivem em um ambiente seguro e amoroso. Sempre digo que meus animais não são apenas animais de estimação: eles são membros da família!