02/03/2026

Annemarie Baronesa Conrad, nome de solteira de Ana Maria Primavesi, foi uma extraordinária engenheira agrônoma, radicada no Brasil, para onde emigrou, em 1948, estabelecendo sua residência definitiva. Nascida na Áustria, em 3 de outubro de 1920, Primavesi viveu os horrores da Segunda Guerra Mundial, chegando a ser presa em um campo de concentração sob comando dos ingleses, no final da Guerra.

Formou-se, em 1942, pela Universidade Rural para Agricultura e Ciências Florestais, mais conhecida como Boku. Para ter acesso à universidade, em uma Áustria ocupada pela Alemanha nazista, foi obrigada a cumprir nove meses de trabalho braçal no campo, em condições extremamente precárias e sem alimentação adequada. Persistiu e se formou, concluindo o Doutorado em “Cultura de Solos e Nutrição Vegetal”.

Em 1948, Ana Maria e seu esposo, Artur Primavesi, também engenheiro agrônomo formado pela mesma universidade, emigraram para o Brasil. A partir de então, Ana Maria Primavesi iniciou uma intensa produção acadêmica, que se contrapunha às ideias da Revolução Verde [*], defendendo uma relação equilibrada entre os seres humanos e a terra. Sua obra tornou-se referência na promoção de uma agricultura voltada à produção saudável de alimentos, que passava pelo cuidado com o solo. O solo vivo foi objeto de suas aulas, palestras, cursos e livros, explicitando que um solo sadio gera uma planta sadia e que plantas sadias formam seres sadios.

Ana é reconhecida como um dos pilares da Agroecologia, ciência que estuda a interação entre agricultura e meio ambiente, com o objetivo de alcançar o equilíbrio entre eles. É uma nova abordagem da agricultura, que integra as diversas descobertas e estudos da natureza e suas inter-relações aos aspectos econômicos, sociais e ambientais da produção de alimentos, para o desenvolvimento de ações que possibilitem o equilíbrio entre a atividade agrícola e a proteção ambiental. A Agroecologia é a base das principais vertentes da agricultura sustentável, como: Agricultura Orgânica ou Biológica; Agricultura Biodinâmica; Agricultura Natural e Permacultura.

Saiba mais: https://semil.sp.gov.br/educacaoambiental/prateleira-ambiental/agroecologia/

Foi também por seu conhecimento e didatismo que se tornou referência nos estudos sobre preservação do solorecuperação de áreas degradadas e manejo ecológico do solo, conceito este que deu nome ao seu livro mais conhecido, sendo considerado o livro mais importante da Agronomia pelos agroecologistasManejo ecológico do solo, o qual apresenta as bases fundamentais para o desenvolvimento da Agroecologia. Seus ensinamentos permanecem extremamente atuais diante da grave degradação do solo e do meio ambiente, tanto no Brasil, quanto no mundo. Primavesi dizia: “o solo não é um suporte para adubos, água de irrigação e culturas, mas um organismo vivo, cujo esqueleto é a parte mineral, os órgãos são os micróbios, que ali vivem e o sangue é a solução aquosa que circula por ele. Respira como qualquer outro organismo vivo e possui temperatura própria. Necessita tanto das plantas, como as plantas necessitam dele.”

Entre 1962 e 1974, foi professora da Universidade Federal de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, onde contribuiu para a organização do primeiro curso de pós-graduação em Agricultura Orgânica. Foi autora de vários livros e artigos acadêmicos e fundadora da Associação de Agricultura Orgânica (AOO). Ao longo de sua trajetória, recebeu diversas condecorações, entre elas o One World Award, o “Nobel” da agricultura, concedido pela Federação Internacional dos Movimentos da Agricultura Orgânica (IFOAM).

Ana Maria Primavesi faleceu em 5 de janeiro de 2020, aos 99 anos, em decorrência de problemas cardíacos. Seu legado em defesa de uma agricultura que preserva o solo e devolve a ele condições para que possa manter-se produtivo embasa um movimento irreversível na direção de uma agricultura ecológica.

Saiba mais sobre Ana Maria Primavesi e sua vasta produção em: https://anamariaprimavesi.com.br/

 

 

[*] A Revolução Verde foi um movimento de modernização da agricultura, em escala global, marcado pela incorporação de inovações tecnológicas na produção; pelo distanciamento da produção vegetal, da produção animal; por práticas de monocultura; pelo uso de sementes geneticamente modificadas; maquinários agrícolas e insumos químicos, como agrotóxicos e fertilizantes. Este modelo produtivo é conhecido também como agricultura convencional. A Revolução Verde teve alguns méritos: aumentou a produção mundial de alimentos e diminuiu os custos de produção. Porém, trouxe degradação dos solos, devido a erosão, acidificação, salinização e compactação; desmatamento; erosão genética e perda da biodiversidade pela especialização da produção; contaminação da água, dos solos e dos alimentos pelo uso inadequado de adubos químicos e agrotóxicos; intoxicação de agricultores, trabalhadores rurais e consumidores pelo uso indiscriminado de agrotóxicos; surgimento de novas pragas e/ou de pragas resistentes; concentração de renda e exclusão social.

 

👉 Qual mulher inspira você na defesa do meio ambiente?
Compartilhe aqui no Portal de EA! 💜

 

Veja também o que já foi publicado sobre esse assunto no
Portal de Educação Ambiental

Faça parte do Whatsapp do Portal e fique por dentro do que
Acontece no Portal de EA

____________________________________________


Texto: Denise Scabin (DEA/SEMIL) e Virgínia Mendonça Knabben
Fotos: https://anamariaprimavesi.com.br/curiosidades/fotos/

Gestão de conteúdo, planejamento e arte: Cibele Aguirre – DEA/ SEMIL

 

 

 

 

Referências

ANA MARIA PRIMAVESI. Biografia. Disponível em: https://anamariaprimavesi.com.br/
BORA – UNICAMP. Ana Maria Primavesi. Disponível em: https://bora.unicamp.br/colecoes/ana-maria-primavesi/
MUNDO EDUCAÇÃO – UOL. Revolução Verde. Paloma Guitarra. Disponível em: https://mundoeducacao.uol.com.br/geografia/a-revolucao-verde.htm
SÃO PAULO (Estado). Secretaria do Meio Ambiente / Coordenadoria de Biodiversidade e Recursos Naturais.
Cadernos de Educação Ambiental – 13 – Agricultura sustentável.  Kamiyama, Araci. São Paulo: SMA, 2011. Disponível em: https://smastr16.blob.core.windows.net/portaleducacaoambiental/sites/11/2019/03/06872miolo-reduzido.pdf

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *