20/05/2026

Para compreender a sustentabilidade no ambiente de trabalho, primeiramente, é necessário entender o que é sustentabilidade. Sustentabilidade é a capacidade de satisfazer as necessidades do presente, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de atender às suas próprias necessidades. Sustentabilidade não é moda e nem apenas uma tendência, mas é uma necessidade global, considerando os inúmeros problemas ambientais que afetam diretamente a saúde e a qualidade de vida das pessoas, em especial as mais vulneráveis, como a poluição, o esgotamento de recursos naturais, a perda de biodiversidade e as mudanças climáticas. É importante salientar que, a sustentabilidade, geralmente empregada na pauta ambiental, também se aplica a temas sociais, como as questões trabalhistas: trabalho que garante uma vida digna é trabalho produtivo, remunerado, exercido em condições de liberdade, equidade e segurança.

Órgãos públicos, empresas e organizações cada vez mais reconhecem a importância de incorporar práticas sustentáveis no ambiente de trabalho e nas suas atividades e adotar os princípios da responsabilidade social. A sustentabilidade no ambiente de trabalho compreende a incorporação de práticas e políticas que têm como principais objetivos reduzir o impacto ambiental, promover o bem-estar dos trabalhadores e contribuir para a comunidade local. Aplicar práticas sustentáveis no ambiente de trabalho ajuda a reduzir custos, melhora a eficiência, aumenta a reputação do órgão ou empresa, promove a valorização dos trabalhadores, atrai talentos e contribui para um meio ambiente mais saudável e equilibrado. Já, a responsabilidade social, segundo a ISO 26000 (definição também adotada pela norma Brasileira ABNT NBR 16001), é a responsabilidade de uma organização pelos impactos de suas decisões e atividades na sociedade e no meio ambiente, por meio de um comportamento ético e transparente que:

  • contribua para o desenvolvimento sustentável, inclusive a saúde e o bem estar da sociedade;
  • leve em consideração as expectativas das partes interessadas:
  • esteja em conformidade com a legislação aplicável;
  • seja consistente com as normas internacionais de comportamento e
  • esteja integrada em toda a organização e seja praticada em suas relações.

Responsabilidade Social se aplica a todos os tipos e portes de organizações: privadas, públicas ou organizações sem fins lucrativos, sejam elas pequenas, médias ou grandes.

No Brasil, foi criado um programa de governo, do Ministério do Meio Ambiente, que visa implementar a responsabilidade socioambiental nas atividades administrativas e operacionais da administração pública: a Agenda Ambiental na Administração Pública (A3P). A A3P destina-se aos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, nas instâncias municipal, estadual e federal.

O programa foi criado para a administração pública, mas seu modelo de gestão socioambiental pode ser utilizado por outros segmentos da sociedade. A A3P tem como principais objetivos: sensibilizar os gestores públicos para as questões socioambientais; estimular a adoção de novos critérios de sustentabilidade no âmbito da administração pública; aumentar a eficiência da gestão, promover a economia de recursos naturais e de gastos institucionais; contribuir para a revisão dos padrões de produção e consumo. A A3P foi proposta, em 1999, com o objetivo de rever os padrões de consumo e adotar novas referências na busca da sustentabilidade socioambiental. Ao seguir as diretrizes estabelecidas pela Agenda, o órgão público protege a natureza e, consequentemente, consegue reduzir seus gastos.

Os eixos temáticos da A3P são:

1 – Uso racional dos recursos naturais e bens públicos

2 – Gestão adequada dos resíduos gerados

3 – Melhoria da qualidade de vida no ambiente de trabalho

4 – Sensibilização e capacitação dos servidores

5 – Contratação de bens e serviços com sustentabilidade

6 – Implementação de critérios para construções sustentáveis

Saiba mais sobre a A3P em: a3p.mma.gov.br

 

Mas, como ser sustentável no trabalho?

Por meio da…

  • Realização de campanhas de sensibilização para a redução no consumo de energia e água: é fundamental desligar interruptores de luz, aparelhos de ar condicionado e computadores ao final do expediente. Também é fundamental usar a água racionalmente. Para isso, podem ser feitas capacitações dos funcionários, disponibilizadas cartilhas com orientações e colocados adesivos com boas práticas em locais estratégicos, como, por exemplo: ao lado de interruptores de luz, ao lado de computadores e monitores, ao lado de torneiras e válvulas de descargas.
  • Promoção da coleta seletiva e da reciclagem, com a colocação de lixeiras separadoras de materiais recicláveis dos não recicláveis, para destinação adequada dos materiais recicláveis: papel, plástico, metal e vidro;
  • Colocação de coletores de copos plásticos, de água e de café, com vistas à reciclagem;
  • Colocação de coletores de cápsulas de café para promoção da logística reversa desse material;
  • Colocação de caixas coletoras de pilhas e baterias de celular;
  • Promoção da redução do gasto de papel, por meio de orientações aos funcionários e colaboradores quanto ao uso dos dois lados do papel nas impressões. Podem ser colocados adesivos com boas práticas ao lado das impressoras.
  • Adoção de impressoras coletivas, com configuração padrão para imprimir em frente e verso;
  • Envio de cartuchos e toners de impressoras para a logística reversa;
  • Reutilização do papel descartado com um lado limpo para confecção de blocos de anotações;
  • Aquisição de canecas duráveis ou copos de vidro para a redução do uso de copos descartáveis por parte dos funcionários;
  • Promoção da realização de compras públicas sustentáveis.
  • Adaptação das edificações, assim que possível, para que atendam aos critérios de sustentabilidade e acessibilidade. Alguns exemplos são: instalação de lâmpadas LED, que consomem menos energia; instalação de torneiras com temporizadores; instalação de caixas acopladas nos vasos sanitários de 3L e 6L; instalação de sensores de presença e fotocélulas em áreas comuns e externas; instalação de placas fotovoltaicas (energia solar); instalação de janelas amplas para boa iluminação natural e ventilação cruzada; pintura clara nas paredes; aquisição de eletrodomésticos, computadores, monitores e aparelhos de ar condicionado mais eficientes, com selo PROCEL; instalação de rampas de acesso; elevadores para idosos e cadeirantes; instalação de banheiros adaptados; instalação de piso tátil, etc.
  • Colocação de sinalização e realização de limpeza dos espaços.
  • Captação da água de chuva em cisternas, para seu reuso na jardinagem e lavagem de pisos;
  • Plantio de árvores nativas na área interna do órgão ou empresa e na sua calçada e entorno, com a adoção de calçadas ecológicas;
  • Promoção do uso do transporte público; da carona solidária entre funcionários e colaboradores; e do uso de bicicletas. Fazer a instalação de bicicletários.
  • Disponibilização de material educativo com informações sobre os 5 R: Repensar, Recusar, Reduzir, Reutilizar e Reciclar.
  • Disponibilização de cartilhas contendo orientações para a separação dos resíduos no trabalho e em casa;
  • Capacitação de todos os funcionários sobre a importância do seu papel na coleta seletiva solidária e na logística reversa;
  • Disponibilização de material educativo sobre economia de água e energia;
  • Instituição de um Programa de Qualidade de Vida, com o objetivo de proporcionar aos funcionários um sistema integrado e contínuo de ações voltadas para a melhoria da qualidade de vida e para a manutenção ou o restabelecimento de um ambiente de trabalho salubre e saudável.
  • Promoção de ações para erradicar o trabalho infantil e o trabalho em condições análogas à escravidão;
  • Promoção da formalização de vínculos empregatícios, para assegurar aos trabalhadores proteção trabalhista e previdenciária;
  • Combate à discriminação e promoção da igualdade de oportunidades no trabalho;
  • Promoção da urbanidade; respeito; cortesia; igualdade; eficiência; segurança; e ética no trabalho.
  • Promoção do diálogo com os representantes de trabalhadores e empregadores, bem como com os demais atores que possam contribuir para a promoção do trabalho digno;
  • Realização de ações de sensibilização e capacitação dos trabalhadores, empregadores e sociedade civil sobre normas de proteção ao trabalho, de segurança, saúde e sustentabilidade no trabalho.

 

 

 

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Texto: Denise Scabin – DEA/SEMIL
Gestão de conteúdo, planejamento e arte: Cibele Aguirre – DEA/ SEMIL

 

 

 

 

 

 

 

Referências

AGÊNCIA NACIONAL DE ÁGUAS E SANEAMENTO BÁSICO (ANA). Principais linhas de ação da A3P na ANA. Disponível em: https://www.gov.br/ana/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/gestao-ambiental-e-sustentabilidade/agenda-ambiental-na-administracao-publica-a3p
MMA. Folder informativo A3P. Disponível em: http://a3p.mma.gov.br/wp-content/uploads/Biblioteca/Documentos/Folder-3%C2%AA-edi%C3%A7%C3%A3o-Ago-2018.pdf
MMA. Compreendendo a responsabilidade social ISO 26000 E ABNT NBR 16001. Disponível em: http://a3p.mma.gov.br/wp-content/uploads/Biblioteca/Documentos/LIVRO_ISO-MMA_WEB.pdf
MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO.
Programa Trabalho Sustentável. Disponível em: https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/assuntos/inspecao-do-trabalho/trabalho-sustentavel
SÃO PAULO (ESTADO). Secretaria do Meio Ambiente / Coordenadoria de Planejamento Ambiental. Habitação Sustentável. São Paulo: SMA/CPLA, 2011.