
27/10/2026
Produzir alimentos de forma responsável, preservando os recursos naturais e promovendo qualidade de vida para as atuais e futuras gerações.
Se por um lado, a modernização agrícola aumentou a produtividade das lavouras, por outro, aumentou, também, os impactos ambientais.
Com a agricultura convencional e intensiva, houve um aumento considerável da degradação ambiental. As principais causas de degradação ambiental relacionadas com as atividades agrícolas são: desmatamento, queimadas, erosão, utilização irracional de insumos (corretivos, fertilizantes, defensivos), uso excessivo de água, lançamento de resíduos sólidos inadequadamente no solo, disposição de esgotos no solo (fossas negras), lançamento de pesticidas e agrotóxicos na água e no solo.
A preocupação com o meio ambiente, a saúde, a segurança alimentar e a qualidade de vida das pessoas, e a necessidade que o desenvolvimento da agricultura atenda às necessidades das atuais e próximas gerações, levou ao surgimento de um novo modelo de agricultura: a “agricultura sustentável”.
O conceito de “agricultura sustentável” se disseminou de forma mais ampla após a Eco-92. A agricultura é sustentável quando é capaz de aumentar o rendimento agrícola, e reduzir o seu impacto ambiental e o uso de recursos naturais.
Ações promovidas pela agricultura sustentável
Dentre as ações promovidas na agricultura sustentável estão:
- o uso racional de água e reuso de água da chuva;
- o uso de energias limpas e renováveis, como a solar e a eólica;
- a prática de técnicas de conservação da fertilidade do solo, que não causem sua erosão.
A intenção não é só proteger e aperfeiçoar o uso do solo, mas proteger o meio ambiente, a saúde das pessoas, melhorar as condições de vida do trabalhador do campo e proporcionar a produção de alimentos saudáveis, sem o uso de agrotóxicos, fertilizantes e transgênicos, de modo que o impacto ambiental seja o menor possível.
De acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO):
“Agricultura sustentável é o manejo e a conservação da base de recursos naturais e a orientação tecnológica e institucional, de maneira a assegurar a obtenção e a satisfação contínua das necessidades humanas para as gerações presentes e futuras. Tal desenvolvimento sustentável (agricultura, exploração florestal e pesca) resulta na conservação do solo, da água e dos recursos genéticos animais e vegetais, além de não degradar o ambiente, ser tecnicamente apropriado, economicamente viável e socialmente aceitável.” (FAO, 1999.)
Segundo a NCR:
“A agricultura sustentável não constitui algum conjunto de práticas especiais, mas sim um objetivo: alcançar um sistema produtivo de alimento e fibras que aumente a produtividade dos recursos naturais e dos sistemas agrícolas; produza alimentos sadios, integrais e nutritivos; garanta renda suficiente aos agricultores; e corresponda às normas e expectativas da comunidade.” (National Research Council, 1989.)
Agroecologia e correntes da agricultura sustentável
A Agroecologia é a base das principais “vertentes” ou “correntes” de uma agricultura sustentável, como:
- A Agricultura Orgânica ou Biológica;
- A Agricultura Biodinâmica;
- A Agricultura Natural;
- A Permacultura.
De acordo com a Lei Federal nº 10.831, de 23 de dezembro 2003:
“Considera-se sistema orgânico de produção agropecuária todo aquele em que se adotam técnicas específicas, mediante a otimização do uso dos recursos naturais e socioeconômicos disponíveis e o respeito à integridade cultural das comunidades rurais (…) e a proteção do meio ambiente”.
A agricultura orgânica utiliza menos energia fóssil; conserva mais água no solo; provoca menos erosão, mantendo a qualidade do solo; e conserva mais recursos biológicos do que a agricultura convencional.
A agricultura biodinâmica é um sistema de manejo agrícola embasado nos princípios da Antroposofia. São características deste sistema o uso de conhecimentos astronômicos nas atividades agrícolas e criações animais, bem como a interação de forças espirituais com plantas, animais e o homem.
A agricultura biodinâmica e a agricultura orgânica têm em comum o uso sustentável dos recursos naturais; a não utilização de agrotóxicos, transgênicos e substâncias nocivas ao solo, aos animais e à saúde humana.
Na agricultura natural há pouca movimentação do solo, a qual é substituída por roçadas, cobertura verde, semeaduras consorciadas de cereais com leguminosas ou mistura de hortaliças e ervas aromáticas, integradas a cultivos de frutas perenes.
Na permacultura, também chamada de agricultura permanente, procura-se praticar uma agricultura o mais integrada possível com o ambiente natural, imitando a composição espacial das plantas encontradas nas matas naturais.
A agricultura sustentável, portanto, tem como objetivo principal a implementação de ações na agropecuária e na silvicultura, que diminuam os graves impactos provocados pela agricultura tradicional, e promovam uma relação equilibrada entre agricultor e meio ambiente.

Saiba mais
Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 2 – Fome Zero e Agricultura Sustentável
Erradicar a fome, alcançar a segurança alimentar, melhorar a nutrição e promover a agricultura sustentável.
Agricultura Sustentável
Produzir alimentos preservando os recursos naturais, protegendo a biodiversidade e
promovendo qualidade de vida é um dos grandes desafios e compromissos para um futuro sustentável.
Referências e fontes consultadas
MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO. Comunicado Técnico 132. A Agricultura e o Desafio do Desenvolvimento Sustentável. Derli Prudente Santana. MG, 2005.
NARVAES, Patrícia. Dicionário Ilustrado de Meio Ambiente. 2ª edição. São Caetano do Sul, SP. Yendis Editora; Secretaria do Meio Ambiente. São Paulo, 2012.
SÃO PAULO (ESTADO). Secretaria do Meio Ambiente. Cadernos de Educação Ambiental – 13. Agricultura Sustentável. São Paulo: SMA, 2011.
Texto: Denise Scabin – DEA/SEMIL
Gestão de conteúdo, planejamento e arte: Cibele Aguirre – DEA/ SEMIL