05/05/2026

O maior acidente radiológico do Brasil e o maior da história, fora de uma usina nuclear, aconteceu em Goiânia, capital de Goiás, no ano de 1987. O acidente, que matou quatro pessoas e impactou, direta e indiretamente, a vida de centenas de pessoas, ocorreu devido ao manuseio indevido de um aparelho de radioterapia abandonado, nas ruínas do Instituto Goiano de Radioterapia. O aparelho, que foi violado, continha uma cápsula com um elemento químico dentro, chamado Césio 137.

O Césio 137 (137Cs) é um isótopo radioativo do elemento césio, derivado de processos de fissão nuclear (reação nuclear em que o núcleo atômico se divide em duas partes ou mais, liberando grande quantidade de energia), de elementos pesados, como o urânio-233, o urânio-235 e o plutônio-239 (Mundo Educação). O Césio 137 se caracteriza como um pó azul brilhante, altamente radioativo, que emite raios gama, radiação ionizante extremamente perigosa e que pode penetrar profundamente nos seres vivos.

O aparelho de radioterapia abandonado foi retirado do local, por catadores, e violado. Por conter chumbo e ferro, materiais de certo valor financeiro, a fonte foi vendida para um ferro-velho, cujo dono terminou o desmonte da peça e a repassou a outros dois depósitos, além de distribuir (sem saber do que se tratava) os fragmentos do material radioativo, de aparência brilhante e fascinante, a parentes e amigos, os quais, por sua vez, os levaram para suas casas.

Com isso, os fragmentos de Césio 137 foram espalhados no meio ambiente, causando a contaminação de diversos locais, especialmente daqueles onde houve o desmonte do aparelho e manipulação do material e para onde foram levadas as várias peças do aparelho de radioterapia. As partículas de césio começaram a se espalhar por ação do vento, contaminando o solo, plantas, animais e pessoas, que devido ao contato com o elemento químico, tornaram-se fontes irradiadoras, contaminando os locais que frequentavam.

O césio 137 é um radioisótopo utilizado no tratamento do câncer e como esterilizante em processos industriais e no setor de alimentos. Porém, quando manipulado de forma inadequada, e por ser altamente radioativo, pode ser letal.  O césio 137 provoca queimaduras, tonturas, vômitos e diarreia, e danos ao sistema neurológico, podendo levar à morte. No acidente de Goiânia, quando a cápsula selada foi violada, o material (um pó branco/azulado brilhante) penetrou na pele das pessoas que tiveram contato com ele, e, em alguns casos, foi inalado ou ingerido. A radiação gama e beta do césio danifica células da medula óssea, pele, sistema gastrointestinal, causando a Síndrome Aguda da Radiação.

Algumas pessoas afetadas pela exposição ao césio 137 buscaram assistência médica em hospitais locais. Inclusive, a esposa do dono do ferro-velho, que percebeu que todos os seus familiares que tiveram contato com a peça e a estranha substância azul, estavam passando mal. Ela, então, levou a peça para a Divisão de Vigilância Sanitária, da Secretaria Estadual de Saúde, onde o material foi identificado como radioativo. Imediatamente, foi iniciada uma grande operação para tratar as pessoas contaminadas, localizar aqueles que tiveram contato com o material e descontaminar a população, as áreas de solo atingidas e conter a dispersão do césio-137 pelo ambiente.

Em 29 de setembro de 1987, foi identificado o acidente radiológico e comunicado à Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), que notificou a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Além do grave impacto na vida das pessoas, o acidente de Goiânia gerou 6 mil toneladas de lixo radioativo, como roupas, utensílios domésticos, móveis e até casas inteiras, que foram acondicionados em contêineres concretados. O depósito dos rejeitos radioativos localiza-se na cidade de Abadia de Goiás. Nesse local, a CNEN instalou, também, o Centro Regional de Ciências Nucleares do Centro-Oeste, que executa a monitoração dos rejeitos radioativos e o controle ambiental.

 

 

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Texto: Denise Scabin – DEA/SEMIL

Gestão de conteúdo, planejamento e arte: Cibele Aguirre – DEA/ SEMIL

 

 

 

 

 

Referências

ALMEIDA, Frederico Borges de. O Acidente Radioativo em Goiânia; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/fisica/o-acidente-radioativo-goiania.htm. Acesso em 15 de abril de 2026.
DANTAS, Robson Alves. Fissão nuclear; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/fisica/fissao-nuclear.htm.
G1. Césio 137: maior acidente radiológico da história aconteceu em Goiás e afetou mais de mil pessoas; relembre. Disponível em: https://g1.globo.com/go/goias/noticia/2023/07/06/cesio-137-maior-acidente-radiologico-da-historia-aconteceu-em-goias-e-afetou-mais-de-mil-pessoas-relembre.ghtml
G1. Com cuidados ‘extremos’, depósito em Abadia de Goiás guarda 6 mil toneladas de rejeitos do césio-137. Disponível em: https://g1.globo.com/goias/noticia/com-cuidados-extremos-deposito-em-abadia-de-goias-guarda-6-mil-toneladas-de-rejeitos-do-cesio-137.ghtml
GOVERNO DO ESTADO DE GOIÁS. História do Césio 137 em Goiânia. Disponível em: https://goias.gov.br/saude/historia-do-cesio-137-em-goiania/
MUNDO EDUCAÇÃO. Césio-137; Ana Luiza Lorenzen Lima. Disponível em: https://mundoeducacao.uol.com.br/quimica/cesio-137.htm
NOVAIS, Stéfano Araújo. Acidente com césio-137 em Goiânia; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/quimica/acidente-cesio137.htm. Acesso em 15 de abril de 2026.