13/01/2026

Sinantropia é a habilidade que certas espécies de animais silvestres (mamíferos, aves ou insetos) possuem de adaptação às condições urbanas criadas pelo homem, frequentando o ambiente urbano e as habitações humanas. Esses animais, muitas vezes, podem transmitir doenças às pessoas e aos animais domésticos. Os animais sinantrópicos mais comuns das cidades, como São Paulo, por exemplo, são: aranhas, baratas, carrapatos, escorpiões, formigas, lacraias, marimbondos, morcegos, moscas, mosquitos, pombos, pulgas, ratos, taturanas e vespas

Alguns destes animais são classificados como peçonhentos, pois podem injetar veneno em suas presas. São exemplos: a aranha, o escorpião e a vespa. Outros animais sinantrópicos são considerados pragas por serem transmissores de doenças, como os mosquitos, os pombos e os ratos. Alguns desses animais são fundamentais na natureza, como as abelhas e os morcegos, que são polinizadores e devem ser preservados.

Para controlar a presença dos animais sinantrópicos, é fundamental ter atenção aos chamados “quatro As”: água, alimento, abrigo e acesso, necessários para sua sobrevivência, ou seja, é importante tomar alguns cuidados como, por exemplo: não acumular lixo, deixar o lixo bem embalado e as lixeiras tampadas, não deixar água acumulando em pratinhos de vasos de plantas, potes ou pneus, tampar caixas d’água, deixar alimentos embalados e guardados, colocar telas nas janelas e portas, não acumular entulho e madeira, vedar forros de telhados e possíveis entradas em porões e sótãos.

 

Conheças alguns animais sinantrópicos e como evitá-los:

Aranhas
A maior parte das aranhas que aparecem nas casas ou no trabalho são inofensivas. Porém, existem espécies que podem causar problemas graves à saúde, em caso de picada: a aranha-marrom (gênero Loxosceles), com apenas três centímetros de comprimento, possui um veneno que pode causar necrose no local da picada e até levar à morte; a aranha armadeira (gênero Phoneutria), que pode chegar a até 17 centímetros de comprimento, vive entre as folhas e galhos dos arbustos ao redor das casas, mas ao saírem à noite para caçar insetos, podem entrar nas residências, onde se instalam dentro de armários e sapatos, o que pode causar acidentes; a aranha-marrom costuma viver atrás de móveis, encostada em paredes, em garagens e porões e também tem hábitos noturnos. As picadas com a aranha-marrom ocorrem quando ela se esconde entre as roupas nos armários ou, enquanto se deslocam nos tetos, durante a noite e caem em cima de pessoas que estão dormindo, que podem ser picadas quando se mexem. Como é muito difícil distinguir qual espécie é inofensiva e qual é perigosa, recomenda-se procurar um serviço médico em caso de picada e, se possível, levar o animal junto ou até uma foto do animal, para que os profissionais de saúde consigam identificar a espécie. Ao ver uma aranha, não toque nela. Tente colocá-la para fora da residência com uma vassoura.

 

Baratas
Por carregarem agentes patógenos em seu corpo, as baratas domésticas são responsáveis pela transmissão de inúmeras doenças, como gastroenterites. Estes insetos possuem hábitos noturnos e procuram por locais quentes, úmidos e alimento. Por isso, é importante fechar bem o lixo, manter os alimentos guardados em recipientes fechados e manter os armários, gavetas e despensas fechados e limpos.

 

Carrapatos
Alguns carrapatos encontrados nas cidades, como São Paulo, por exemplo, são o carrapato-vermelho-do-cão, parasita de cães domésticos e outros animais, que raramente parasita o homem; o carrapato-estrela, que parasita cavalos, capivaras, bovinos e o homem. Este tipo de carrapato pode estar presente em parques, praças e terrenos baldios. O carrapato-amarelo-do-cão ocorre em áreas de Mata Atlântica, como parques e reservas florestais, parasitando animais silvestres. Porém, ao adentrarem estas áreas, os cães podem se infestar, levando os carrapatos para outros locais, e, consequentemente, parasitando o homem. Os carrapatos podem transmitir doenças para o homem como a febre maculosa (carrapato-estrela e carrapato-amarelo-do-cão) e também podem transmitir doenças aos animais domésticos.

 

Escorpiões
São animais que podem causar problemas graves, em especial nas crianças e idosos, devido ao seu veneno. Os escorpiões aparecem em áreas verdes, parques, cemitérios, terrenos baldios, linhas de trem, em galerias de esgoto, bueiros de águas pluviais e de instalações elétricas, dentre materiais de construção e entulhos e nas margens de córregos. Por isso, é importante não acumular sujeira e entulho, vedar frestas em paredes, muros e piso, além de preservar seus predadores naturais, como o sapo, a coruja, o gavião e a lagartixa.

 

Morcegos
Os morcegos são animais de hábitos noturnos e possuem grande importância na natureza, pois ajudam no controle de insetos e são polinizadores, espalhando sementes e frutos, e colaborando na recuperação de áreas degradadas. É importante destacar que os morcegos que se alimentam de sangue não estão presentes no ambiente urbano. Porém, todas as espécies de morcego podem adquirir e transmitir doenças para o homem e outros animais. As principais são a raiva, transmitida principalmente pela mordida de mamíferos infectados ou doentes, e a histoplasmose, transmitida pela inalação, em ambiente fechados, de fungos presentes nas fezes de morcegos. Estes animais costumam ficar em locais como sótãos, forros de telhados, porões, lareiras, copas e cascas de árvores. Caso encontre um morcego, não toque nele e chame as autoridades responsáveis.

 

Mosquito Aedes aegipty
O mosquito Aedes aegypti é o transmissor da dengue, zika, chikungunya e febre amarela para o homem. Uma característica dessa espécie é a presença de marcações brancas nas patas e no dorso. A fêmea tem hábitos diurnos e se alimenta de sangue humano, para fazer a maturação dos seus ovos. Porém, ela pode picar à noite também. Quando uma fêmea do Aedes aegypti pica uma pessoa com dengue, adquire o vírus e, após alguns dias, ao picar outras pessoas, pode transmitir a doença. Ela põe seus ovos em locais com água parada, chamados de criadouros, como: baldes, pratinhos de vasos, caixas d’água abertas, pneus, latas, garrafas etc. Por isso é fundamental eliminar esses criadouros.

 

Pombos
Os pombos das cidades costumam construir seus ninhos em locais altos, como prédios, torres de igreja, forros de telhados e beirais de janelas. Se alimentam de grãos e sementes, além de restos de alimentos. Estas aves são hospedeiras de parasitas, como bactérias e fungos, causadores de doenças como criptococose, histoplasmose e ornitose, que são transmitidas por meio da inalação de poeira contendo fezes de pombos secas e contaminadas. As fezes também podem contaminar alimentos e infectar pessoas com salmonelose, por exemplo. Por isso, é fundamental vedar bem os forros de telhados e não deixar restos de alimentos que possam atrair pombos e outros animais.

 

Ratos
Os ratos podem contaminar o ambiente com urina, fezes e pelos, representando grande risco à saúde pública. Vivem em locais como quintais e jardins, telhados, galerias de esgotos e, até mesmo, dentro de armários e fogões, no caso dos camundongos. Se alimentam principalmente de restos de alimentos e do lixo doméstico. Os ratos urbanos podem transmitir leptospirose, peste bubônica, tifo murino, hantavirose, salmonelose, além de provocarem acidentes por mordedura. Portanto, para evitar a presença de roedores, é fundamental fechar bem o lixo, limpar bem as áreas interna e externa da casa.

 

 

 

 

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Texto: Denise Scabin – DEA/SEMIL
Gestão de conteúdo, planejamento e arte: Cibele Aguirre – DEA/ SEMIL

 

 

 

 

Referências

CIDADE DE SÃO PAULO. Animais sinantrópicos: saiba quais são os principais e as doenças que transmitem. Disponível em: https://capital.sp.gov.br/w/noticia/animais-sinantropicos-saiba-quais-sao-os-principais-e-as-doencas-que-transmitem
SÃO PAULO (ESTADO). Cadernos de Educação Ambiental Fauna Urbana, Vol. I. São Paulo: SMA/CEA, 2013.