Treinamento tem objetivo de  apresentar  diversas doenças circulantes na fauna silvestre paulista e os riscos para a saúde humana

Uma parceria entre as Secretarias de Infraestrutura e Meio Ambiente (SIMA) e de Saúde (SES)  promoveu a capacitação em Vigilância de Fauna Silvestre das equipes de ambas as secretarias na quinta-feira, 8 de abril. No treinamento foram abordados temas como saúde única, trabalho em conjunto entre as diferentes pastas e degradação da biodiversidade, diretamente relacionada ao risco de surgimento de doenças.

Durante  a capacitação,  a especialista ambiental da SIMA Helia Maria Piedade ressaltou a relação da emergência e reemergência de doenças infecciosas com a interface entre homem e animais silvestres, como ocorrido na pandemia de COVID-19.

Já a epidemiologista Leila del Castillo Saad, do Coordenadoria de Vigilância Epidemiológica (CVE/SES), falou sobre o programa de vigilância de epizootias, exemplo bem-sucedido para prevenção de Febre Amarela nos humanos, por meio da detecção de casos em primatas. “A vigilância de Febre Amarela em primatas foi instituída em 2003 e hoje é um sistema organizado e sensível, com dados qualificados, o que norteou a criação de abordagens inovadoras”. Ela destacou também a importância do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), para a colheita sistemática de dados, o que permite o acompanhamento de séries históricas.

O  evento contou também com a divulgação de ações para a vigilância de fauna silvestre e a importância dos empreendimentos de fauna como sentinelas, por meio do projeto coordenado pela pesquisadora Natália Fernandes, do Centro de Patologia do Instituto Adolf Lutz (IAL). A iniciativa pioneira tem o objetivo de conhecer a diversidade de doenças circulantes na fauna silvestre paulista e avaliar os potenciais riscos para a saúde humana.

Em execução desde julho de 2019, o projeto terá nova fase de expansão incluindo empreendimentos de fauna do Estado, os quais atuarão como sentinelas. A abordagem será baseada na avaliação de amostras de animais encontrados mortos, suspeitos para doenças infecciosas. Além disso, serão compilados e organizados os resultados, permitindo auxiliar, futuramente, na tomada de decisão frente a eventos de saúde pública. A pesquisadora explicou ainda que o método de análise escolhido, exame de lâminas, é pouco oneroso e permite a distinção de uma série de doenças, com aprofundamento posterior por outras metodologias mais avançadas.

A abertura do treinamento  foi feita pelas diretoras Vilma Clarice, do DeFau, e Roberta Spinola, da divisão de zoonoses do CVE (SES). Moderado pela analista Carolina Vanin, da SIMA, contou com a participação de representantes de prefeituras municipais, de empreendimentos de fauna silvestre como Zoológicos e Centros de Triagens, além de técnicos das vigilâncias epidemiológicas de regionais de saúde e dos laboratórios do IAL.

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