Ana Seabra é diretora de Parques Urbanos da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) e comanda uma equipe dedicada a garantir que esses espaços sejam seguros, bem-cuidados e cada vez mais acessíveis à população. À frente de projetos estratégicos, ela enfrenta diariamente desafios que impactam diretamente a qualidade de vida de milhões de paulistas.

Sua trajetória na administração pública começou há mais de 15 anos, ainda como estagiária na então Coordenadoria de Biodiversidade e Recursos Naturais (CBRN). Desde então, Ana se destacou em projetos de grande relevância e assumiu a liderança da Diretoria de Parques Urbanos, onde está há seis anos, sendo cinco como diretora.

Para além da rotina intensa no serviço público, ela encontra tempo para seus hobbies: o ciclismo e a corrida de rua. Mais do que um passatempo, o esporte é sobre valores – disciplina, superação e espírito de equipe – que se refletem diretamente em sua atuação profissional.

Como é a sua rotina na Semil?

Atualmente sou diretora de Parques Urbanos da Semil, e posso dizer que minha rotina é intensa. Estamos diariamente à frente da gestão de diversos parques urbanos espalhados pelo Estado de São Paulo, o que envolve uma multiplicidade de questões: desde a segurança e a manutenção até a qualidade da experiência oferecida aos frequentadores. Costumo brincar que tenho 15 milhões de fiscalizadores – todos os usuários que visitam os parques e estão sempre atentos ao que fazemos. Essa dimensão do trabalho nos dá uma responsabilidade enorme e constante, porque os parques não param: são espaços que respiram 24 horas por dia, exigindo planejamento, atenção e, sobretudo, sensibilidade para lidar com as demandas de um público tão diverso.

Como começou sua trajetória na secretaria?

Minha trajetória começou em 2010, quando ingressei como estagiária na antiga Coordenadoria de Biodiversidade e Recursos Naturais (CBRN). Foi uma oportunidade muito rica, que me proporcionou um aprendizado sobre o funcionamento da administração pública e as políticas ambientais. Quando meu estágio terminou, fui convidada a integrar a equipe terceirizada de um projeto realizado em parceria com o Banco Mundial. Atuei por quase dez anos na área financeira do projeto, fazendo a gestão dos repasses e garantindo a execução dos convênios. 

Depois desse período, fui convidada a compor a equipe da Coordenadoria de Parques e Parcerias. Um ano após essa transição, assumi a função de coordenadora e, mais tarde, a direção da área, onde estou atualmente há seis anos. Foi uma evolução natural, fruto de muito trabalho e dedicação.

O que motivou você a escolher a carreira pública?

A convivência com profissionais sensatos, sérios e extremamente comprometidos com a causa pública foi determinante na minha escolha. Tive o privilégio de trabalhar com pessoas que me mostraram como é gratificante atuar na administração pública e como é possível transformar a vida das pessoas através de políticas bem estruturadas. 

Apesar de ter tido a oportunidade de empreender, percebi que meu propósito está no serviço público, contribuindo para o bem coletivo. Trabalhar para o Estado significa, para mim, atuar em uma área de impacto social profundo e de grande responsabilidade.

Quais são seus hobbies fora do trabalho?

Sou uma entusiasta dos esportes, principalmente do ciclismo e da corrida de rua. A corrida me acompanha há bastante tempo, mas o ciclismo surgiu na minha vida mais recentemente, há cerca de três ou quatro anos, e acabou se transformando em uma paixão. O esporte é, para mim, muito mais do que uma atividade física: é uma forma de equilibrar a rotina, aliviar o estresse e, ao mesmo tempo, desenvolver competências que utilizo também na gestão, como o foco, a disciplina e o trabalho em equipe. No ciclismo, por exemplo, aprendi que uma queda pode afetar todo o pelotão — e isso reforça a importância da cooperação, do cuidado com os colegas e da responsabilidade com o grupo, valores que levo para a vida.

Como você concilia o esporte com a rotina de trabalho?

Conciliar o esporte com as demandas do trabalho não é simples, mas é possível com organização e disciplina. Costumo acordar muito cedo, por volta das quatro da manhã, para treinar antes de começar a jornada de trabalho. Muitas vezes, pego a estrada para pedalar ou faço trilhas como a subida ao Pico do Jaraguá, um dos meus roteiros favoritos. Esses momentos são fundamentais para mim: ajudam a manter o equilíbrio físico e mental e me dão energia para enfrentar os desafios diários.

Qual foi um projeto marcante em sua trajetória?

Ao longo da minha trajetória, tive a oportunidade de participar de diversos projetos importantes. Talvez o mais desafiador, é o atual projeto de concessão dos parques do Estado de São Paulo. Trata-se de um processo complexo, que envolve uma opinião pública muito ativa, a necessidade de definir critérios rigorosos e o desafio de assegurar que os parques continuem sendo espaços públicos de qualidade, mesmo sob a gestão de concessionárias. É um trabalho que exige diálogo, planejamento e uma visão de longo prazo, pois estamos falando de concessões de até 30 anos.

Como você percebe a importância do trabalho da Semil na sua vida pessoal?

O trabalho na Semil impacta profundamente a minha vida pessoal, não apenas pelo compromisso e dedicação que ele exige, mas também pelo orgulho que sinto ao ver o resultado concreto das nossas ações. Faço muitas visitas técnicas aos parques, gosto de estar próxima dos gestores e, principalmente, da população. É muito gratificante chegar a um parque e ver famílias reunidas, crianças brincando, pessoas praticando esportes ou simplesmente desfrutando do espaço verde. Esses momentos me mostram que todo o esforço vale a pena e reforçam a importância de investir nos parques urbanos como espaços fundamentais para a qualidade de vida, o lazer e a saúde da população.

Tem alguma meta pessoal ou viagem dos sonhos?

Sim, tenho metas que buscam conciliar minhas paixões pessoais com desafios que me impulsionam. Uma delas é realizar a subida das Dolomitas, na Itália, pedalando. As Dolomitas são um dos destinos mais icônicos para ciclistas, e conquistar essa meta seria, para mim, uma experiência inesquecível, tanto pela beleza do lugar quanto pela superação pessoal que ela representa. 

Existe algum sonho que ainda não realizou?

Um dos sonhos que ainda não realizei é tirar o brevê de pilotagem. Sempre tive interesse pela aviação, e gostaria de obter essa licença, que habilita uma pessoa a pilotar uma aeronave monomotor. Para mim, seria uma realização pessoal, além de uma forma de explorar novos horizontes. É uma meta que exige bastante estudo e dedicação, por isso planejo alcançá-la dentro de dois anos.

Que conselho daria para quem quer ingressar na área pública?

Diria, com toda convicção, que vale muito a pena seguir essa trajetória. O serviço público oferece uma oportunidade de impactar positivamente as pessoas, mas é preciso ter clareza sobre o que significa ser servidor público: é um compromisso com o interesse coletivo, que exige empenho, ética e uma visão de longo prazo. Quem quer ingressar nessa área deve se preparar, buscar conhecimento e, acima de tudo, acreditar no valor do que está construindo.