Ela entrou na Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) antes da Constituição de 1988 e, desde então, fez da inquietude profissional a sua principal aliada. Em uma conversa franca e cheia de histórias, Edileni Soares revela como a curiosidade a levou a transitar por áreas tão distintas como RH, licitações e convênios – e porque acredita que “todo conhecimento tem um lugar”. 

Ao longo de 38 anos, ela fez da curiosidade sua maior aliada e descobriu que aprender constantemente é a melhor forma de permanecer em movimento. Foi assim que percorreu diferentes áreas da secretaria – Recursos Humanos, treinamento e desenvolvimento, licitações, contratos, assessoria e, hoje, a Coordenadoria de Convênios. Em cada mudança, levou consigo a mesma disposição de quem nunca se contentou em fazer apenas o que estava previsto na descrição do cargo. Sempre quis entender mais, conhecer novos processos e descobrir como poderia contribuir de forma ainda mais significativa para o serviço público. 

Hoje, à frente da Coordenadoria de Convênios, atua para transformar projetos em realidade. Seu trabalho conecta a Secretaria a prefeituras, entidades e instituições, permitindo que recursos, cooperações técnicas e iniciativas importantes cheguem aos municípios paulistas. 

Depois de quase quatro décadas de trabalho, Edileni continua acreditando na mesma ideia que guiou seus primeiros passos: quem nunca deixa de aprender também nunca deixa de crescer. 

Curta Semil: Como começou sua trajetória na Secretaria? 

Edileni Soares: Entrei muito jovem. Este era apenas o meu segundo emprego e, sinceramente, nunca imaginei que construiria toda a minha vida profissional aqui. Na época, entrei antes da Constituição de 1988 e, mais tarde, adquiri estabilidade, mas o que realmente marcou a minha trajetória não foi isso. O que fez a diferença foi o ambiente que encontrei para aprender. 

Desde o primeiro dia eu sempre fui muito curiosa. Nunca consegui me limitar apenas às atividades que estavam previstas para o meu cargo. Sempre queria entender como os processos funcionavam do começo ao fim, conhecer outras áreas, conversar com pessoas que tinham experiências diferentes das minhas e descobrir como eu poderia contribuir mais. 

Tive muita sorte de encontrar colegas que compartilhavam conhecimento comigo. Aprendi muito observando, perguntando e ouvindo pessoas que tinham anos de experiência. Depois fiz faculdade de Pedagogia e, aos poucos, fui encontrando maneiras de aplicar essa formação dentro da própria Secretaria. 

Quando olho para trás, percebo que minha carreira foi construída muito mais pela curiosidade e pela vontade de aprender do que por um planejamento. As oportunidades foram surgindo, mas acredito que elas apareceram porque eu sempre estava disposta a aceitar novos desafios. 

Você passou por muitas áreas da Secretaria. Como essa experiência contribuiu para a profissional que você é hoje? 

Passei por treinamento e desenvolvimento, Recursos Humanos, licitações, contratos, assessoria e por várias outras áreas. São tantos anos que às vezes até esqueço de todas elas. 

Nunca tive receio de mudar de setor. Pelo contrário. Sempre enxerguei essas mudanças como uma oportunidade de ampliar meus conhecimentos. Cada área me ensinou uma forma diferente de enxergar a administração pública. No Recursos Humanos aprendi sobre pessoas; nas licitações e contratos, sobre legislação e procedimentos; na assessoria, sobre articulação e relacionamento. Tudo isso acabou formando uma visão muito mais ampla da Secretaria. 

Hoje percebo que nada foi perdido. Cada experiência, mesmo aquelas que pareciam não ter relação entre si, acabou contribuindo para o trabalho que realizo atualmente. Acho que, se tivesse permanecido durante 38 anos fazendo exatamente a mesma atividade, provavelmente não teria encontrado a mesma motivação. O que sempre me manteve animada foi justamente saber que ainda havia algo novo para aprender. 

Como funciona o trabalho da Coordenadoria de Convênios? 

Costumo dizer que somos uma ponte entre as áreas técnicas da Secretaria e os parceiros externos. Nosso trabalho é transformar boas ideias em instrumentos que permitam que elas realmente aconteçam. 

Grande parte das nossas demandas envolve emendas parlamentares, quando deputados destinam recursos para municípios ou entidades e precisamos conduzir toda a formalização do convênio. Mas nossa atuação vai muito além disso. Também trabalhamos com acordos de cooperação técnica, projetos de pesquisa e diferentes tipos de parcerias institucionais. 

É uma atividade bastante dinâmica porque cada município possui uma realidade diferente. Muitas vezes precisamos orientar as equipes locais, esclarecer dúvidas sobre a legislação, analisar documentos, buscar soluções jurídicas e administrativas para que tudo seja realizado corretamente. 

É um trabalho de bastidores que nem sempre aparece, mas que é fundamental para que investimentos e projetos cheguem à população. 

O que sempre guiou sua trajetória profissional? 

Sem dúvida, a curiosidade. Sempre fui muito inquieta. Nunca gostei de fazer uma atividade apenas porque alguém mandou ou porque fazia parte da rotina. Eu queria entender o motivo, conhecer o contexto e aprender como tudo funcionava. 

Grande parte do que sei hoje não aprendi em cursos formais. Aprendi perguntando, pesquisando, observando pessoas experientes e, principalmente, tendo humildade para reconhecer quando não sabia alguma coisa. 

Nunca tive vergonha de pedir ajuda. Acho que isso fez toda a diferença. Quando você está disposto a aprender, sempre encontra alguém disposto a ensinar. Essa vontade de buscar conhecimento me acompanha desde o início da carreira e continua sendo o que mais me motiva até hoje. 

 Você costuma dizer que “vestiu a camisa” da Secretaria. De onde vem esse sentimento? 

Acredito que muito desse sentimento veio do exemplo do meu pai. Ele foi servidor público durante muitos anos e sempre exerceu seu trabalho com muita dedicação. Cresci vendo esse compromisso e acabei trazendo esse mesmo valor para a minha vida profissional. 

Nunca enxerguei meu trabalho apenas como uma obrigação ou um emprego. Sempre procurei entender que, por trás de cada processo, existe uma política pública, um município esperando um recurso ou uma população que será beneficiada. 

Quando um projeto dá certo, não considero uma conquista individual. É resultado do trabalho de muitas pessoas que acreditaram naquele objetivo e colaboraram para que ele acontecesse. Acho que essa visão faz toda a diferença no serviço público. 

Você acompanhou grandes transformações na administração pública. Qual foi a mudança mais marcante? 

A transformação digital foi, sem dúvida, a maior mudança que vivi. Quando comecei, trabalhávamos cercados por processos em papel. Havia armários lotados, pilhas de documentos sobre as mesas e uma burocracia muito maior para localizar qualquer informação. Costumo brincar que, se alguém quisesse me encontrar, bastava procurar onde estavam as maiores pilhas de processos. 

Hoje praticamente tudo acontece de forma digital. Isso trouxe mais agilidade, transparência e segurança para o trabalho. Conseguimos acompanhar processos com muito mais facilidade e atender as demandas de forma mais rápida. 

Além disso, faz todo sentido que uma Secretaria voltada ao meio ambiente reduza cada vez mais o consumo de papel. Acho muito bonito perceber essa evolução.  Sempre gostei das mudanças. Nem todas são simples, mas acredito que toda transformação traz consigo uma oportunidade de crescimento. 

 Depois de tantos anos, o que faz você continuar motivada? 

Os desafios. Cada convênio apresenta uma realidade diferente. Cada município tem necessidades específicas, equipes diferentes e situações que exigem soluções próprias. Isso faz com que nenhum dia seja igual ao outro. 

Ainda gosto muito de pesquisar, estudar legislações, conversar com as pessoas e encontrar alternativas para resolver problemas. Acho que isso mantém minha curiosidade sempre viva.  Enquanto eu sentir que ainda tenho algo para aprender e que meu trabalho pode contribuir para melhorar a vida das pessoas, continuarei motivada. 

 E quando você não está trabalhando, quem é a Edileni? 

Hoje sou, acima de tudo, uma avó apaixonada. Tenho dois netos e eles mudaram completamente a minha rotina e a forma como vejo o tempo. Confesso que, quando descobri que seria avó, levei um susto. Acho que toda mulher passa um pouco por isso. Mas bastou eles chegarem para eu descobrir um papel que hoje me traz uma felicidade enorme. 

Durante muitos anos fui muito dedicada ao trabalho. Sempre gostei do que fazia e me envolvia bastante com minhas responsabilidades. Hoje continuo gostando muito da minha profissão, mas aprendi a valorizar ainda mais os momentos com a família. Sou muito caseira e gosto de reunir todo mundo. Esses encontros simples, em volta da mesa, conversando, são os momentos que mais me fazem feliz. 

Quando não estou com a família, gosto muito de ir ao teatro. Sou apaixonada por musicais. É um programa que eu e meu marido fazemos sempre que podemos e que acabou se tornando uma tradição nossa. 

Vocês costumam viajar juntos? 

Sim. Viajar é um dos nossos maiores prazeres. Eu e meu marido temos uma tradição que fazemos questão de manter: uma vez por ano fazemos uma viagem apenas nós dois. Escolhemos sempre um período fora das férias escolares para conseguir aproveitar com mais tranquilidade. 

As demais viagens costumam ser em família, principalmente no fim do ano, quando conseguimos reunir todo mundo. Mas essa viagem só nossa é quase um ritual. É um momento para descansar, conversar, sair da rotina e aproveitar a companhia um do outro depois de tantos anos juntos. São momentos que ajudam a renovar as energias.  

Para onde será a próxima viagem? 

Este ano escolhemos Porto de Galinhas. É um lugar pelo qual temos um carinho enorme. Já estivemos lá outras vezes e sempre sentimos vontade de voltar. Para nós, Porto de Galinhas representa exatamente aquilo que buscamos nas férias: tranquilidade, mar, sol e descanso. 

Tem lugares que parecem acolher a gente, e Porto de Galinhas é um desses. É um destino que transmite paz e onde conseguimos realmente desacelerar. 

Que conselho você deixaria para quem está começando no serviço público? 

A palavra que resume minha trajetória é “buscar”. Buscar conhecimento, buscar pessoas que possam ensinar, buscar novos desafios e nunca acreditar que já sabemos tudo. 

Ao longo da minha carreira aceitei trabalhar em áreas nas quais eu não tinha nenhuma experiência. Muitas vezes senti insegurança, mas nunca deixei que isso me impedisse de seguir em frente. Estudava, pesquisava, perguntava e aprendia. 

Acho que esse é o maior ensinamento que posso deixar. Não tenha medo de aprender. Não tenha medo de fazer perguntas. O conhecimento sempre aparece para quem está disposto a buscá-lo. É essa postura que faz a gente crescer profissionalmente e como pessoa.