11/06/2026

Iniciativa anunciada durante a Semana do Meio Ambiente reúne USP, Fapesp, Semil e setor produtivo para fomentar o desenvolvimento de pesquisas e tecnologias

São Paulo segue avançando na transição energética para uma economia de baixo carbono, diversificada, tecnológica e sustentável. Na manhã desta quarta-feira (10), a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (EPUSP), celebraram, a parceria para criação do centro de tecnologias para captura e armazenamento de carbono biogênico (BECCS, Bioenergy with Carbon Capture and Storage, na sigla em inglês), alinhado à estratégia climática paulista. Proposto e idealizado pela Semil, o centro desenvolverá o primeiro projeto-piloto de BECCS do setor sucroenergético, sendo considerado como um importante instrumento de remoção de gás carbônico (CO2) para gerar créditos de carbono e descarbonizar a economia.

Denominado pela sigla CTCCSBio (Centro de Tecnologias para Captura e Armazenamento de Carbono Biogênico), o centro foi selecionado via edital pela Fapesp, vinculada à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo (SCTI), e está estruturado em cinco eixos: socioambiental, regulação, tecnologia, infraestrutura e mercado. De acordo com a Semil, o centro desenvolverá o primeiro projeto-piloto de captura e armazenamento de carbono proveniente do processo de produção de etanol da cana-de-açúcar do Brasil.

A parceria entre a Semil, a EPUSP, a Fapesp, a Petrobras e a Rolim Goulart Cardoso Advogados, com apoio da São Martinho, tem como objetivo o fomento ao desenvolvimento de pesquisas e tecnologias que contribuam na captura e no armazenamento de carbono biogênico. O projeto contará com recursos da academia, do setor privado e do governo paulista, com investimento total estimado em R$30 milhões.

O estado de São Paulo é o maior produtor de etanol e açúcar do Brasil. O BECCS possibilita a produção de um etanol “carbono negativo” porque armazena de forma permanente o gás carbônico resultante do processo de produção de etanol e açúcar, cujo CO2 a cana originalmente retirou da atmosfera.

“O projeto está alinhado à estratégia climática paulista e aos objetivos de mitigação do Plano de Ação Climática 2050 (PAC 2050) e do Plano Estadual de Energia 2050 (PEE 2050), que reconhecem o BECCS como instrumento essencial de remoção de CO2 para descarbonizar o setor agroindustrial paulista e manter sua competitividade internacional diante das crescentes exigências ambientais globais”, explicou a secretária da Semil, Natália Resende.

Para a titular da Pasta, São Paulo está emergindo como um polo central para a tecnologia de BECCS. “O estado pode aproveitar seu bioparque robusto e consolidado de produção de etanol de cana-de-açúcar e histórico de liderança em inovação para avançar em estudos de viabilidade técnica e econômica, bem como de aprimoramentos regulatórios para gerar créditos de carbono e atingir emissões líquidas negativas”, disse.

O IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change), principal órgão das Nações Unidas (ONU) dedicado a avaliar a ciência relacionada às mudanças climáticas, reconhece o BECCS como importante aliado para combater as mudanças climáticas nas próximas décadas.

Mapeamento geológico

O projeto, de caráter multidisciplinar, observa aspectos socioambientais e de regulação, além de envolver desde o mapeamento geológico de reservatórios e propriedades físicas e estruturais de formações rochosas subterrâneas até o desenvolvimento e escalonamento de tecnologias de captura, purificação e transporte de carbono gerado nas plantas de etanol e açúcar da São Martinho, que conta com operações no interior paulista. O CTCCSBio estará sediado na Escola Politécnica da USP.

Sobre a Semana do Meio Ambiente

Realizada pelo Governo de São Paulo em celebração ao Dia Mundial do Meio Ambiente, a Semana do Meio Ambiente terá como ponto alto evento no Parque Ecológico do Tietê (PET), na zona leste da capital paulista, no dia 10 de junho. A edição deste ano incorpora o legado do Summit Agenda SP+Verde, ampliando a integração entre governo, setor produtivo, investidores e sociedade civil em torno da agenda climática, da economia verde e do desenvolvimento sustentável. A programação inclui uma série de anúncios e entregas, ativações e atrações com a participação de empresas e entidades selecionadas por edital público. Também está previsto na programação o Fórum SP Conecta, iniciativa da Semil e da InvestSP a ser realizada no próximo dia 16 de junho, voltada à atração de investimentos e ao fortalecimento da competitividade ambiental no Estado de São Paulo. A Semana do Meio Ambiente também faz alusão às comemorações dos 40 anos da Semil.