28/11/2025

Última reunião do FIAR neste ano apresentou o balanço de 2025 e traçou as perspectivas para 2026

Representantes do Fórum de Integração das Ações de Recuperação do Rio Tietê (FIAR-Tietê) se reuniram nesta quinta-feira (27), na sede da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), em São Paulo, para a 11ª Reunião Ordinária — a última do grupo neste ano. O encontro teve como objetivo a divulgação de balanços abrangentes das atividades realizadas durante 2025 no âmbito das ações conjuntas da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), Sabesp, SP Águas (Agência de Águas do Estado de São Paulo) e do Grupo de Fiscalização Integrada das Águas do Rio Tietê (GFI-Tietê), no programa IntegraTietê, iniciativa do Governo de São Paulo que prevê uma série de medidas de curto, médio e longo prazo para o maior rio do Estado. O FIAR-Tietê é a instância de governança do Programa IntegraTietê.

A abertura do encontro foi realizada pelo subsecretário de Recursos Hídricos e Saneamento Básico da Semil, Cristiano Kenji, que ressaltou os anúncios do Governo de São Paulo no Dia do Tietê, celebrado em 22 de setembro. “Destaco as ações da Semil, junto a outras secretarias, como o lançamento da Parceria Público-Privada de R$ 9,5 bilhões para revitalizar os rios Tietê e Pinheiros, incluindo desassoreamento, limpeza e projetos paisagísticos que vão ampliar a restauração e a convivência da população com o rio”, explicou.

Cristiano Kenji também destacou os anúncios do Governo de São Paulo durante o Summit Agenda SP+Verde, evento pré-COP realizado nos dias 4 e 5 de novembro, no Parque Villa-Lobos, na capital paulista, como a criação de um novo parque estadual com 10,8 mil hectares — o Parque do Morro Grande — e a assinatura de uma grande aliança entre Governo de SP, SOS Mata Atlântica e empresas privadas para a restauração da Mata Atlântica, com foco nas bacias hidrográficas do Médio Tietê e do Médio Paraíba do Sul, com meta de recuperação de 10 mil hectares em 10 anos.

Após a abertura, Nelson Menegon Junior, assistente executivo da Diretoria de Qualidade Ambiental da Cetesb, apresentou os indicadores de qualidade da água do rio Tietê, com base nas análises do 3º trimestre de 2025. Ele explicou que a Companhia realiza trimestralmente o monitoramento da qualidade da água nos 30 principais afluentes, além de outros pontos de amostragem ao longo do rio. “O foco é o monitoramento da concentração de carbono orgânico nesses afluentes. Esse monitoramento é uma ferramenta importante no processo de avaliação, indicando locais onde já são observadas melhorias na qualidade das águas. Os resultados obtidos no último trimestre, para o ‘Indicador de Qualidade’, evidenciam a redução da concentração de carbono orgânico nos afluentes, refletindo o impacto positivo das ações de saneamento”, apontou Menegon. Segundo ele, fatores climáticos, como as chuvas, podem influenciar os resultados dos indicadores. “A chuva compromete a qualidade da água. Dessa maneira, a análise contínua desses dados, em conjunto com as variáveis ambientais, é fundamental para uma compreensão completa do cenário”, detalhou. Como parte de suas atividades de controle e monitoramento ambiental no Estado, a Cetesb realiza, em seus laboratórios, análises físicas, químicas e biológicas do material coletado.

Representando a Sabesp, André Miguel, da área de planejamento de expansão do Sistema de Esgotamento Sanitário na Região Metropolitana de São Paulo, apresentou o balanço das atividades e o planejamento das obras até 2026 da companhia. “As obras da Sabesp no Programa IntegraTietê focam na expansão do tratamento de esgoto e na recuperação do rio Tietê, com investimentos significativos em coleta, tratamento e despoluição. O programa inclui a construção de novas tubulações e estações de tratamento de esgoto, além de redes coletoras em diversos municípios. Além disso, a Sabesp atua em parceria com o programa para antecipar a universalização dos serviços de saneamento”, disse.

André Miguel destacou, ainda, que o programa prevê conectar 1,5 milhão de imóveis à rede de saneamento na região do Alto Tietê — composta por Arujá, Biritiba-Mirim, Ferraz de Vasconcelos, Guararema, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Poá, Salesópolis, Santa Branca, Santa Isabel e Suzano — até dezembro de 2026, e 2,2 milhões de imóveis até 2029, em áreas que abrangem sobretudo a Região Metropolitana de São Paulo. “Entre 2023 e 2025, R$ 6 bilhões foram investidos em Estações Elevatórias de Esgoto, cinco novas Estações de Tratamento de Esgoto (ETE), 714 quilômetros de tubulações foram implantados e 679 mil domicílios passaram a ter seu esgoto encaminhado para tratamento. Vamos antecipar para o final de 2027 a conclusão de obras previstas até então para 2029”, afirmou.

No âmbito do programa, a SP Águas é responsável por executar serviços que vão desde o desassoreamento — uma parte crucial do IntegraTietê — até a revitalização das margens e a retirada de lixo flutuante. Além disso, a agência realiza a fiscalização dos usos e interferências nos recursos hídricos. “No período de janeiro a outubro de 2025, as ações de fiscalização nas bacias do Alto, Médio e Baixo Tietê resultaram em 1.455 empreendimentos vistoriados, 956 advertências e mais de R$ 3 milhões em multas”, explicou o diretor da agência, Nelson Lima.

O diretor da agência também atualizou as ações na Barragem de Pirapora, que represa o rio Tietê no município de Pirapora do Bom Jesus. A região está recebendo serviços de remoção de vegetação aquática e detritos flutuantes desde maio deste ano. A previsão é investir R$ 74,5 milhões na remoção de 252,6 mil metros cúbicos de vegetação macrófita e detritos flutuantes, além de 250 mil metros cúbicos de material assoreado acumulado no fundo do reservatório.

Por fim, representantes do Grupo de Fiscalização Integrada das Águas do Rio Tietê (GFI-Tietê) apresentaram um resumo das atividades do ano e as perspectivas para o planejamento de 2026. Em 2025, a primeira fase de suas atividades contou com quatro encontros regionais, realizados nos municípios de Zacarias, Salto, Barra Bonita e Piracicaba. Foi apresentado um plano de fiscalização voltado à gestão integrada das águas da bacia do Tietê, com foco na atuação conjunta e no fortalecimento das políticas ambientais regionais. O GFI-Tietê é formado pela Semil e suas vinculadas, a CETESB, Fundação Florestal e SP Águas, além da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA), Polícia Militar Ambiental, Comitês de Bacias e prefeituras, com o objetivo de fortalecer a fiscalização ambiental e garantir a recuperação e proteção das águas do Rio Tietê.

Durante a reunião, cada órgão integrante do GFI apresentou seus planos de médio e longo prazo, detalhando as ações de fiscalização, proteção ambiental e combate à proliferação de algas e macrófitas no Rio Tietê — fenômeno intensificado pelo aumento das temperaturas médias no estado desde o ano passado.

Para 2026, a previsão é de que os encontros do Fórum de Integração das Ações de Recuperação do Rio Tietê (FIAR-Tietê) sejam realizados bimestralmente, com a próxima reunião agendada para 29 de janeiro.