09/12/2025

Unidade da Fundação Florestal abriga avanços científicos em manejo, regeneração e conservação dos campos naturais

A secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil), Natália Resende, realizou nesta sexta-feira (5) uma visita técnica à Estação Ecológica de Santa Bárbara, em Águas de Santa Bárbara, para acompanhar os projetos de pesquisa e restauração ecológica conduzidos pelo Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA). A agenda incluiu áreas experimentais que se tornaram referência nacional para a recuperação do Cerrado e contou com a participação da ecóloga Giselda Durigan, uma das maiores especialistas do país no tema.

A visita incluiu uma área experimental que utiliza pastejo rotativo de gado como estratégia de manejo ecológico para restaurar os campos naturais. No método testado pelo IPA, o gado (cerca de quatro cabeças por hectare) permanece na área de Cerrado até baixar o capim. A área então entra em pousio por intervalo de tempo igual a três vezes o tempo de pastejo. Ao final do ano, isso equivale a uma densidade de uma uma cabeça por hectare ao longo de um ano. O manejo reduz de forma significativa a biomassa acumulada, evitando a propagação de incêndios descontrolados e promovendo o controle da braquiária, uma das principais espécies invasoras do Cerrado.

Segundo os pesquisadores, a técnica gera benefícios simultâneos tanto para o ecossistema quanto para a produção: além de favorecer a engorda do gado, o pastejo estimulado de forma adequada contribui para o aumento da biodiversidade, que é 20% maior no Cerrado pastejado do que no Cerrado sem gado. A redução da biomassa aumenta a infiltração de água no solo e diminui a transpiração, fortalecendo a recarga de reservas subterrâneas e corpos d’água.

A equipe também percorreu diferentes pontos da unidade, onde pesquisadores apresentaram estudos sobre restauração de campo cerrado, técnicas de regeneração natural após a remoção de plantações de Pinus, avaliações comparativas entre áreas queimadas e não queimadas e práticas de manejo adaptativo voltadas ao controle de espécies invasoras. A Estação abriga um conjunto robusto de experimentos científicos que vêm orientando políticas públicas de conservação no Estado e inspirando iniciativas de restauração em outras regiões brasileiras.

“Observar diretamente a qualidade da pesquisa do IPA e como esse conhecimento se transforma em ações concretas reforça o compromisso de São Paulo com a proteção dos seus ecossistemas mais ameaçados. A Estação de Santa Bárbara é um laboratório vivo de pesquisa aplicada, essencial para construirmos soluções mais eficazes para o Cerrado”, afirmou a secretária.

Ao longo do roteiro, a comitiva visitou uma área demonstrativa de restauração de campo cerrado, onde técnicas de plantio de gramíneas nativas e monitoramento ecológico vêm acelerando o retorno da vegetação típica. Em outro ponto, pesquisadores apresentaram experimentos de manejo do fogo com fins conservacionistas, permitindo a comparação entre trechos recém-queimados, áreas com queimas de anos anteriores e trechos sem queima — evidenciando os benefícios do manejo do fogo para a biodiversidade e o funcionamento do ecossistema.

Giselda Durigan

O trabalho desenvolvido na Estação Ecológica de Santa Bárbara está diretamente associado à atuação da ecóloga Giselda Durigan, pesquisadora do IPA, reconhecida internacionalmente e listada entre os 17 cientistas mais influentes do mundo em rankings internacionais. Com mais de 150 publicações e 11 mil citações, Giselda é referência em conservação, restauração e manejo do Cerrado, além de estudos fundamentais sobre os efeitos do fogo e de sua supressão nesse bioma.

Esta é a quinta vez que ela aparece no ranking global elaborado pela Research.com em parceria com a Universidade de Stanford (EUA) e a editora Elsevier. A cientista também figura entre os pesquisadores brasileiros mais citados em documentos internacionais que embasam políticas públicas, incluindo os relacionados ao ODS 13 (Ação contra a Mudança Global do Clima). Em novembro, foi listada entre os 17 brasileiros — de todas as áreas do conhecimento — mais citados no mundo pela plataforma Web of Science, o mais rigoroso dos rankings globais.

Durante a visita, Giselda apresentou detalhes de experimentos conduzidos ao longo de décadas na unidade, incluindo o projeto temático Biota Campos, financiado pela Fapesp, que aprofunda o conhecimento sobre os campos naturais paulistas e oferece embasamento técnico para sua conservação.

“A Estação de Santa Bárbara é um território de pesquisa contínua. Cada experimento, cada área monitorada e cada manejo testado aqui busca compreender melhor o Cerrado e oferecer caminhos sustentáveis para sua recuperação. A ciência precisa estar conectada às decisões públicas, e esse diálogo vem se fortalecendo no Estado”, afirmou a pesquisadora.