17/06/2026

Painel reuniu representantes do governo, empresas e setor financeiro para debater iniciativas que impulsionam a economia da natureza

A recuperação de áreas degradadas e outras soluções baseadas na natureza podem ir além do cumprimento de obrigações legais e se consolidar como instrumentos de geração de valor econômico, atração de investimentos e enfrentamento das mudanças climáticas. O tema foi debatido na terça-feira (16), durante o painel “Da obrigação ao ativo: como transformar restauração em investimento”, realizado no SP Conecta.

Com mediação da jornalista Juliana Pio, editora de Jornalismo do REC Multishow, o encontro reuniu André Previato, assessor especial no Gabinete da Secretaria do Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil); André Escada, gerente de Política Climática da Biomas; Carlos Alberto Guerreiro, diretor de Operações da TTG Brasil Investimentos Florestais; e Danilo Almeida, conselheiro da Aliança Brasil NBS.

Ao longo da discussão, os participantes destacaram o potencial da restauração ambiental para impulsionar uma economia baseada na natureza, conectando conservação da biodiversidade, segurança hídrica, geração de créditos de carbono e novos mecanismos de financiamento.

Parceria entre setor público e iniciativa privada

Os painelistas ressaltaram a importância da atuação conjunta entre governos, investidores e empresas para ampliar a escala dos projetos de restauração e criar um ambiente favorável à atração de recursos para a agenda climática e ambiental.

Segundo Previato, a restauração ambiental deixou de ser apenas uma exigência legal e passou a representar uma oportunidade de investimento. “O poder público sozinho não conseguirá atingir as metas de restauração. Por isso, é fundamental atrair capital privado. O papel do Estado é atuar como organizador e articulador dos diferentes mecanismos de financiamento. Inclusive, estamos estruturando projetos de restauração associados às políticas públicas estaduais e aos corredores ecológicos”, afirmou.

Mercado de carbono em debate

Entre os temas abordados por Escada, destacaram-se o mercado de carbono, a restauração em larga escala e o papel do setor privado. “Ainda falta uma base científica mais robusta para sustentar projetos desse porte. É necessário avançar na produção de dados sobre estoque e sequestro de carbono, além do monitoramento das áreas restauradas. Hoje, o mercado de carbono depende fortemente da demanda de grandes empresas, como a Microsoft. A criação de um mercado regulado pode gerar uma demanda mais estável e ampliar a valorização dos créditos”, explicou.

Carlos Alberto Guerreiro ressaltou que o mercado voluntário continuará relevante no curto prazo e segue como a alternativa mais imediata para o setor. “O mercado regulado e os mecanismos do Acordo de Paris devem ampliar a demanda no futuro, mas ainda levarão tempo para amadurecer. Muitas empresas ainda estão focadas em sua sustentabilidade financeira e não priorizam a compra de créditos de carbono”, pontuou.

Regulamentação do SBCE

Na avaliação de Danilo Almeida, a regulamentação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE) representa um avanço importante para trazer segurança jurídica aos investidores e consolidar o mercado de carbono no país.

A nova legislação integra o mercado voluntário, o mercado regulado e os mecanismos previstos no Artigo 6º do Acordo de Paris, criando regras mais claras para a comercialização de créditos e maior previsibilidade para investimentos. Além disso, áreas de Reserva Legal e unidades de conservação passam a contar com novas possibilidades de financiamento para ações de restauração.

“O Brasil passa a ter, pela primeira vez, um arcabouço que conecta diferentes mercados de carbono e oferece mais previsibilidade para investidores. Isso abre novas oportunidades de financiamento e cria condições para ampliar a participação do país em um mercado com forte potencial de crescimento”, finalizou.