21/10/2026

Projeto piloto do Instituto de Pesquisas Ambientais leva estudantes do Jardim Clímax a laboratórios, coleções biológicas e atividades práticas para despertar o interesse pela ciência e pela preservação da biodiversidade

 

Entre perguntas curiosas, olhos atentos e muitas descobertas, 72 estudantes da EMEF Olavo Fontoura, no Jardim Clímax, passaram a manhã e a tarde de quinta-feira (20) imersos no universo da ciência e da conservação ambiental. A atividade integra a 1ª edição do Crianças na Ciência, promovido pelo Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA), da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil), na unidade do Jardim Botânico de São Paulo.

 

Ao longo do dia, meninos e meninas de 8 a 11 anos tiveram a oportunidade de conhecer de perto espaços que fazem parte da rotina de pesquisadores. Logo na chegada, receberam uma pequena lupa e jalecos brancos, entrando no clima da investigação científica. A programação incluiu visitas às Coleções Biológicas, ao Banco de Sementes e ao Laboratório Experimental de Áreas Verdes, onde puderam descobrir como a ciência contribui para compreender, conservar e recuperar a biodiversidade.

 

No prédio das Coleções Biológicas, que abriga amostras de fungos, briófitas e algas, a pesquisadora científica do IPA, Andrea Tucci, explicou aos alunos o papel dos fungos nos ecossistemas.

 

“Imaginem uma equipe de limpeza trabalhando dia e noite. Quando uma folha cai ou uma árvore morre, os fungos ajudam a transformar tudo isso em nutrientes que voltam para o solo. Assim, novas plantas podem crescer”, explicou.

 

A pesquisadora também apresentou as briófitas aos estudantes. “Vocês já devem ter reparado naquele verdinho fofinho que cresce em pedras, troncos e lugares úmidos. Aquilo pode ser uma briófita, como os musgos. Elas funcionam como pequenos tapetes naturais. Apesar de muito pequenas, ajudam a reter água no ambiente e servem de abrigo para diversos organismos”, destacou.

 

No Banco de Sementes, as crianças conheceram exemplares de espécies como pitanga, urucum, sabão-de-soldado, angico-vermelho e diadema. Já no Laboratório Experimental de Áreas Verdes, colocaram a mão na terra ao plantar mudas de alface em vasos. Cada participante pôde escolher entre as variedades lisa, crespa ou roxa para levar para casa e acompanhar o crescimento.

 

Mais do que apresentar laboratórios e pesquisas, a iniciativa buscou despertar a curiosidade natural das crianças e mostrar que a ciência está presente no cotidiano, ajudando a responder perguntas sobre a natureza, as plantas, os animais e o meio ambiente.

 

Durante a visita, os estudantes ainda tiveram a oportunidade de observar uma família de bugios na copa das árvores e também um sagui, tornando a experiência ainda mais marcante.

 

A programação contou ainda com a participação da jornalista e escritora Clarissa Canova, fundadora da ONG Mães pelo Clima e autora do livro infantil O Ar que Respiramos: Francesco e os Guardiões da Natureza. Em conversa com os alunos, ela abordou temas relacionados às mudanças climáticas e à preservação ambiental, incentivando reflexões sobre o papel de cada pessoa na construção de um futuro mais sustentável. A autora também compartilhou sua experiência após ter sido deslocada pelas enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024 e presenteou os estudantes com exemplares de sua obra.

 

Karine de Lima, professora do 5º ano e orientadora de alfabetização da EMEF Olavo Fontoura, destacou a importância da atividade.

 

“A proposta da escola é vivenciar a alfabetização científica dentro do próprio território onde os alunos vivem, desenvolvendo habilidades de pesquisa e observação por meio de experiências práticas”, afirmou.

 

A experiência deixou lembranças marcantes para os estudantes.

 

“O que eu mais gostei nesse passeio foi sentir o cheiro das sementes e poder plantar a alface para levar para casa e continuar cuidando”, disse Miriã Cristina, de 11 anos.

 

“Cuidar da natureza também é cuidar da nossa saúde e da qualidade do ar que respiramos”, ressaltou Daniel Bryan, de 11 anos. 

  

“Eu adorei aprender sobre os fungos e as plantas. Quando preservamos o meio ambiente, estamos ajudando a cuidar do planeta”, afirmou Samuel Temóteo, de 11 anos. 

  

Para o diretor do IPA, Marco Aurélio Nalon, aproximar as novas gerações da ciência é uma forma de fortalecer a conexão entre as pessoas e a natureza. 

  

“Quando uma criança tem a oportunidade de conhecer um pesquisador, visitar um laboratório e entender como são feitas as descobertas científicas, ela passa a enxergar o meio ambiente com outros olhos. É uma experiência que estimula a curiosidade, o pensamento crítico e o interesse pela conservação da biodiversidade”, destacou. 

  

O projeto Crianças na Ciência reforça a importância de criar oportunidades para que crianças tenham contato direto com a ciência desde cedo, transformando a curiosidade em aprendizado e incentivando a formação de uma geração mais consciente e engajada com os desafios ambientais.