
14/10/2026
Depois de quatro micos-leões-pretos em setembro, Centro comemora chegada de gêmeos de sagui-da-serra-escuro; espécie que está em perigo de extinção
A maternidade está movimentada no Centro de Conservação de Fauna Silvestre (Cecfau), unidade da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil), em Araçoiaba da Serra. Depois do nascimento de quatro micos-leões-pretos em setembro, foi a vez de dois saguis-da-serra-escuros chegarem ao mundo no último sábado (10), durante o feriado prolongado. Com os novos gêmeos, o centro soma seis nascimentos de primatas em menos de 20 dias, todos de espécies que enfrentam risco de extinção.
Os recém-nascidos são filhos de Bia, de 8 anos, e Xereta, de 13 anos, um casal experiente que agora soma 12 descendentes. Bia nasceu no Zoológico de Guarulhos, enquanto Xereta tem uma história diferente: foi abandonado pelos pais ainda filhote na natureza e encaminhado ao Zoológico de Alfenas, em Minas Gerais. Os dois chegaram ao Cecfau em 2021 e, desde então, contribuem para a conservação da espécie.
E nessa família, cuidar dos bebês não é tarefa só da mãe. Entre os saguis-da-serra-escuros, o pai e os irmãos mais velhos também participam da criação, principalmente ao carregar os pequenos nas costas. Essa divisão de responsabilidades ajuda no desenvolvimento dos filhotes e permite que os irmãos aprendam, desde cedo, como cuidar de uma nova geração.
“Cada nascimento é motivo de comemoração, especialmente quando falamos de espécies que enfrentam risco de extinção. No caso dos saguis, é muito interessante observar como toda a família participa dos cuidados. O pai e os irmãos mais velhos ajudam a carregar os filhotes, aprendendo comportamentos importantes para quando também se tornarem pais. É um trabalho coletivo que faz parte da biologia da espécie e que buscamos preservar aqui no Cecfau”, explica a veterinária Mayara Caiaffa.
Uma família que ajuda a conservar a espécie
Classificado como em perigo de extinção, o sagui-da-serra-escuro ocorre naturalmente nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Estima-se que existam entre 10 mil e 11 mil indivíduos na natureza e cerca de 80 sob cuidados humanos.
Com os novos gêmeos, o Cecfau chega à marca de 29 saguis-da-serra-escuros nascidos na instituição e mantém atualmente 17 animais da espécie. Seis indivíduos já foram transferidos para outras instituições, contribuindo para os programas de conservação. Entre eles estão dois descendentes de Bia e Xereta, encaminhados ao Zoológico de Sapucaia do Sul, no Rio Grande do Sul, e ao Centro de Primatologia do Rio de Janeiro.
E a maternidade deve ganhar novos moradores em breve. Athena, outra fêmea de sagui-da-serra-escuro mantida no Cecfau, está gestante de gêmeos. Ela forma casal com Eros, com quem já teve 12 filhotes. A expectativa é que os novos integrantes da família nasçam até o fim deste ano.
Setembro também teve novidades na maternidade
A chegada dos saguis ocorre poucas semanas depois de outra sequência especial de nascimentos no Cecfau. Nos dias 22 e 28 de setembro, dois casais de micos-leões-pretos tiveram gêmeos. A coincidência chamou a atenção pelo parentesco entre os animais: Keila, de 13 anos, tornou-se avó com o nascimento dos filhotes de sua filha Bernadete e, seis dias depois, deu à luz outros dois filhotes.
O mico-leão-preto é uma espécie ameaçada de extinção e endêmica da Mata Atlântica paulista. A população da espécie na natureza é estimada em cerca de 1.600 indivíduos. Os nascimentos reforçam a importância do trabalho de conservação realizado pelo Cecfau, que acompanha a reprodução, o comportamento e o desenvolvimento de animais sob cuidados humanos.
Com 11 anos de atuação, o Cecfau desenvolve programas de conservação de diferentes espécies da fauna brasileira, com foco na reprodução, no manejo e na pesquisa científica. Entre elas estão a arara-azul-de-lear e a perereca-pintada-do-rio-Pomba, classificada como criticamente ameaçada de extinção. A instituição já contabiliza mais de 450 nascimentos de animais sob cuidados humanos, resultado de um trabalho que contribui para a conservação da biodiversidade brasileira.