19/03/2026

Evento reuniu pesquisadoras e evidenciou como a ciência já subsidia decisões públicas no Estado

A segunda edição do Simpósio Mulheres na Ciência reuniu, nesta quinta-feira (19/03), pesquisadoras de diferentes instituições públicas para apresentar estudos, compartilhar experiências e discutir como a produção científica tem orientado decisões estratégicas no Estado de São Paulo. Promovido pelo Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA), órgão vinculado à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), o encontro, realizado na Estação Motiva Cultural, consolidou-se como um dos principais eventos do calendário voltados à valorização da articulação entre ciência, gestão pública e sociedade, com foco na construção de cidades mais resilientes diante das mudanças climáticas.

Com o tema “Resiliência Urbana”, o evento abordou como a pesquisa aplicada tem contribuído para enfrentar desafios como os impactos da perda de vegetação sobre o aumento da temperatura da superfície, eventos climáticos extremos, planejamento territorial, segurança hídrica, infraestrutura sustentável e desenvolvimento econômico regional.

A secretária da Semil, Natália Resende, destacou o papel estruturante da ciência para o futuro do Estado. “Fortalecer a pesquisa científica é fortalecer a capacidade do Estado de planejar o futuro com responsabilidade. A ciência nos permite antecipar cenários e construir políticas públicas mais eficientes para enfrentar os desafios climáticos e urbanos”, afirmou.

Para o diretor-geral do Instituto de Pesquisas Ambientais, Marco Aurélio Nalon, o simpósio reafirma a importância da ciência pública e da integração entre diferentes áreas do conhecimento. “O Mulheres na Ciência mostra como o conhecimento produzido nas instituições públicas se transforma em ação concreta. É a ciência aplicada ao território, apoiando decisões e contribuindo diretamente para a vida das pessoas”, destacou.

Ao longo da programação, sete pesquisadoras apresentaram estudos que evidenciam como a ciência produzida no Estado já se traduz em ações concretas.
A pesquisadora Sandra Monteiro Borges Florsheim, do IPA, apresentou sua metodologia de identificação macroscópica de madeira, utilizada em operações de fiscalização ambiental no Brasil e no exterior e adotada como referência pela Organização das Nações Unidas (ONU). “Cada madeira tem características únicas. Quando conseguimos identificá-las, fortalecemos a fiscalização e combatemos fraudes ambientais com mais precisão.”

Na área de restauração ecológica, Maria Teresa Zugliani Toniato Botura, também do IPA, destacou como o estudo da vegetação nativa orienta ações de recuperação ambiental em unidades de conservação. “Não é possível restaurar um ambiente sem compreender sua dinâmica. A ciência é o que garante eficiência e resultado nas ações de restauração.”

Representando a Secretaria de Agricultura e Abastecimento, Adriana Verdi, da Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios (APTA) e da Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa Agroambiental (Fundepag), apresentou o projeto Artesanais SP, que conecta pesquisa, produção e valorização de identidades regionais. “Quando o produtor se reconhece como parte de um território, o desenvolvimento deixa de ser individual e passa a ser coletivo.”

Na interface entre engenharia e planejamento urbano, a vice-reitora da USP, Liedi Légi Bariani Bernucci, falou sobre sua pesquisa relacionada à pavimentação permeável para mitigar enchentes. “Estes eventos inspiram e trazem experiências de vida e de trabalho. Fico orgulhosa em fazer parte de uma rede de profissionais e pesquisadoras que trabalham pelo meio ambiente, pelo desenvolvimento sustentável e pelo bem do planeta”, destacou a vice-reitora.

A professora da Poli-USP, Amarilis Lucia Casteli Figueiredo Gallardo, destacou a importância da avaliação geoespacial e temporal dos serviços ecossistêmicos urbanos para avaliar os efeitos do espraiamento urbano e da proposição de soluções baseadas na natureza para promover resiliência ambiental e sustentabilidade nas cidades paulistas. “A ciência precisa apoiar decisões com evidências técnicas. É assim que conseguimos qualificar políticas públicas e ampliar seu impacto.”

Na área de monitoramento ambiental, Maria Inês Zanoli Sato, da Cetesb, apresentou o papel estratégico dos laboratórios na geração de dados que sustentam decisões públicas. “Produzimos dados que antecipam riscos e orientam políticas públicas, muitas vezes antes mesmo da regulamentação.”

Encerrando as apresentações, a pesquisadora Luciana Schwandner Ferreira, do Projeto Biota Síntese, do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA-USP), também apresentou trabalhos recentes desenvolvidos em parceria com o Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA), reforçando a integração entre ciência e gestão pública. Entre os resultados, destacou estudos sobre o potencial de restauração em áreas periurbanas e uma nota técnica sobre ondas de calor e soluções baseadas na natureza, construída com pesquisadores e gestores de diferentes instituições. “Buscamos produzir um conhecimento acionável, com qualidade e rigor científico, que possa ser aplicado diretamente na gestão e na formulação de políticas públicas”, afirmou.

A programação foi encerrada com uma roda de conversa mediada pela jornalista Giselle Garcia, que ampliou o debate sobre os caminhos para fortalecer a integração entre pesquisa, gestão pública e sociedade.

O evento também marcou as celebrações do Dia Internacional das Mulheres e do Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência. Em sua segunda edição, o simpósio já se consolida no calendário anual, fortalecendo a valorização da pesquisa científica aplicada que orienta a formulação de políticas públicas e contribui para a construção de um futuro mais resiliente, sustentável e em equilíbrio com o desenvolvimento paulista.