
20/03/2026
Iniciativa vai apoiar municípios na elaboração de planos de adaptação e reforça papel dos estados na coordenação da agenda climática
O segundo dia do encontro promovido pela Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e a cooperação Brasil-Alemanha (GIZ), foi marcado pelo lançamento do programa Adapta Cidades, iniciativa nacional voltada ao fortalecimento da adaptação climática nos municípios brasileiros.
Durante a abertura, representantes do governo federal destacaram o protagonismo do Estado de São Paulo na construção da iniciativa. A diretora do Departamento de Políticas para Adaptação e Resiliência do MMA, Inamara Melo, afirmou que o programa foi estruturado a partir de experiências já consolidadas no estado. “São Paulo deu aula para nós. A gente bebeu na fonte aqui, na experiência de São Paulo para o desenho do Adapta Cidades”, disse. Segundo ela, “o Estado é absolutamente relevante nesse processo”, ao destacar o papel dos governos estaduais na coordenação da agenda junto aos municípios.
Apoio técnico e urgência na implementação
O secretário nacional de Qualidade Ambiental Urbana do MMA, Adalberto Maluf, destacou que o Adapta Cidades busca acelerar a implementação de políticas públicas diante da intensificação dos eventos climáticos extremos.
“O Adapta Cidades é exatamente o tipo de programa que a gente precisa fazer para criar essa governança multinível, que empodera o prefeito e os gestores municipais, com apoio técnico, institucional e financeiro”, afirmou. Ele ressaltou ainda que o cenário atual exige respostas mais rápidas, diante do aumento da frequência e da intensidade dos eventos climáticos.
Papel dos estados e experiência paulista
O diretor do Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA), Marco Nalon, destacou o protagonismo do Estado de São Paulo na agenda climática e o reconhecimento da emergência do tema. “O estado de São Paulo tem instrumentos e uma trajetória na agenda climática”, afirmou.
Nalon também chamou atenção para o avanço dos eventos extremos e seus impactos recentes no território paulista. Ele citou episódios como as fortes chuvas e desastres registrados no litoral norte, além de outros eventos que vêm sendo observados em diferentes regiões, como evidência de que os efeitos das mudanças climáticas já estão em curso.
Para o diretor, esse cenário reforça a necessidade de planejamento contínuo e de preparação dos municípios, especialmente considerando que as populações mais vulneráveis são as mais impactadas. Ele destacou ainda que a agenda climática exige integração entre os diferentes níveis de governo e não pode se limitar ao planejamento, sendo fundamental avançar na implementação de políticas públicas.
Cooperação técnica e apoio aos municípios
A diretora do projeto ProAdapta, da GIZ, Ana Carolina Câmara, destacou o papel da cooperação técnica na implementação do programa e a experiência acumulada ao longo de mais de uma década de atuação em adaptação climática no Brasil. “Nós somos a implementadora”, afirmou, ao reforçar o compromisso de apoio técnico aos municípios. Segundo ela, a iniciativa parte de aprendizados construídos em parceria com diferentes instituições, incluindo experiências piloto em municípios paulistas, que permitiram testar metodologias e ampliar a escala das ações.
“A nossa meta é chegar ao final desse processo com pelo menos 581 municípios capacitados para o planejamento da adaptação”, disse. Ela explicou que, em um primeiro momento, a proposta é trabalhar com pelo menos 10 municípios por estado, dentro de uma estratégia alinhada ao Plano Clima e ao fortalecimento do federalismo climático, em que União, estados e municípios atuam de forma integrada. Segundo Ana Carolina, o diferencial da iniciativa está justamente no processo de capacitação, que envolve técnicos, gestores, prefeitos, sociedade civil e academia, com acesso a uma base comum de conhecimento, ferramentas e treinamento. O objetivo é que os municípios saiam mais preparados para elaborar e implementar seus planos e para atuar de forma articulada com as políticas estadual e nacional. “Não é uma corrida de 100 metros, é uma maratona”, afirmou.
Estrutura do programa
O Adapta Cidades prevê apoio técnico aos municípios, com capacitação, acesso a dados, ferramentas e metodologias para análise de risco e elaboração de planos de adaptação. A meta inicial é apoiar ao menos 10 municípios por estado, com possibilidade de ampliação ao longo do programa.
Ao longo do evento, representantes do governo federal ressaltaram que o avanço da adaptação climática depende do fortalecimento das capacidades institucionais nos municípios.
Nesse contexto, o Adapta Cidades surge como uma das principais iniciativas para estruturar essa governança e apoiar os municípios na construção de respostas mais rápidas e eficazes aos impactos das mudanças do clima.
Acompanhe como foi o primeiro dia do evento e a participação da secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende: https://semil.sp.gov.br/2026/03/semil-avanca-na-agenda-de-adaptacao-climatica-com-foco-na-resiliencia-das-cidades/