18/05/2026

Mesmo com a recuperação parcial dos reservatórios, Estado mantém protocolos preventivos e articula ações de adaptação climática

Mesmo com a recuperação parcial dos reservatórios após as chuvas do início do ano, o Governo de São Paulo decidiu manter as medidas emergenciais adotadas desde 2025 para enfrentar a crise hídrica no Estado. A avaliação é de que o cenário ainda exige cautela, especialmente diante do risco de novos períodos de estiagem em 2026.

A decisão foi discutida nesta quarta-feira (13), durante reunião do Comitê Gestor da Política Estadual de Mudanças Climáticas, coordenado pela Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil). O encontro reuniu representantes de órgãos estaduais para alinhar estratégias de segurança hídrica e ações de adaptação climática.

Segundo técnicos da Agência de Águas do Estado de São Paulo (SP Águas) e da Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp), embora os níveis dos reservatórios tenham melhorado nos últimos meses, a recuperação ocorreu de forma desigual entre os sistemas. O Sistema Cantareira, principal manancial que abastece a Grande São Paulo, segue sob monitoramento permanente.

Durante a reunião, a SP Águas apresentou as ações adotadas desde o agravamento da estiagem, entre elas o reforço do acompanhamento dos reservatórios e a criação de um protocolo estadual de escassez hídrica. O modelo estabelece níveis de criticidade e orienta medidas preventivas e de contingência para apoiar municípios e operadores de abastecimento.

A agência também informou que ampliou o monitoramento do Sistema Integrado Metropolitano e dos reservatórios do interior paulista, diante da maior frequência de eventos climáticos extremos.

A Arsesp detalhou medidas regulatórias voltadas à preservação do abastecimento público, incluindo protocolos específicos para garantir o atendimento de serviços essenciais, como hospitais, creches e equipamentos públicos.

“Tínhamos clareza de que o ponto mais crítico não seria 2025, mas 2026, caso nenhuma ação fosse tomada”, afirmou Itamar Aparecido de Oliveira, especialista em regulação da Arsesp. Segundo ele, as medidas adotadas no último ano ampliaram a capacidade de resposta do sistema e ajudaram a reduzir os impactos mais severos da crise hídrica.

Além das ações emergenciais, o comitê discutiu o avanço do Plano Estadual de Adaptação e Resiliência Climática (Pearc), considerado uma das principais estratégias do Estado para enfrentar os impactos das mudanças climáticas.

A Diretoria de Planejamento Ambiental da Semil apresentou uma proposta de monitoramento das ações previstas no plano, incluindo a criação de um painel público com indicadores, obras e projetos relacionados à adaptação climática. A iniciativa prevê a integração de dados ambientais, urbanos e sociais para subsidiar políticas públicas e ampliar a transparência das ações estaduais.

Entre as ações em andamento estão capacitações regionais para municípios, estudos sobre vulnerabilidade climática e monitoramento de estruturas públicas localizadas em áreas de risco.

A assessora de Mudanças Climáticas da Semil, Marina Balestero, afirmou que o principal desafio é integrar a atuação dos diferentes órgãos diante do aumento da frequência de eventos extremos.

“O desafio é organizar as ações de forma integrada, com compartilhamento de informações e respostas mais rápidas para os municípios e para as populações vulneráveis”, disse.

Segundo os participantes da reunião, o Estado busca consolidar um modelo permanente de gestão climática e monitoramento hídrico, com maior integração entre planejamento urbano, infraestrutura, segurança hídrica e adaptação climática, para responder de forma mais rápida aos impactos das mudanças climáticas sobre o abastecimento de água em São Paulo.