26/06/2026

Projetos abordaram a recuperação de áreas afetadas no Litoral Norte e o uso de novas tecnologias para mensuração de emissões de GEE

O Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema) realizou, nesta quarta-feira (24), a 458ª reunião ordinária, marcada pela apresentação de iniciativas voltadas à adaptação às mudanças climáticas, restauração ambiental e redução de emissões de gases de efeito estufa. Os projetos foram apresentados por representantes da sociedade civil e da iniciativa privada e evidenciaram soluções inovadoras para fortalecer a agenda ambiental paulista. 

O primeiro item da Ordem do Dia foi apresentado pela conselheira Fernanda Carbonelli, do Instituto Conservação Costeira (ICC), que compartilhou a experiência da entidade na reconstrução socioambiental do Litoral Norte após os eventos climáticos extremos registrados em fevereiro de 2023 em São Sebastião. 

Na apresentação, foi destacado o projeto Restaura Litoral Norte, que mapeou 853 áreas degradadas pela tragédia e utilizou tecnologia de semeadura aérea por drones para restaurar áreas de difícil acesso na Serra do Mar. A iniciativa já promoveu a dispersão de mais de 134 milhões de sementes de espécies nativas e alcançou cerca de 80% de evolução na restauração das áreas monitoradas. 

Também foram apresentados os resultados do projeto Escolas Seguras, que levou ações de educação climática e prevenção de riscos a mais de 5 mil estudantes do município. A ação busca fortalecer a cultura de prevenção em comunidades vulneráveis, ampliando o conhecimento sobre eventos extremos, áreas de risco e protocolos de proteção. 

Durante a exposição, foram ainda apresentados dados de monitoramento territorial que apontam o avanço de ocupações irregulares e da supressão de vegetação em áreas ambientalmente sensíveis da região, reforçando a necessidade de integração entre conservação ambiental, planejamento urbano e gestão de riscos. 

Monitoramento de emissões de metano 

Na sequência, o conselho acompanhou a apresentação de um projeto piloto desenvolvido em São José dos Campos que utiliza tecnologias para medição, reporte e verificação de emissões de gases de efeito estufa. O trabalho teve como foco o monitoramento de emissões de metano em aterros sanitários. 

O projeto utilizou drones e sensores de alta precisão para identificar vazamentos e quantificar emissões de metano. Entre os resultados apresentados, está a estimativa de cerca de 31 mil toneladas anuais de dióxido de carbono equivalente associadas às emissões fugitivas identificadas na área monitorada. 

A metodologia proposta busca ampliar a precisão dos inventários de emissões, apoiar o desenvolvimento do mercado de carbono e contribuir para o aproveitamento energético do biogás gerado em aterros sanitários. 

A presidente do Consema e secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil), Natália Resende, ressaltou a importância da atuação integrada entre diferentes setores para o enfrentamento dos desafios ambientais. 

“A atuação multinível é essencial para a preservação ambiental. A articulação entre municípios, sociedade civil, organizações e o setor público é fundamental para promovermos avanços concretos. Nesse sentido, o Estado de São Paulo tem servido de referência, superando desafios expressivos e mantendo uma trajetória de progresso constante, a qual pretendemos intensificar ainda mais”, afirmou. 

Durante a reunião, também foram destacadas ações conduzidas pelo Governo de São Paulo voltadas à adaptação climática, gestão de riscos e proteção ambiental no litoral paulista, incluindo o fortalecimento da fiscalização ambiental, da educação climática, do monitoramento por satélite e do uso de novas tecnologias para ampliar a capacidade de resposta do poder público às mudanças do clima.