
14/07/2026
Mais de meio milhão foram investidos na reforma do Laboratório, que tem em seu banco cerca de 400 lotes de mais de 173 espécies, de 48 famílias botânicas
Guardião de sementes viáveis por mais de duas décadas, o Laboratório de Sementes do Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA) preserva 13 espécies da flora paulista ameaçadas de extinção. O espaço passou por reforma recente, vistoriada nesta terça (14) pela secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), Natália Resende.
A secretária conferiu as instalações reformadas do laboratório, que tiveram investimento total de mais de R$ 600 mil. Antes utilizado como um galpão, o prédio foi transformado em uma estrutura moderna, com laboratórios, salas de pesquisadores, áreas para recepção e processamento de sementes, além de espaços destinados a alunos de pós-graduação e equipes técnicas. Também foram adquiridos novos equipamentos.
O Laboratório integra a estrutura do Jardim Botânico de São Paulo, o segundo maior do Brasil, e atua na conservação de espécies nativas, no apoio a pesquisas científicas e na produção de informações que subsidiam iniciativas de recuperação de áreas degradadas, contribuindo para a ampliação da cobertura vegetal e o fortalecimento da agenda ambiental do Estado.
De acordo com Marina Crestana Guardia, pesquisadora científica e curadora do Banco de Sementes, o acervo conserva sementes armazenadas há mais de 20 anos que ainda apresentam viabilidade para germinação. “Temos sementes conservadas desde 2001 e materiais armazenados desde 2008 com excelente capacidade germinativa”, explicou.
“O acervo possui importância comparável a um patrimônio de interesse nacional, devido ao potencial para conservação da biodiversidade, restauração ambiental e pesquisa científica”, pontuou Lilian Asperti, assistente técnica de pesquisa. São 303 lotes de cerca de 100 espécies, de 32 famílias botânicas, sendo todas coletadas no Parque Estadual Fontes do Ipiranga, que abriga o Jardim Botânico. A coleção também conta com 100 lotes de 63 espécies, pertencentes a 17 famílias botânicas, de diferentes procedências.
O trabalho dos pesquisadores consiste na coleta de sementes, análise das características, germinação, produção e avaliação das mudas e armazenamento. Os lotes são conservados em câmaras frias e reavaliados periodicamente para garantir que ainda estejam íntegros. Pesquisas em andamento avaliam por quanto tempo essas espécies conseguem permanecer armazenadas sem perda da capacidade de germinação e produção de mudas fortes.
O banco também mantém pelo menos 13 espécies ameaçadas em diferentes graus de vulnerabilidade. As espécies ameaçadas estão classificadas em 3 categorias: vulnerável, quase ameaçada e em perigo. Na categoria vulnerável estão Apuleia leiocarpa (Fabaceae) – Garapa; Dalbergia nigra (Fabaceae) – Jacarandá-da-Bahia; Cedrela fissilis (Meliaceae) – Cedro-rosa; Cedrela odorata (Meliaceae) – Cedro-mirim; Euterpe edulis (Arecaceae) – Palmito; Eugenia malacantha (Myrtaceae) – Araçá-piranga; e Plinia edulis (Myrtaceae) – Cambucá-mirim. Em quase ameaçada estão: Balfourodendron riedelianum (Rutaceae) – Pau-marfim; Aspidosperma polyneuron (Apocynaceae) – Peroba-rosa; e Handroanthus impetiginosus (Bignoniaceae) – Ipê-roxo. Na categoria em perigo estão: Tachigali denudata (Fabaceae) – Passuaré; Cariniana legalis (Lecythidaceae) – Jequitibá-rosa; e Lafoensia glyptocarpa (Lythraceae) – Mirindiba-rosa.
“Estamos investindo em pesquisa para qualificar o trabalho de conservação da nossa biodiversidade. Além de gerar conhecimento científico de altíssima qualidade, referência nacional e internacional, o Laboratório de Sementes também fornece subsídios e material para projetos de restauração ecológica em diferentes regiões do estado”, enfatizou a secretária Natália Resende.
Natália ressaltou que um dos grandes desafios da agenda ambiental é aproximar a pesquisa científica, o ensino técnico, o mercado de trabalho e as políticas públicas. “Quando esses pilares caminham juntos, transformamos conhecimento em soluções concretas para a restauração ecológica, a conservação da biodiversidade e o desenvolvimento sustentável”, afirmou.
Todas as espécies preservadas no Banco de Sementes são catalogadas anualmente em uma publicação chamada de Index Seminum, que serve de subsídio para consultas de pesquisadores no Brasil e no exterior.