
25/09/2026
Atividade da Semana do Tietê reuniu órgãos públicos, instituições ambientais e sociedade civil para abordar os impactos do descarte irregular de resíduos
O Governo de São Paulo e a Prefeitura de Salto realizaram nesta sexta-feira (25) uma ação integrada de educação ambiental e limpeza simbólica no Rio Tietê, em Salto, como parte da programação da Semana do Tietê. A atividade reuniu órgãos públicos, instituições ambientais, estudantes, representantes da sociedade civil e reforçou a importância da atuação conjunta para a recuperação do rio. Participaram da ação o secretário-executivo da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), Anderson Oliveira; o subsecretário de Meio Ambiente, Jonatas Trindade; o subsecretário de Recursos Hídricos e Saneamento, Cristiano Kenji; a diretora de Educação Ambiental da Semil, Lara Costa; e o prefeito de Salto, Geraldo Garcia.
Realizada no Museu da Usina de Lavras, a programação contou com a participação de estudantes de 9 a 11 anos do CEMUS III – Escola Municipal Professor João Batista Cesar. A ação teve como um de seus principais momentos uma coleta simbólica de resíduos, na qual os estudantes recolheram materiais e os depositaram em uma escultura de peixe de aço, em uma representação do impacto do descarte irregular sobre os ambientes aquáticos.
A atividade também chamou atenção para o trabalho de retirada de resíduos flutuantes realizado no município. Em Salto, a média anual de retirada nos últimos cinco anos é de aproximadamente 130 toneladas. A última operação ocorreu em 2025, com a retirada de 5,9 toneladas. No primeiro semestre de 2026, não houve necessidade de nova operação, e os dados recentes indicam redução no volume de resíduos flutuantes observado no trecho.
O momento também estabeleceu uma conexão simbólica entre diferentes pontos do percurso do Tietê. Os estudantes levaram para Salto uma amostra de água coletada na nascente do rio, em Salesópolis, e fizeram o lançamento no Tietê durante a programação, destacando a integração do rio ao longo de sua extensão. Os estudantes também participaram da abertura da cápsula “O Tietê que eu quero pro futuro”, que reuniu desenhos, cartas e mensagens produzidos por eles. O material foi enterrado ao final da atividade, como registro simbólico das expectativas dos alunos para o futuro do rio.
“A recuperação do Rio Tietê exige uma atuação contínua, integrada e de longo prazo. O Governo de São Paulo vem trabalhando em diferentes frentes, que vão do saneamento ao desassoreamento, do monitoramento à fiscalização e à recuperação ambiental. Mas esse esforço também precisa ser acompanhado por uma mudança na relação da sociedade com o rio. A educação ambiental tem justamente esse papel: mostrar que o Tietê não é apenas um curso d’água, mas um patrimônio que atravessa cidades e depende das escolhas que fazemos todos os dias. Quando conseguimos trazer esse debate para perto das crianças, estamos ajudando a formar uma geração que conhece o rio, entende os desafios e pode participar da sua recuperação”, afirmou o secretário-executivo da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), Anderson Oliveira.
A programação também contou com atividades de educação ambiental voltadas aos estudantes. A Diretoria de Educação Ambiental (DEA) da Semil apresentou a história em quadrinhos “Tietê, o Rio Viajante”, que teve cerca de 600 exemplares distribuídos durante o evento. A publicação acompanha o percurso do rio desde sua nascente, em Salesópolis, até a foz, no Rio Paraná, apresentando sua biodiversidade, seus diferentes usos e sua importância para a história e o desenvolvimento de São Paulo. A HQ também aborda os desafios ambientais enfrentados pelo Tietê e a relação entre as atitudes da sociedade e a qualidade de suas águas.
“A educação ambiental cria oportunidades para que as pessoas conheçam melhor os rios e compreendam a relação entre suas atitudes e a conservação desses ambientes. Uma publicação como o ‘Tietê, o Rio Viajante’ permite trabalhar esse conteúdo de maneira acessível e despertar a curiosidade das crianças sobre um rio que faz parte da história e da vida de tantos municípios paulistas. A ideia é que esse conhecimento também ultrapasse os muros da escola e chegue às famílias e às comunidades”, afirma a diretora de Educação Ambiental da Semil, Lara Costa.
Educação ambiental nas escolas
Em Salto, a Prefeitura, por meio das secretarias municipais de Meio Ambiente e de Educação, em parceria com a CSO Ambiental, desenvolve o Programa Coleta Diferenciada nas Escolas, que incentiva a separação e a destinação correta de óleo de cozinha, recicláveis, rejeitos, resíduos orgânicos, pilhas e baterias. A iniciativa envolve estudantes, famílias e comunidade e inclui atividades de educação ambiental, materiais pedagógicos, jogos educativos e capacitação de professores, equipes gestoras e colaboradores.
Todas as escolas municipais sede participam do programa, que também está em expansão para as redes estadual e particular. Entre janeiro e agosto de 2026, foram realizados 3.974 atendimentos, com visitas de agentes ambientais a 13 CEMUS e implantação do programa em uma escola estadual.
O município também mantém o Ecoponto Escola, espaço voltado à educação ambiental e à responsabilidade compartilhada pelos resíduos, com atividades sobre o ciclo dos materiais, destinação correta e funcionamento dos Ecopontos. De janeiro a agosto, o espaço recebeu 1.054 visitantes, em 61 turmas do Infantil III, com atendimento a grupos escolares durante a semana e à comunidade aos sábados.
“Falar do Rio Tietê em Salto é falar da história, da memória e da identidade de muitas gerações de saltenses. Nossa cidade nasceu ao redor de sua cachoeira, cresceu às suas margens e construiu parte de seu desenvolvimento e turismo em relação com o rio. Hoje, os impactos acumulados ao longo do Tietê são visíveis em Salto. Queremos ampliar o diálogo com o Governo do Estado, municípios, universidades, especialistas, entidades, iniciativa privada e sociedade civil para discutir a recuperação do rio, promover estudos, debates e ações que contribuam para reduzir e compensar os impactos enfrentados pela cidade. Cuidar do Tietê é cuidar da história de Salto e do futuro das próximas gerações”, afirmou José Geraldo Garcia, prefeito da Estância Turística de Salto.
IntegraTietê
A ação realizada em Salto integrou uma agenda mais ampla do Governo de São Paulo para a recuperação do Rio Tietê, conduzida por meio de diferentes frentes do IntegraTietê, programa lançado em 2023. Desde então, mais de R$ 25 bilhões em investimentos foram contratados para ações voltadas à recuperação do rio, envolvendo saneamento, desassoreamento, retirada de resíduos, monitoramento, fiscalização e recuperação ambiental.
Na frente de saneamento, mais de 1,5 milhão de domicílios foram conectados à rede de esgoto desde 2023, beneficiando cerca de 4,5 milhões de pessoas. Com a ampliação da coleta e do tratamento, mais de 10 bilhões de litros de esgoto por mês passaram a ser retirados dos rios, reduzindo uma das principais fontes de poluição hídrica.
O programa também avançou na retirada de sedimentos. Desde 2023, mais de 6,5 milhões de m³ foram retirados pela SP Águas, vinculada à Semil, com investimentos superiores a R$ 1,4 bilhão. O volume corresponde a cerca de 90% da meta de 7,2 milhões de m³ prevista até o fim de 2026. Apenas em 2025, foram retirados mais de 2,3 milhões de m³ de sedimentos, o equivalente a cerca de 192 mil caminhões.
Outra frente foi a retirada de resíduos flutuantes. No Rio Pinheiros, o Lixômetro registrou a retirada de mais de 149 mil toneladas de resíduos desde 2023, evitando que esse material permanecesse no sistema hídrico e avançasse para outros trechos.
O conjunto de ações também envolveu fiscalização, monitoramento ambiental, recuperação de áreas e atuação integrada entre diferentes órgãos estaduais e instituições parceiras, ampliando a capacidade de acompanhamento e resposta aos problemas ambientais relacionados ao Tietê.
Melhora da qualidade da água
Os investimentos e as ações estruturantes do IntegraTietê também se refletiram nos indicadores de qualidade da água monitorados pela Cetesb, órgão vinculado à Semil, segundo estudo divulgado em 17 de setembro. A carga de poluição orgânica que deixou a Região Metropolitana de São Paulo pelo Rio Tietê caiu de 218 toneladas por dia, em 2024, para 154 toneladas por dia, em 2026, uma redução de 29,4% em dois anos. Em relação a 2025, quando o indicador estava em 210 toneladas por dia, a queda foi de 26,7%. O resultado de 2026 ficou 19,8% abaixo da meta de 192 toneladas por dia estabelecida pelo IntegraTietê.
A carga de poluição orgânica está relacionada principalmente ao lançamento de esgoto doméstico sem tratamento. Em excesso, a matéria orgânica reduz o oxigênio dissolvido na água, podendo provocar odores e comprometer a vida aquática.
No trecho do Médio Tietê, de aproximadamente 300 quilômetros entre Santana de Parnaíba e Barra Bonita, a concentração média de carbono orgânico total (COT) caiu de 14,8 mg/L, em 2024, para 12,6 mg/L, em 2026, uma redução de aproximadamente 15%. Os 19 pontos monitorados apresentaram melhora no período.
Nos tributários do Tietê, a concentração média ponderada de COT passou de 26 mg/L, em 2024, para 20,1 mg/L, em 2026, redução de aproximadamente 23% em dois anos. O resultado ficou 36,2% abaixo da meta de 31,5 mg/L estabelecida para 2026.
A rede de monitoramento também foi ampliada: a Cetesb passou de 11 tributários monitorados em 2023 para 30 desde 2024, permitindo acompanhar um número maior de cursos d’água que contribuem para o Tietê.
Os indicadores de qualidade da água também apresentaram evolução em pontos específicos. Na Ponte dos Remédios, o IQA passou de 15, em 2024, para 23, em 2026; em Guarulhos, de 17 para 21. Nos dois pontos, a classificação passou de péssima para ruim.
Desassoreamento
Em uma frente complementar às ações do IntegraTietê, a SP Águas também atuou na retirada de resíduos, vegetação aquática e sedimentos do Rio Tietê. Em Pirapora do Bom Jesus, a estrutura localizada a montante de Salto reteve materiais transportados pelo rio a partir da Região Metropolitana de São Paulo.
Entre abril de 2025 e julho de 2026, foram retirados 342.416,14 m³ de vegetação aquática e resíduos flutuantes. A partir de fevereiro de 2026, outros 198.857,52 m³ de sedimentos foram retirados por meio de dragagem. No total, foram removidos mais de 541 mil m³ de materiais, com investimento de R$ 79,4 milhões até julho de 2026.
As chuvas recentes aumentaram a vazão e a velocidade do Tietê e podem transportar resíduos por longas distâncias, inclusive fazendo com que parte do material ultrapasse estruturas de retenção e alcance municípios localizados a jusante, como Salto. Os serviços de retirada permaneceram em andamento.
*Fiscalização e monitoramento ampliam acompanhamento ambiental*
Outra frente é o reforço da fiscalização ambiental. Criado em março de 2025, o Grupo de Fiscalização Integrada do Rio Tietê (GFI-Tietê) reúne Semil e suas vinculadas (Cetesb, SP Águas e Fundação Florestal), além da Polícia Militar Ambiental, Secretaria de Agricultura e Abastecimento, Comitês de Bacias Hidrográficas e municípios das seis Unidades de Gerenciamento de Recursos Hídricos envolvidas.
Desde a criação do grupo, a Cetesb já realizou 608 inspeções, 1.416 coletas e análises laboratoriais e aplicou 168 penalidades, que resultaram em mais de R$16,4 milhões em multas. Já a Polícia Militar Ambiental percorreu mais de 7,4 mil quilômetros em ações de fiscalização, abrangendo cerca de 450 mil hectares de áreas de interesse, com 252 autos de infração e aproximadamente R$ 521 mil em multas.
O monitoramento ambiental também foi ampliado. A Cetesb incorporou 284 novos profissionais e recebeu investimentos superiores a R$43 milhões em equipamentos, tecnologias e ferramentas de inteligência ambiental. Entre as iniciativas está um sistema de monitoramento com imagens de satélite e inteligência artificial, capaz de acompanhar aproximadamente mil quilômetros de rios e reservatórios paulistas em tempo real.
Desde 2023, o Estado também soma cerca de 45 mil hectares de áreas compromissadas para recuperação ambiental, sendo cerca de 10 mil hectares em Áreas de Preservação Permanente (APPs). Nas nascentes do Tietê, em Salesópolis, aproximadamente 60,9 hectares estão em recuperação, com o plantio de mais de 74 mil mudas de espécies nativas. Já por meio do Fundo Estadual de Recursos Hídricos do Estado de São Paulo (Fehidro), já foram financiados cerca de R$ 47,5 milhões em projetos de restauração florestal, recuperação de mananciais e proteção de nascentes em diferentes regiões paulistas.
Logística reversa
A Cetesb está com chamamento público aberto para ampliar a rede de pontos de entrega de materiais usados no Estado, cadastrados no EcoMapa. A plataforma já reúne cerca de 13 mil pontos em 530 municípios paulistas, onde a população pode encaminhar itens como embalagens, pilhas e baterias, pneus, medicamentos, óleo de cozinha e eletroeletrônicos para reciclagem, reaproveitamento ou destinação ambientalmente adequada. O chamamento também permite o cadastro de programas-piloto, projetos de inovação em economia circular, iniciativas voluntárias de recebimento pós-consumo e outras ações voltadas à reutilização, reciclagem e recuperação de materiais. A iniciativa facilita o descarte correto e ajuda a evitar que esses materiais sejam carregados pelas chuvas para córregos e rios.