14/09/2026

Desassoreamento amplia a capacidade de escoamento do rio e integra conjunto de ações permanentes do Estado para reduzir os impactos das cheias na Zona Leste

O Governo de São Paulo já retirou mais de 371,9 mil metros cúbicos de sedimentos do Rio Tietê na região do Jardim Pantanal, na Zona Leste da capital. A intervenção recebeu R$ 55,8 milhões em investimentos estaduais e tem como objetivo ampliar a capacidade de escoamento do rio, contribuindo para reduzir os impactos das cheias na região.

A ação é coordenada pela Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), por meio da Agência de Águas do Estado de São Paulo (SP Águas), e integra as medidas permanentes adotadas pelo Governo do Estado para prevenção e redução dos impactos das inundações na região do Jardim Pantanal e no entorno do Rio Tietê.

O desassoreamento contribui para recuperar a capacidade hidráulica da calha do rio, favorecendo o escoamento da água, especialmente durante períodos de chuvas intensas.

A região do Jardim Pantanal está inserida na várzea do Alto Tietê e historicamente registra episódios de inundação em períodos de chuvas volumosas. Por isso, o Estado atua em diferentes frentes, que incluem desassoreamento, intervenções na calha do Tietê, estruturas de controle de cheias, além de ações de monitoramento e planejamento hídrico.

Barragem ajuda no controle de cheias

A Barragem da Penha é uma das estruturas que integram o sistema de controle de vazão do Rio Tietê na Região Metropolitana de São Paulo. Sua operação segue parâmetros técnicos definidos de acordo com os níveis do rio e as condições hidráulicas do sistema.

As seis comportas da estrutura permanecem normalmente abertas. O fechamento ocorre quando o nível do Tietê a jusante da barragem, no trecho mais urbanizado da capital, atinge a cota de 720 metros. A medida permite controlar a vazão que segue em direção à região central da cidade durante episódios de chuva intensa.

Com as comportas fechadas, a água passa a ocupar temporariamente a várzea do Tietê, que se estende até a região da USP Leste. É nesse entorno que está localizado o Parque Ecológico do Tietê, concebido também para preservar parte dessa área de várzea e permitir que o rio ocupe esse espaço durante períodos de cheia.

A área funciona, portanto, como espaço de acomodação temporária das águas. Com a redução das chuvas e dos níveis do rio, a água retorna gradualmente à calha e as áreas de várzea voltam à condição normal.

Quando o nível a montante da barragem chega à cota de 723 metros, a água passa sobre as comportas, permitindo o escoamento do excedente. A reabertura das comportas ocorre quando o nível do Tietê a jusante retorna à cota de 718 metros.

A operação da Barragem da Penha não provoca os alagamentos registrados em bairros da Zona Leste, como Jardim Pantanal, Jardim Romano e Jardim Helena, nem nos municípios de Itaquaquecetuba, Poá, Suzano e Mogi das Cruzes. Essas localidades estão a montante da barragem, em direção às cabeceiras do rio, e apresentam condições topográficas e hidráulicas próprias. Além disso, obstáculos naturais, como afloramentos rochosos existentes ao longo do curso do Tietê, limitam a influência hidráulica da barragem sobre essas áreas.

“O Governo do Estado está atuando de forma permanente para melhorar as condições de escoamento do Tietê e reduzir os impactos das cheias. O desassoreamento é uma medida concreta para recuperar a capacidade hidráulica do rio, enquanto a Barragem da Penha cumpre uma função específica no controle da vazão. São ações complementares dentro de um sistema que precisa ser tratado de forma integrada”, afirma Natália Resende, secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística.

Medidas permanentes

As intervenções no Jardim Pantanal fazem parte de uma estratégia mais ampla do Governo de São Paulo para recuperação do Rio Tietê e redução dos riscos provocados por eventos extremos.

No âmbito do Programa IntegraTietê, desde 2023 já foram retirados mais de 6,5 milhões de metros cúbicos de sedimentos, com investimentos superiores a R$ 1,4 bilhão em ações de desassoreamento. Especificamente no trecho entre a Barragem da Penha e o Córrego Três Pontes, que abrange a região do Jardim Pantanal, há contrato em execução para o desassoreamento de aproximadamente 11,7 quilômetros da calha do Rio Tietê.

O IntegraTietê reúne ainda ações de saneamento, fiscalização, limpeza e educação ambiental voltadas à recuperação do principal rio paulista. Desde 2023, o programa mobiliza mais de R$ 22 bilhões em investimentos. No período, mais de 1,5 milhão de domicílios foram conectados à rede de esgoto, beneficiando cerca de 4 milhões de pessoas.

No Rio Pinheiros, foram removidas 147 mil toneladas de resíduos, com investimento superior a R$ 228,2 milhões desde 2023.

Outra frente é o Programa Rios Vivos, que leva ações de desassoreamento, limpeza e revitalização de cursos d’água a diferentes regiões do Estado. O balanço mais recente registra 4,8 milhões de metros cúbicos de sedimentos retirados em 202 municípios, com cerca de R$ 350 milhões em investimentos. As intervenções contribuem para recuperar a capacidade hidráulica dos cursos d’água, melhorar o escoamento e aumentar a resiliência dos municípios diante de episódios de chuva intensa.

Pôlderes protegem a Marginal Tietê

Na Marginal Tietê, a SP Águas mantém e opera 12 conjuntos de pôlderes, estruturas que fazem parte do sistema de proteção contra cheias da via. Juntos, eles possuem capacidade de armazenamento de 29.153 metros cúbicos de água e contam com 45 bombas de recalque, distribuídas nas regiões das pontes Aricanduva, Vila Maria, Limão, Vila Guilherme, Bandeiras, Casa Verde e Anhanguera.

Os pôlderes são especialmente importantes porque alguns trechos da Marginal estão em cotas inferiores às do próprio Rio Tietê. O sistema combina estruturas de contenção, reservatórios e bombas para impedir que a água do rio avance sobre esses pontos e, ao mesmo tempo, permitir a retirada da água da chuva que se acumula nas pistas.

Durante os episódios de chuva, a água é direcionada para os reservatórios e, por meio das bombas de recalque, lançada no Rio Tietê. O sistema auxilia no escoamento das águas e na redução do risco de alagamentos nos trechos protegidos da Marginal.

A SP Águas acompanha continuamente o funcionamento dos pôlderes e realiza serviços de operação, limpeza e manutenção das estruturas e dos equipamentos de bombeamento.

Piscinões e macrodrenagem

A SP Águas também realiza a manutenção e limpeza de 27 piscinões na Região Metropolitana de São Paulo, com investimento de R$ 184,4 milhões nesses serviços desde 2023.

Outra frente são as obras de macrodrenagem em áreas densamente urbanizadas. Desde 2023, o Estado destinou quase R$ 1 bilhão, por meio da SP Águas, à implantação de reservatórios de contenção de cheias.

Entre as principais entregas está o Piscinão Jaboticabal (RM-19), concluído com investimento de R$ 573 milhões e que amplia a proteção contra enchentes em municípios do ABC e na capital paulista.

Em Franco da Rocha, foram entregues os reservatórios EU-09 e EU-08, cuja capacidade conjunta é de 268 mil metros cúbicos de água, equivalente a cerca de 107 piscinas olímpicas. Também foi entregue o TG-09, na divisa entre Franco da Rocha e Francisco Morato, com capacidade equivalente a aproximadamente 139 piscinas olímpicas e potencial para beneficiar cerca de 100 mil pessoas.

Também estão em andamento as obras do RA-01, conhecido como Piscinão Antonico, ao lado do Estádio do Morumbi. O projeto inclui intervenções no córrego Antonico e tem como objetivo ampliar a proteção contra enchentes nas regiões do Morumbi e Paraisópolis.

As medidas são complementadas por estratégias de infraestrutura verde e preservação de várzeas. Áreas como o Parque Ecológico do Tietê exercem papel importante na dinâmica natural das águas, preservando espaços para a ocupação temporária pelas águas durante períodos de cheia e contribuindo para reduzir a pressão sobre áreas urbanizadas.