
16/10/2026
Ao todo, são 181 medidas que integram mais de 50 órgãos e ações de prevenção, preparação e resposta aos eventos climáticos extremos
Voltado a antecipar riscos, fortalecer a preparação do Estado e organizar de forma integrada a atuação pública diante dos efeitos do El Niño, o Governo de São Paulo apresentou nesta quinta-feira (15) o São Paulo Sempre Alerta – Diretrizes de Atuação do Plano Estadual de Adaptação e Resiliência Climática (PEARC) para o El Niño 2026–2027. O documento reúne 181 medidas de adaptação, resiliência e gestão de riscos, articulando diferentes áreas do Governo do Estado e aproximando o planejamento climático da atuação concreta.
“São Paulo foi pioneiro ao incorporar o monitoramento da adaptação às mudanças climáticas ao planejamento de longo prazo do Estado, por meio do PEARC. Esse plano é um instrumento estratégico para orientar e acompanhar as ações necessárias à redução das vulnerabilidades e ao fortalecimento da resiliência do território paulista”, afirmou a secretária de Estado de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende.
Coordenado pela Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), o documento conecta o São Paulo Sempre Alerta ao PEARC e evidencia, na prática, a implementação da política estadual de adaptação. “O processo de consolidação das medidas para orientar a atuação do Estado de São Paulo no enfrentamento dos efeitos do El Niño 2026-2027 também considerou as contribuições recebidas pelos integrantes do Conselho Estadual de Mudanças Climáticas (CEMC). Entre os temas destacados pelo Conselho, o fortalecimento do apoio à agenda climática local, novas soluções tecnológicas aplicadas à adaptação e à gestão de riscos, o aprofundamento das medidas relacionadas às áreas urbanas e à saúde, especialmente diante das ondas de calor, e a atenção às questões de segurança hídrica”, explicou Marina Balestero, coordenadora da Assessoria de Mudanças Climáticas da Semil.
Marina destaca que o documento foi construído de forma participativa, a partir das contribuições das Secretarias de Estado que integram o Comitê Gestor da Política Estadual de Mudanças Climáticas (CGPEMC), de entidades vinculadas e de outros órgãos estaduais com atuação relacionada às condições e aos riscos considerados.
PEARC em ação
Lançado em junho de 2025, o Plano Estadual de Adaptação e Resiliência Climática (PEARC) integra a Estratégia Climática do Estado de São Paulo e orienta a implementação de ações voltadas à adaptação, ao fortalecimento da resiliência climática e à promoção da justiça climática. Desenvolvido com apoio da Agência de Cooperação Técnica Alemã, GIZ (Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit), o plano constitui uma das bases para a organização das medidas voltadas ao período do El Niño 2026–2027, que estão alinhadas às ações e subações previstas em seu Primeiro Ciclo de Implementação.
“São Paulo tem avançado na transformação de sua estratégia climática em ações concretas. Por meio do PEARC, estamos integrando políticas públicas, programas e iniciativas de diferentes áreas do governo para fortalecer a prevenção, a preparação e a resposta aos eventos climáticos extremos. Nosso compromisso é colocar o planejamento em prática, reduzir vulnerabilidades e tornar o Estado cada vez mais resiliente aos impactos das mudanças climáticas”, destacou a secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende.
Medidas de adaptação e resiliência em 5 grandes frentes
Para o São Paulo Sempre Alerta, as medidas foram organizadas em cinco grandes frentes: temperaturas elevadas, ondas de calor e baixa umidade; impactos na disponibilidade hídrica; incêndios florestais; chuvas intensas e eventos associados; e medidas transversais.
Foram reunidas iniciativas já implementadas, em execução ou previstas, além de programas, instrumentos e capacidades permanentes, envolvendo áreas como segurança hídrica, biodiversidade, saúde, infraestrutura, habitação, proteção social, agricultura, educação e apoio aos municípios.
“O objetivo é fortalecer a proteção da população, reduzir vulnerabilidades e preservar a infraestrutura e os serviços essenciais, consolidando uma atuação permanente que combina investimentos estruturantes com preparação e resposta aos eventos climáticos extremos”, destacou o secretário-chefe da Casa Militar e coordenador estadual de Proteção e Defesa Civil, Coronel PM Araújo Monteiro.
Temperaturas elevadas, ondas de calor e baixa umidade
No contexto das ondas de calor e altas temperaturas, 13 medidas foram reunidas no âmbito da vigilância e atenção à saúde, comunicação à população, arborização urbana, conforto térmico e planejamento urbano diante de temperaturas elevadas, ondas de calor e baixa umidade.
Impactos na disponibilidade hídrica
O fenômeno El Niño pode causar impactos que afetam a disponibilidade hídrica. No âmbito da segurança hídrica paulista, 25 medidas foram reunidas com objetivo de fortalecer o monitoramento hidrológico, gestão de outorgas e da demanda, regulação do abastecimento, vigilância da qualidade da água, fiscalização de mananciais e apoio emergencial aos municípios
Incêndios florestais
Na frente de prevenção e enfrentamento dos incêndios florestais, foram reunidas 36 medidas que abrangem desde a redução dos riscos até o combate ao fogo, proteção da biodiversidade, fortalecimento dos municípios e a atenção à saúde da população, no âmbito do São Paulo Sem Fogo.
Chuvas intensas, tempestades e eventos associados
Para reduzir os impactos das chuvas intensas e de eventos associados, como tempestades, ventos fortes, enxurradas, inundações, alagamentos, movimentos de massa, processos erosivos, o documento reúne 49 medidas. As iniciativas incluem mapeamento e redução de áreas de risco, sistemas de monitoramento e alerta, intervenções para aumentar a resiliência da infraestrutura, ações de atenção à saúde e apoio aos municípios afetados, fortalecendo a prevenção e a capacidade de resposta diante de emergências.
Medidas transversais
Além das ações direcionadas a ameaças específicas, o documento contempla 58 medidas transversais, que contribuem para o enfrentamento de diferentes riscos climáticos e integram a atuação dos órgãos estaduais.
Essas iniciativas abrangem governança, planejamento, produção e compartilhamento de informações, tecnologia, financiamento, comunicação e articulação institucional, criando condições para uma atuação coordenada entre secretarias, agências reguladoras, entidades vinculadas e municípios.