21/02/2020

No final de 2018, duas fêmeas de macaco-prego foram atropeladas em uma avenida da zona norte de São Paulo. Elas estavam tentando atravessar de um fragmento de mata para outro, pertencentes ao Parque Estadual Alberto Löfgren (Horto Florestal). Esse acidente motivou o coordenador técnico da Comissão do Verde e Meio Ambiente do Centro Médico da Polícia Militar, Fábio Ferrão, a encarar a construção de uma nova Passagem Superior de Fauna (PSF-2). Com o auxílio da bióloga da ViaFAUNA Consultoria Ambiental, Fernanda Abra, foi instalada a passagem sobre a Avenida Santa Inês.

A PSF-2, construída em 2019, possui 27 metros de comprimento e foi fabricada com cordas e canos na própria residência do policial com a ajuda de seus familiares. A ViaFAUNA financiou a compra dos materiais para a construção da passagem que foi instalada acima da fiação pela distribuidora de energia Enel. Participaram também do processo, a Divisão de Reservas e Parques Estaduais do Instituto Florestal (IF), que viabilizou os encaminhamentos e o apoio logístico institucional, além do ecólogo e pesquisador científico do IF, Márcio Port.

A PSF-1 está instalada em outra localidade do parque desde 2015 e possui 186 m de comprimento. É considerada uma das mais longas desse formato no mundo, ela permite o trânsito seguro, livre de atropelamentos e eletrocussões, de animais silvestres provenientes do Parque Estadual Alberto Löfgren, em direção aos atrativos existentes no fragmento de mata da Invernada do Barro Branco da Polícia Militar. Foi projetada e instalada também pelo policial Fábio Ferrão, com a ajuda da bióloga da Enel, Priscila Maciel, de profissionais da SVMA (Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente), funcionários do IF e ajuda do comércio da região Itacácio, além do Grupo de Escoteiros e de estagiários universitários da FMU.

“Esse corredor aéreo é mais uma importante ferramenta de preservação da fauna que habita a Zona Norte da capital paulista”, comentou o diretor-geral do IF, Luís Alberto Bucci.

Essa passagem propicia que as duas áreas verdes dos limites da cidade, separadas por área urbana, sejam livremente visitadas pela fauna arborícola. Com o monitoramento de ambas as passagens, por meio de câmeras ativadas por sensores de movimento, foram registrados utilizando a passagem sagui (Callithrix sp.), bugio-ruivo (Alouatta clamitans), gambá-de-orelha-preta (didelphis aurita), ouriço-cacheiro (coendou spinosus), caxinguelê (guerlinguetus ingrami) e macaco-prego (sapajus sp.), demonstrando o sucesso da ação.

“Com envolvimento da população, instituições públicas e privadas conseguimos realizar a construção dessa passagem evitando o atropelamento, eletrocussão e isolamento de diversas espécies que vivem nos parques da zona norte da cidade de São Paulo”, explicou Ferrão.