10/05/2023

Estudos associados à vegetação nativa, com participação da Semil, ajudarão na redução do impacto das mudanças climáticas

Pesquisadores envolvidos no Projeto Biota Síntese – Núcleo de Análise e Síntese de Soluções Baseadas na Natureza apresentaram, no último dia 27, dados sobre o monitoramento do solo paulista, apontando onde há mais concentração de carbono acumulado na vegetação nativa. Além disso, foi mostrado como a restauração ecológica no estado pode influenciar na estocagem de carbono e a estimativa de produção em 30 anos após a restauração. A apresentação aconteceu na sede da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), na capital. Os conjuntos de mapas de carbono relacionados à vegetação nativa são fundamentais para o fomento de políticas públicas e mecanismos associados à conservação da biodiversidade e à adaptação às mudanças climáticas.

O subsecretário de Meio Ambiente, Jônatas Trindade, destacou a importância do projeto para a restauração da vegetação no estado. “Sabemos que é a longo prazo, mas deve ser usado para nos ajudar a recuperar a floresta do território, não só Mata Atlântica, mas também o cerrado, outro bioma importante para nós”, avaliou.

Os estudos também poderão auxiliar na identificação da variação dos potenciais de retenção de carbono nas diversas regiões do estado, cenários futuros visando o planejamento de ações de restauração como as implementadas no âmbito do Programa Refloresta SP. Também será possível aumentar a produtividade na agricultura, sendo esse um dos objetivos de longo prazo do projeto, além de contribuição para a viabilidade econômica das iniciativas de restauração do solo.

O vice-diretor do Biota Síntese e especialista ambiental da Semil, Rafael Chaves, destacou a importância de o projeto trabalhar em uma lógica de co-produção entre pesquisadores e gestores, permitindo e elaboração de estudos científicos mais aderentes às necessidades das políticas públicas do estado. Os estudos também apontam a possibilidade de aumentar a produtividade na agricultura, sendo esse um dos objetivos de longo prazo do projeto, além da contribuição para a viabilidade econômica das iniciativas de restauração de ecossistemas. No debate foi apontada, ainda, a importância da inclusão de análises de elegibilidade para negociações relacionadas ao mercado de emissões de carbono.

A apresentação foi feita pela pesquisadora Nathalia Nascimento (IEA-USP), com supervisão do professor Pedro Brancalion (Esalq-USP) e contou com as presenças de Jean Paul Metzger (professor e diretor do Biota Síntese) e de Marcelo Sodré, coordenador do Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA).

O projeto integra o programa Ciência para o Desenvolvimento da Fapesp, como um dos Núcleos de Pesquisa Orientada a Problemas em São Paulo (NPOP-SP), e tem apoio de três secretarias do Governo de São Paulo: Secretaria de Agricultura e Abastecimento; Secretaria de Saúde e Secretaria de Infraestrutura, Meio Ambiente e Logística. As ações estão integradas com as medidas, diretrizes e estratégias para neutralizar as emissões de gases de efeito estufa e promover as adaptações para as mudanças climáticas até 2050, dentro dos programas da ONU Race to Zero e Race to Resilience, aos quais o governo aderiu.