
06/02/2026
Entregas voluntárias e resgates impulsionam alta; crescimento de animais oriundos do tráfico está ligado à manutenção irregular em residências
O Centro de Triagem de Animais Silvestres de São Paulo (Cetras-SP) da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) encerrou o balanço de 2025 com um aumento de 10,7% no número total de animais recebidos em relação ao ano anterior, passando de 8.567 para 9.487. Mais do que um crescimento quantitativo, os dados indicam uma mudança no perfil das ocorrências atendidas pelo centro, com avanço expressivo das entregas voluntárias e dos resgates.
Entre os principais movimentos observados em 2025 está o aumento de 31,6% nas entregas voluntárias. Segundo o Cetras-SP, a principal motivação identificada é a dificuldade das pessoas em manter animais silvestres quando eles chegam à fase adulta. Animais silvestres exigem manejo especializado, alimentação específica, espaço adequado e cuidados contínuos, além de apresentarem maior longevidade, o que torna a manutenção inviável para quem os mantêm de forma irregular em ambiente doméstico. “Grande parte das entregas voluntárias está relacionada à dificuldade de manter um animal silvestre adulto. Muitas pessoas adquirem esses animais ainda filhotes e, com o passar do tempo, percebem que não conseguem atender às necessidades da espécie, seja por falta de estrutura, de conhecimento técnico ou pelas próprias mudanças na rotina e no local de moradia”, explica Sayuri Fitorra, bióloga e chefe do Cetras-SP.
Os resgates também registraram aumento, com alta de 17,5% em relação a 2024. A equipe técnica avalia que esse crescimento pode estar associado a fatores sazonais e climáticos, como ventanias e chuvas intensas, que derrubam ninhos e filhotes, além de favorecerem o deslocamento de animais silvestres em áreas urbanizadas. A relação, no entanto, depende de análises complementares com dados ambientais.

Aumento de registros ligados ao tráfico
Outro dado relevante do balanço é o crescimento de 5,3% no número de animais cuja origem foi identificada como tráfico, passando de 5.094 em 2024 para 5.366 em 2025. O Cetras-SP ressalta que esse aumento está relacionado ao crescimento das entregas voluntárias. Animais mantidos irregularmente em residências entram na estatística como oriundos do tráfico, ainda que não tenham sido apreendidos em operações de fiscalização.
Ampliação das destinações
Apesar do aumento no volume de entradas, o Cetras-SP ampliou as destinações ao longo de 2025. O número de animais reabilitados passou de 5.015 em 2024 para 5.046 em 2025, enquanto as solturas cresceram de 3.759 para 3.825. As destinações incluem tanto a soltura na natureza quanto o encaminhamento a empreendimentos autorizados, nos casos em que os animais não podem retornar ao ambiente natural. Essa ampliação também abriu novas vagas e permitiu que o centro absorvesse um volume maior de animais ao longo do ano.
O balanço reforça a importância da conscientização da população sobre os impactos da aquisição de animais silvestres. A compra ou manutenção desses animais fora dos canais legais alimenta o tráfico, contribui para a retirada de indivíduos da natureza e, muitas vezes, resulta em abandono ou entrega quando os animais chegam à fase adulta. O Cetras-SP destaca que a escolha de não adquirir animais silvestres é uma das principais formas de reduzir a pressão sobre a fauna e o trabalho dos centros de triagem no Estado de São Paulo.