26/03/2026

Encontro na capital encerra a escuta regional do PLI-SP 2050, validando análises e consolidando contribuições para orientar investimentos logísticos no Estado

Com apenas 3% do território nacional, São Paulo concentra 31% do PIB brasileiro e responde por aproximadamente metade de todo o fluxo de cargas do país — mais de 1,2 bilhão de toneladas transportadas anualmente. Esse protagonismo se intensifica na Macrometrópole Paulista, que reúne cerca de 25% do PIB nacional e movimenta aproximadamente 30% das cargas do Brasil, evidenciando o papel de São Paulo como ponto de convergência dos principais fluxos logísticos do país, um sistema que conecta produção, consumo e distribuição em escala nacional.

É nesse contexto que a cidade sediou, na Fiesp, o 9º Fórum Regional do Plano de Logística e Investimentos do Estado de São Paulo (PLI-SP 2050), encerrando o ciclo de escuta regional do planejamento estadual. O encontro reuniu representantes do poder público, setor produtivo e especialistas para consolidar contribuições e validar o diagnóstico técnico que irá orientar a definição final e a priorização de projetos e a agenda de investimentos em logística e mobilidade até 2050.

“Encerramos um ciclo fundamental de escuta qualificada em todo o Estado, que nos permitiu transformar percepções regionais em insumos técnicos concretos. Agora, entramos na fase decisiva do PLI-SP 2050, que é a definição da carteira de projetos estratégicos que irão orientar os investimentos em logística e mobilidade nas próximas décadas, com base em evidências e nas reais necessidades do território paulista”, afirma o subsecretário de Logística e Transportes, Denis Gerage Amorim.

O PLI-SP 2050 se consolida, assim, como instrumento estruturante de planejamento de longo prazo, integrando análise técnica, modelagem de demanda e participação social para orientar decisões e qualificar os investimentos em infraestrutura logística no Estado.

Fechamento do ciclo: escuta em todo o Estado e consolidação das contribuições

O Fórum realizado em São Paulo marca a conclusão de um ciclo de nove encontros regionais promovidos pelo PLI-SP 2050, que percorreram diferentes territórios do Estado com o objetivo de captar, de forma estruturada, demandas, gargalos e oportunidades relacionadas à infraestrutura de transportes e logística.

Ao longo dos últimos seis meses, os fóruns — realizados nas regiões do Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE) — reuniram mais de 500 participantes, entre representantes do setor público, setor produtivo, especialistas e instituições da sociedade civil, consolidando um processo amplo de escuta qualificada. Esse esforço foi complementado por contribuições recebidas por meio de formulário online, que já soma 87 propostas organizadas por temas, modais e regiões, incorporadas às análises técnicas do plano.

Esse conjunto de informações, aliado aos estudos técnicos desenvolvidos no âmbito do PLI-SP 2050, estrutura uma base robusta para a etapa do projeto que envolve a simulação de cenários, a avaliação de alternativas e a priorização de projetos estratégicos para o Estado. Todas as etapas já realizadas culminarão na elaboração de um diagnóstico geral, a ser finalizado neste semestre.

“Receber o Fórum do PLI na Fiesp reforça a importância de aproximar o planejamento público das necessidades reais do setor produtivo. A escuta qualificada promovida pelo plano, especialmente em uma região tão estratégica como a RMSP, é fundamental para orientar investimentos mais eficientes, integrar modais e fortalecer a competitividade da indústria paulista”, afirma Adalberto Febeliano, diretor-adjunto do Deinfra da Fiesp.

Mobilidade metropolitana e integração de modais no centro do debate

Na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), maior polo urbano e econômico do Estado, os desafios de mobilidade e logística ganham escala e complexidade únicas. Com cerca de 21 milhões de habitantes distribuídos em 39 municípios, a região concentra fluxos intensos de passageiros e cargas e exerce papel estratégico na articulação entre o interior paulista, o litoral e os principais corredores econômicos do país.

Nesse contexto, a principal diretriz destacada no Fórum foi o avanço da integração e da diversificação dos modais de transporte, com foco em soluções mais eficientes, sustentáveis e de maior capacidade, capazes de reduzir custos logísticos, melhorar a mobilidade urbana e ampliar a competitividade econômica da região.

“A competitividade da indústria paulista está diretamente ligada à eficiência da logística. Avançar na integração entre modais e na redução de custos é essencial para manter São Paulo como motor do desenvolvimento do país”, destaca Pedro Eusébio Baptista Oviedo, diretor titular do Ciesp Distrital Sul.

Projetos estruturantes: intermodalidade e reorganização dos fluxos

Na Região Metropolitana de São Paulo, onde se concentram e se sobrepõem fluxos de passageiros e cargas, os projetos estruturantes discutidos no Fórum têm como objetivo central reorganizar e redistribuir esses fluxos, reduzindo a pressão sobre o sistema viário urbano e aumentando a eficiência logística do Estado. Nesse contexto, o Trem Intercidades (TIC) se destaca como solução estruturante ao conectar a capital a polos regionais como Campinas (incluindo o aeroporto de Viracopos), Sorocaba, Santos e São José dos Campos.

Ao ampliar a oferta de transporte de média e longa distância sobre trilhos, o projeto contribui para retirar parte da demanda das rodovias e reorganizar a mobilidade regional. Associado a essa lógica, o plano incorpora estudos sobre o conceito do Expresso Carga (EC), que propõe o uso da infraestrutura ferroviária para o transporte de cargas, estruturando uma operação intermodal baseada na integração entre caminhões e trens, com terminais dedicados à transferência de carga. A iniciativa permite desviar fluxos hoje concentrados na malha rodoviária urbana, reduzindo congestionamentos e custos logísticos.

O encontro também destacou a importância de intervenções complementares na infraestrutura rodoviária, com foco na redução de interferências no tráfego urbano e na melhoria da fluidez logística. Entre as diretrizes discutidas estão conexões com as marginais, o fechamento do Rodoanel e o aprimoramento dos acessos ao sistema Anchieta-Imigrantes.

“Projetos estruturantes, como os sistemas sobre trilhos e a integração logística, são decisivos para superar gargalos históricos e elevar a competitividade do Estado. A iniciativa do Governo de São Paulo de promover uma escuta qualificada por meio dos Fóruns Regionais do PLI-SP 2050 contribui diretamente para qualificar as decisões de investimento e ampliar seus impactos em produtividade e sustentabilidade”, avalia Ana Beatriz Monteiro, especialista líder em Transporte do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Planejamento integrado e governança para orientar investimentos

Além das intervenções físicas, o encontro evidenciou a importância do fortalecimento do planejamento e da governança, com integração entre planos municipais e um plano regional de mobilidade capaz de orientar investimentos de forma coordenada e eficiente. O PLI-SP 2050 incorpora essa dimensão ao estruturar não apenas uma carteira de projetos, mas também diretrizes institucionais e regulatórias que assegurem continuidade, previsibilidade e alinhamento entre diferentes níveis de governo e setores envolvidos.

SP Pra Toda Obra

Na Região Metropolitana de São Paulo, o programa SP Pra Toda Obra tem atuado de forma estratégica para melhorar a fluidez dos principais acessos viários, reduzir interferências urbanas e apoiar a reorganização dos fluxos logísticos que convergem para a capital. Entre 2023 e 2025, foram concluídas obras estaduais e municipais que somam aproximadamente R$ 1,0 bilhão em investimentos, contemplando intervenções de conservação, recuperação funcional, duplicações pontuais e pavimentação em diversos municípios da região. As ações incluem a recuperação de mais de 260 km de rodovias e vias municipais, além de melhorias em trechos estratégicos que conectam a RMSP ao interior e ao litoral.

Atualmente, estão em execução obras estaduais e municipais que totalizam cerca de R$ 99,9 milhões, com foco na melhoria de acessos locais e na qualificação da malha viária. Além disso, estão previstos novos investimentos da ordem de R$ 646,9 milhões, destinados à contratação de obras de conservação especial, duplicações e intervenções estruturais em corredores relevantes para a logística metropolitana, incluindo ligações entre municípios da Grande São Paulo e eixos de conexão com o sistema Anchieta-Imigrantes e o Rodoanel.

Sobre o PLI-SP 2050

O Plano de Logística e Investimentos do Estado de São Paulo (PLI-SP 2050), coordenado pela Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), é um plano de Estado que orienta o desenvolvimento da infraestrutura de transportes nas próximas décadas. A iniciativa integra diferentes modais — rodoviário, ferroviário, hidroviário, aeroportuário e portuário — em uma estratégia única, com foco na eficiência logística, redução de custos, sustentabilidade ambiental e desenvolvimento econômico.