20/05/2026

Estado já registrou mais de 160 demandas relacionadas à presença de animais nativos em áreas urbanas

O aumento das demandas relacionadas à presença de animais silvestres em áreas urbanas e rurais levou o Governo de São Paulo a ampliar as ações de orientação técnica e capacitação voltadas aos municípios paulistas. Desde a criação do Grupo de Trabalho de Coexistência Humano-Fauna, em 2024, a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) já respondeu mais de 160 solicitações de orientação técnica sobre conflitos envolvendo fauna silvestre, além de realizar vistorias e apoiar municípios em casos relacionados ao manejo de diferentes espécies. 

As situações envolvem contextos variados e cada vez mais frequentes no cotidiano das cidades. Entre os casos acompanhados pela pasta estão capivaras em áreas urbanas e parques públicos, devido à relação com o carrapato-estrela e a febre maculosa; maritacas causando danos em lavouras, estruturas e redes elétricas; além de ocorrências envolvendo quatis, gambás, primatas e outros animais silvestres atraídos pelo descarte irregular de resíduos ou pela oferta inadequada de alimentos pela população. 

As ocorrências também incluem situações relacionadas à captura e manutenção irregular de animais silvestres. Na região de Presidente Prudente, a Polícia Militar Ambiental registrou a apreensão de 1.435 animais silvestres desde 2023, considerando aves, mamíferos e répteis. Segundo especialistas, a tentativa de domesticação e o tráfico de fauna também estão entre os fatores que impactam a conservação das espécies e aumentam os desafios da convivência entre pessoas e animais silvestres. 

Dentro dessa estratégia, a Semil, por meio da Diretoria de Biodiversidade e Biotecnologia (DBB), promove no dia 26 de maio o 1º Encontro de Coexistência Humano-Fauna, no município de Anhumas, na região de Presidente Prudente. O evento será voltado a representantes municipais, técnicos e servidores públicos que atuam diretamente em situações envolvendo fauna silvestre, sustentabilidade e saúde ambiental. 

A iniciativa integra as ações do Grupo de Trabalho criado pela pasta para estruturar protocolos, conteúdos técnicos e capacitações regionais sobre coexistência humano-fauna no estado. O foco é apoiar os municípios diante do aumento de situações envolvendo animais silvestres em áreas urbanas, rurais e periurbanas, promovendo medidas preventivas, manejo adequado e redução de conflitos. 

“O objetivo é fortalecer o olhar dos municípios para a fauna silvestre dentro da gestão ambiental e urbana. Muitas vezes, as equipes locais recebem demandas da população sem protocolos definidos ou orientação técnica específica. Queremos apoiar os municípios para que consigam atuar de forma preventiva, segura e sustentável”, afirma a chefe do Departamento de Fauna Silvestre In Situ e Ex Situ da Semil, Milena Bressan. 

Segundo Milena, grande parte dos conflitos está relacionada à forma como as cidades se expandem e também ao comportamento humano. “Coexistência também significa orientar a população sobre práticas que evitam atrair animais silvestres e reduzem riscos tanto para as pessoas quanto para a fauna”, destaca. 

Entre os temas abordados no encontro estarão coexistência com fauna silvestre, prevenção de conflitos, manejo, saúde única e estratégias de atuação municipal. O evento contará ainda com a participação da pesquisadora da USP Katia Maria Paschoaletto Micchi de Barros Ferraz, autora do guia “Coexistência com a fauna”, referência na abordagem sobre interação entre pessoas e animais silvestres em áreas urbanas e compartilhadas. 

Segundo a diretora de Biodiversidade e Biotecnologia da Semil, Patrícia Locosque Ramos, o tema exige atuação integrada entre diferentes áreas da gestão pública. “A coexistência humano-fauna é um desafio crescente nas cidades paulistas e envolve conservação ambiental, saúde pública e planejamento urbano. Nosso trabalho busca justamente ampliar a capacidade técnica dos municípios para lidar com essas situações de forma qualificada e baseada em conhecimento científico”, afirma. 

Capacitação e apoio técnico 

Além do encontro presencial, a Semil também vem ampliando a formação técnica por meio da plataforma Semil EaD/DBB, criada para oferecer cursos gratuitos sobre coexistência humano-fauna e manejo de fauna silvestre. Desde a implantação da plataforma, mais de mil participantes se inscreveram nas capacitações, com representantes de 419 municípios paulistas. Ao menos 286 municípios já tiveram participantes concluintes em um dos cursos oferecidos. 

A convivência entre pessoas e fauna silvestre também impacta a segurança viária. Dados do Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de São Paulo (DER-SP) apontam 1.039 registros de atropelamentos de animais silvestres na região de Presidente Prudente entre 2023 e 2026. Para reduzir riscos, o Departamento mantém estruturas de passagem de fauna em rodovias estaduais e ações de sinalização em trechos considerados críticos. Atualmente, 121 estruturas de passagem de fauna estão implantadas ao longo da malha rodoviária administrada pelo DER-SP. 

Em 2025, a pasta também emitiu 19 autorizações para controle populacional de capivaras, espécie frequentemente associada a demandas municipais relacionadas à febre maculosa e manejo em áreas urbanas e de circulação pública. 

As ações do Estado vêm sendo ampliadas em diferentes frentes. Recentemente, a Semil participou de discussões em Jarinu sobre impactos causados por maritacas em áreas urbanas e produtivas, contribuindo para a criação de um grupo de trabalho voltado ao tema. 

O Grupo de Trabalho de Coexistência Humano-Fauna foi criado para desenvolver estratégias permanentes de capacitação, elaboração de protocolos e apoio técnico aos municípios paulistas entre 2024 e 2027. Entre os objetivos estão o mapeamento dos principais conflitos envolvendo fauna silvestre no estado, a produção de materiais técnicos e a promoção de ações integradas voltadas à convivência sustentável entre pessoas e animais silvestres.