15/06/2026

Encontro também destacou o lançamento do Edital da Edição 2026 do Prêmio SP Carbono Zero e os avanços do Finaclima-SP

O Conselho Estadual de Mudanças Climáticas (CEMC) realizou, no dia 11 de junho, a 6ª Reunião Ordinária de 2026, com foco na contribuição da ciência, da inovação e da produção de conhecimento para o fortalecimento dos instrumentos e políticas da agenda climática do Estado de São Paulo.

A reunião foi coordenada pelo Coronel Mauro Filho, da Casa Civil, que destacou os avanços alcançados durante o Mês do Meio Ambiente e ressaltou a importância da articulação entre governo, centros de pesquisa, universidades e municípios para ampliar a capacidade de resposta aos desafios climáticos.

A pauta técnica do encontro foi dedicada à discussão sobre como centros de pesquisa, instituições de ciência e tecnologia e programas de síntese do conhecimento podem apoiar a implementação dos principais instrumentos climáticos do Estado, como o Plano Estadual de Adaptação e Resiliência Climática (PEARC) e o Plano de Ação Climática 2050 (PAC 2050).

A reunião também apresentou atualizações sobre iniciativas estratégicas da política climática paulista. Entre os destaques estiveram o lançamento do Edital da Edição 2026 do Prêmio SP Carbono Zero, iniciativa voltada ao reconhecimento de projetos inovadores de mitigação e adaptação às mudanças climáticas, e os avanços do Finaclima-SP, mecanismo de financiamento voltado a projetos de restauração, conservação e adaptação climática.

Integração crescente entre as agendas de inovação e sustentabilidade

Representando a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (SCTI), André Aquino, apresentou as diretrizes do Plano Diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação e destacou a integração crescente entre as agendas de inovação e sustentabilidade. Segundo ele, a incorporação da temática climática como eixo transversal da política estadual busca acelerar a transformação do conhecimento científico em soluções aplicáveis à gestão pública e ao desenvolvimento sustentável.

Entre as iniciativas apresentadas, destacam-se os Distritos de Inovação, concebidos como ambientes de cooperação entre governo, academia e setor privado para testar e validar tecnologias em condições reais, promovendo a geração de soluções voltadas à adaptação climática, à descarbonização e à sustentabilidade urbana. “Essa articulação institucional visa atrair demandas tecnológicas qualificadas do setor produtivo e criar rotas de financiamento. “Ao alinhar as competências já instaladas, o Distrito pretende reduzir as barreiras entre a bancada do laboratório e a aplicação prática na sociedade”, explicou Aquino, coordenador do Distrito de Inovação.

A reunião também contou com a participação do professor Jean Paul Metzger, da Universidade de São Paulo (USP), que apresentou o programa Biota Síntese, iniciativa voltada à produção de conhecimento científico direcionado à formulação de políticas públicas. O pesquisador destacou evidências sobre os benefícios econômicos dos serviços ecossistêmicos, como a polinização para a agricultura, além do potencial das soluções baseadas na natureza e da restauração ecológica para enfrentar desafios como ilhas de calor, enchentes e perda de biodiversidade.

Finaclima-SP

Encerrando a pauta, foram apresentados os avanços do Finaclima-SP, mecanismo financeiro que busca ampliar a participação de recursos privados no financiamento de projetos de mitigação, adaptação e restauração ecológica. Atualmente, estão em andamento projetos-piloto voltados à restauração florestal e ao pagamento por serviços ambientais (PSA) no Pontal do Paranapanema e na Área de Proteção Ambiental (APA) Cantareira. Desde 2025, o fundo já recebeu aportes que somam mais de R$16 milhões, oriundos de parcerias com empresas e da conversão de multas ambientais. Os recursos são destinados a projetos de alto impacto em restauração, conservação e serviços ecossistêmicos.

O encontro reforçou que a integração entre produção científica, inovação tecnológica, gestão pública e mecanismos de financiamento é fundamental para apoiar a tomada de decisão e ampliar a capacidade de implementação das políticas de mitigação, adaptação e resiliência climática no Estado de São Paulo.