28/11/2025

Evento reuniu especialistas, gestores e voluntários para apresentar resultados, discutir desafios e reforçar o papel das UCs na proteção de polinizadores

A Fundação Florestal, vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), realizou nesta terça-feira (25) o 1º Encontro – 5 anos do Programa Abelhas Nativas, celebrando um ciclo marcado por resultados concretos na conservação de polinizadores essenciais para a biodiversidade, para os serviços ecossistêmicos e para a própria produção agrícola.

O evento reuniu pesquisadores, técnicos, meliponicultores, gestores ambientais, voluntários e representantes da Semil, que acompanharam apresentações, mesas-redondas e atividades de campo ligadas à conservação das abelhas nativas e ao papel das Unidades de Conservação (UCs) como polos irradiadores de biodiversidade.  

Para o subsecretário de Meio Ambiente da Semil, Jônatas Trindade, que esteve no encontro, a iniciativa demonstra a força da integração entre conservação, ciência e gestão pública. “É uma satisfação ver um projeto tão maravilhoso e tão importante. Trabalhar com abelhas nativas como forma de conservar as UCs é fundamental. Acompanho os processos de restauração no Brasil todo há 15 anos e posso dizer com certeza que o fator fauna faz toda a diferença para a restauração dos ecossistemas. Sem a fauna, esse processo seria muito mais difícil. Sou parceiro nesse processo porque acredito muito nesse trabalho de vocês”, afirmou. 

O diretor da Fundação Florestal, Rodrigo Levkovicz, reforçou o reconhecimento ao empenho das equipes envolvidas. “O trabalho desenvolvido com as abelhas nativas é motivo de grande orgulho para a Fundação Florestal. Nossa equipe tem atuado com dedicação, unindo ciência, manejo e sensibilidade para fortalecer a conservação desses polinizadores tão importantes para os ecossistemas paulistas. Os resultados que celebramos hoje são fruto direto desse esforço coletivo”. 

Ao longo dos últimos cinco anos, o Programa Abelhas Nativas consolidou-se como uma iniciativa prioritária para a Fundação Florestal, voltada à conservação de espécies dos biomas Mata Atlântica e Cerrado presentes nas UCs, aliando pesquisa, educação ambiental, comunicação e ações diretas de manejo. O programa já implantou 30 meliponários educativos dentro das Unidades de Conservação, utilizando ninhos-isca e resgates realizados nas próprias áreas protegidas, além de capacitar equipes e parceiros para o manejo adequado das espécies.

Cinco anos em números

Hoje, em São Paulo são registradas 61 espécies de abelhas nativas sem ferrão, das quais oito estão ameaçadas de extinção; nas UCs paulistas, foram identificadas 32 espécies de abelhas sem ferrão e 33 espécies de abelhas solitárias, enquanto em todo o estado esta última chega a 729. Os meliponários mantidos pelo programa já abrigam 192 caixas, reunindo 17 espécies diferentes, o equivalente a 28% de todas as espécies de abelhas sem ferrão conhecidas em território paulista.  

Parte dessas ações também vem sendo fortalecida através da integração com os programas de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), como o PSA Juçara e o PSA Guardiões das Florestas, que incorporaram o eixo de biodiversidade e hoje remuneram produtores e comunidades que mantêm meliponários e contribuem diretamente para a conservação destes polinizadores.  

Durante o evento, os participantes acompanharam palestras sobre conservação de abelhas nativas e manejo de Apis mellifera, mesas-redondas sobre meliponicultura e discussões sobre o papel das UCs na manutenção da polinização como serviço ecossistêmico. Uma atividade integrativa permitiu aos presentes visitar ninhos naturais e o meliponário mantido pela FF na sede da Semil, reforçando na prática a importância do manejo responsável para a conservação das espécies.  

O coordenador do Programa Abelhas Nativas, Gustavo Alexandre, que lidera a iniciativa ao lado de Vanessa Puerta Verelli, destacou a consolidação do trabalho ao longo deste primeiro ciclo. “O Programa Abelhas Nativas consolidou, ao longo de cinco anos, uma importante contribuição para a conservação da biodiversidade e para o fortalecimento dos serviços ecossistêmicos, por meio da implantação de 30 meliponários nas Unidades de Conservação, em distintas regiões do Estado”, declarou.  

O Programa Abelhas Nativas seguirá ampliando suas ações nos próximos anos, com novas capacitações, monitoramentos e projetos voltados à restauração ecológica, incentivo à criação de abelhas nativas no entorno das UCs e expansão de meliponários educativos no território paulista.