04/05/2026

A nova estrutura, com conclusão prevista para o primeiro semestre de 2027, terá volume útil de 136,3 mil m³

O Governo de São Paulo, por meio da SP Águas, órgão vinculado à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), anunciou nesta segunda-feira (4) a construção de uma nova barragem no município de Bofete, a 210 km da capital. Com investimento de R$ 9,4 milhões, a estrutura visa garantir o abastecimento de cerca de 11 mil moradores e pôr fim a um histórico de interrupções causadas por eventos climáticos extremos.

A nova estrutura de captação, que ocupará uma área de drenagem de 7,1 km², substituirá a solução provisória instalada após as enchentes de 2009. Naquele ano, o município foi atingido por um evento extremo: em apenas 80 minutos, o volume de chuva equivaleu ao esperado para 15 dias. O temporal rompeu a barragem existente, provocou deslizamentos, inundações em áreas urbanas e rurais e danificou a infraestrutura, levando à decretação de situação de emergência e à interrupção do abastecimento público.

“A barragem em Bofete é uma intervenção estratégica para garantir segurança e resiliência hídrica ao município. Estamos falando de água, para garantir o abastecimento da população pelos próximos anos. É uma obra aguardada desde 2009, que enfrentou entraves e que agora, de fato, sai do papel. Será uma barragem mais robusta, dimensionada para atender com eficiência a demanda do município e trazer mais tranquilidade à população”, afirmou o governador Tarcísio de Freitas, durante evento em Araçoiaba da Serra, onde foi anunciada a nova obra.

“A barragem, esperada desde 2009, é uma conquista importante para Bofete e toda a região. Esta é uma obra essencial para a segurança hídrica e a resiliência local, construída a partir de muita batalha da prefeitura. Ficamos muito felizes em ver esse projeto começar e temos o compromisso de entregá-lo concluído. Hoje, São Paulo já conta com mais de 1.100 frentes de obras de resiliência hídrica, e esta é especialmente significativa”, disse a secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, durante a solenidade.

Para restabelecer o fornecimento, a concessionária instalou uma solução emergencial a cerca de 650 metros do ponto original. Porém, em março de 2011, um novo evento de chuvas intensas danificou essa estrutura provisória, causando nova interrupção do abastecimento e perdas operacionais. Diante da repetição das falhas, a obra definitiva foi classificada como prioritária no plano estadual de segurança hídrica.

Prevista para ser concluída no primeiro semestre de 2027, a barragem terá volume útil de 136,3 mil m³ e ocupará uma área na bacia do Rio do Peixe, afluente do Rio Tietê. O empreendimento é visto como uma resposta estruturante para proteger Bofete dos impactos de chuvas intensas, que historicamente comprometeram o abastecimento da população.

Segurança

A nova barragem será construída com terra compactada — ou seja, terra que é aplicada em camadas finas e depois comprimida com máquinas pesadas até ficar tão firme quanto uma rocha. Esse processo elimina os espaços vazios do solo, impedindo que a estrutura desmorone ou ceda com o peso da água. Ela terá 145 metros de extensão. Já o topo da estrutura, chamado de crista, terá 7 metros de largura. Para evitar vazamentos, o centro da barragem será preenchido com argila, funcionando como uma camada impermeável.

A obra contará com dois sistemas de segurança. O primeiro é um descarregador de fundo- espécie de ralo que permite baixar o nível da água ou esvaziar o reservatório de forma controlada. O segundo é um vertedouro em formato de labirinto: um canal com paredes em zigue-zague que, em caso de chuvas extremas, escoa o excesso de água com segurança, evitando que a barragem transborde ou se danifique. “A nova barragem foi dimensionada para ampliar a disponibilidade hídrica do município, contribuindo para a regularidade do abastecimento mesmo em períodos de estiagem. Ela assegura a manutenção de vazão mínima no curso d’água a jusante, conciliando o uso para abastecimento com a preservação ambiental”, explica Nelson Lima, diretor da SP Águas.

Segurança hídrica

A implantação da nova barragem integra os esforços do Governo de São Paulo para fortalecer a resiliência hídrica dos municípios, especialmente diante do aumento da frequência e intensidade de eventos climáticos extremos. As ações são coordenadas pelo governo somam mais de R$ 25 bilhões, reunindo obras estruturais, soluções baseadas na natureza e modernização do monitoramento hidrometeorológico.

Na Região Metropolitana de São Paulo, a principal frente de atuação é o Programa Integra Tietê, voltado à recuperação da capacidade de vazão do Tietê e de seus afluentes, com diferentes frentes de ação. Desde 2023, já foram investidos R$ 955,4 milhões e removidos mais de 5,4 milhões de metros cúbicos de sedimentos. Na Marginal Tietê, a SP Águas realiza também a limpeza e manutenção de 12 pôlderes — sistemas de proteção contra cheias compostos por áreas de retenção, muros, comportas e casas de bombas. Esses equipamentos evitam o retorno da água do rio para as vias marginais durante chuvas intensas, armazenando temporariamente o volume excedente, que é bombeado de volta ao rio após a redução do nível.

Além disso, há importantes obras de macrodrenagem entregues e em andamento em áreas densamente urbanizadas. Desde 2023, o Estado já destinou quase R$ 1 bilhão, por meio da SP Águas, à implantação de reservatórios de contenção de cheias, como o Piscinão Jaboticabal (RM-19), entregue em dezembro do ano passado com investimento de R$ 573 milhões, ampliando a resiliência de municípios do ABC e da capital paulista.

Em Franco da Rocha, foram entregues os reservatórios EU-09 e EU-08, cuja capacidade somada é de 268 mil m³ de água — o equivalente a 107 piscinas olímpicas. Também foi entregue, em abril deste ano, o TG-09, na divisa entre Franco da Rocha e Francisco Morato, com capacidade de armazenamento equivalente a 139 piscinas olímpicas e potencial para beneficiar cerca de 100 mil pessoas. Estão em andamento as obras do RA-01, conhecido como Piscinão Antonico, ao lado do Estádio do Morumbi. O projeto inclui a canalização do córrego Antonico e deve beneficiar mais de 1 milhão de pessoas no combate a enchentes nas regiões do Morumbi e Paraisópolis, com capacidade para armazenar mais de 44 milhões de litros de água.

Além disso, a SP Águas realiza a manutenção e limpeza de 27 piscinões na Região Metropolitana de São Paulo, com investimento de R$ 169,78 milhões nesses serviços desde 2023.

Por meio do Programa Rios Vivos, a SP Águas investiu, desde 2023, R$ 290 milhões em ações de desassoreamento em cerca de 193 municípios do interior e do litoral paulista, retirando mais de 4,4 milhões de resíduos dos rios. O apoio direto às prefeituras também foi ampliado com recursos do Fundo Estadual de Recursos Hídricos (Fehidro), que destinou R$ 926,4 milhões, entre 2023 e 2025, a projetos locais de saneamento, drenagem e gestão hídrica.

As ações são complementadas por estratégias de infraestrutura verde, alinhadas ao conceito de cidade-esponja. Parques estaduais e áreas de várzea, como o Parque Ecológico do Tietê e as várzeas da Guarapiranga e de Embu-Guaçu, funcionam como reservatórios naturais, com capacidade conjunta de retenção de cerca de 3,2 bilhões de litros de água, reduzindo a sobrecarga imediata da malha urbana durante eventos extremos.

Além disso, está em andamento uma Parceria Público-Privada que prevê a realização de serviços no Tietê, no trecho entre a restituição da Barragem de Ponte Nova e a Barragem de Pirapora, totalizando cerca de 182,9 quilômetros; e no Pinheiros, no trecho compreendido entre a restituição da Barragem de Pedreira e sua foz no rio Tietê, incluindo o Canal Guarapiranga, totalizando cerca de 27,6 quilômetros de extensão. Os serviços abrangem desassoreamento e retirada de macrófitas, operação e manutenção das barragens Móvel e da Penha e de 12 pôlderes, manutenção de áreas verdes, limpeza e conservação de taludes e bermas de concreto, ampliação da remoção de lixo superficial dos rios Tietê e Pinheiros, além de projeto de paisagismo nas margens, contribuindo para a prevenção contra enchentes.